Diário de Notícias - 4 Jun 03

Obesidade infantil está a 'disparar'


Uma em cada dez crianças portuguesas é obesa. Embora não existam estudos que o confirmem, é esta a sensibilidade dos especialistas nacionais e internacionais. «A obesidade nas crianças e nos adolescentes tem vindo a aumentar assustadoramente», disse ao DN o director do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Galvão-Teles lamenta que «os fármacos existentes no mercado não estejam aprovados para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes».

Aquele especialista atribui ao sedentarismo e aos maus hábitos alimentares (fast food e refrigerantes) a responsabilidade por um cenário inexistente há alguns anos. Factores que são também responsáveis pelo aparecimento de novas doenças relacionadas com a obesidade. «A diabetes tipo dois, até agora normalmente associada aos adultos, começa a aparecer nas crianças», salienta a endocrinologista Teresa Dias.

Arne Astrup, director do Departamento de Nutrição Humana dinamarquês, e um dos intervenientes no 12.º Congresso Europeu sobre Obesidade, apresentou estudos que demonstram que a qualidade de vida das crianças obesas é pior do que a das que têm cancro.

Para provar que o sedentarismo contribui para a obesidade, aquele especialista referiu um outro estudo baseado em 18 aulas dadas durante seis meses a adolescentes para os desincentivar a passar muitas horas em frente à televisão e ao computador. Conclusão: «Verificou-se uma diminuição significativa da obesidade nestes adolescentes», disse.

Para falar da realidade da obesidade adolescente nos EUA esteve Robert Berkowitz, professor de Psiquiatria e Pediatria, que indicou que 15 a 20% dos adolescentes americanos são obesos. «Até aos anos 70, quando tínhamos educação física e não havia tantos canais de televisão nem fast food, isto não acontecia», comentou.

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