Uma em cada dez crianças portuguesas é obesa. Embora não
existam estudos que o confirmem, é esta a sensibilidade dos especialistas
nacionais e internacionais. «A obesidade nas crianças e nos adolescentes tem
vindo a aumentar assustadoramente», disse ao DN o director do Serviço de
Endocrinologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Galvão-Teles lamenta que
«os fármacos existentes no mercado não estejam aprovados para o tratamento da
obesidade em crianças e adolescentes».
Aquele especialista atribui ao sedentarismo e aos maus hábitos alimentares (fastfood e refrigerantes) a responsabilidade por um cenário inexistente há
alguns anos. Factores que são também responsáveis pelo aparecimento de novas
doenças relacionadas com a obesidade. «A diabetes tipo dois, até agora
normalmente associada aos adultos, começa a aparecer nas crianças», salienta a
endocrinologista Teresa Dias.
Arne Astrup, director do Departamento de Nutrição Humana dinamarquês, e um dos
intervenientes no 12.º Congresso Europeu sobre Obesidade, apresentou estudos que
demonstram que a qualidade de vida das crianças obesas é pior do que a das que
têm cancro.
Para provar que o sedentarismo contribui para a obesidade, aquele especialista
referiu um outro estudo baseado em 18 aulas dadas durante seis meses a
adolescentes para os desincentivar a passar muitas horas em frente à televisão e
ao computador. Conclusão: «Verificou-se uma diminuição significativa da
obesidade nestes adolescentes», disse.
Para falar da realidade da obesidade adolescente nos EUA esteve Robert Berkowitz,
professor de Psiquiatria e Pediatria, que indicou que 15 a 20% dos adolescentes
americanos são obesos. «Até aos anos 70, quando tínhamos educação física e não
havia tantos canais de televisão nem fast food, isto não acontecia»,
comentou.