Pedro Lynce admite acabar com os numerus
clausus no ensino superior dentro de três anos. A hipótese foi
apresentada pelo ministro na última reunião que manteve com o
Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), devendo
ser hoje novamente proposta em reunião com o Conselho Coordenador
dos Institutos Politécnicos (CCISP), e decorre da disponibilidade
manifestada pelo ministro para transferir para as instituições a
responsabilidade de fixar o número de vagas para cada curso.
A ideia de liberalizar o acesso ao ensino superior foi revelada pelo
próprio Pedro Lynce, esta terça-feira, perante os deputados da
Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República.
Porém, de acordo com fonte do seu ministério, esta é ainda «apenas
uma hipótese de trabalho» e depende da disponibilidade das
instituições para assumirem plenamente essa responsabilidade. A
ideia terá sido avançada pelo ministro em resposta às resistências
dos reitores e presidentes dos politécnicos face às regras já
estabelecidas para a redução de vagas (ver caixa).
Esta é uma hipótese que, no entanto, nem sequer colide com a
proposta do Governo para a nova Lei de Bases da Educação já aprovada
em Conselho de Ministros. No texto já remetido para discussão na
Assembleia da República, diz-se apenas que a fixação de numerus
clausus é uma possibilidade e não uma obrigação. Segundo se pode
ler no documento, «o Governo pode estabelecer restrições
quantitativas de carácter global no acesso ao ensino superior, por
motivos de interesse público, de garantia de qualidade do ensino ou
em cumprimento de directivas comunitárias ou compromissos
internacionais».
Actualmente, o número de vagas nas instituições públicas é definido
pelo Ministério depois de consultadas as instituições.
O texto da proposta para a nova Lei de Bases estabelece também que a
imposição de numerus clausus é igualmente aplicável ao ensino
superior privado. No entanto, segundo o ministro admitiu aos
jornalistas na terça-feira, não é ainda claro que o Ministério da
Ciência e do Ensino Superior disponha da possibilidade legal de
aplicar as regras estabelecidas para a redução de vagas às
instituições privadas.
Entretanto, Pedro Lynce decidiu alargar até ao final desta semana o
prazo das universidades para justificar o número de vagas que
pretendem abrir em cada curso. Depois de, na passada segunda-feira,
ter reunido com o CRUP, o ministro aceitou dar mais tempo às
instituições para que justifiquem as razões porque determinados
cursos devem ser considerados como situações excepcionais, ficando
por isso isentos das regras gerais já fixadas.
Esta manhã, é a vez dos representantes do CCISP serem recebidos por
Pedro Lynce, sendo previsível que a redução de vagas marque também a
ordem de trabalhos. À tarde, os representantes dos politécnicos e
das universidades têm reunião marcada com Jorge Sampaio, no âmbito
das consultas do Presidente da República aos parceiros sobre a
reforma em curso no ensino superior.