Diário de Notícias -12 Jun 03

Um em cada quatro jovens não conclui o ensino obrigatório
JOÃO PEDRO OLIVEIRA

Um quarto da população portuguesa entre os 18 e os 24 anos de idade abandonou o sistema de ensino sem ter sequer concluído a escolaridade obrigatória. Aos 15 anos, a taxa de desistência cifra-se actualmente nos 7 por cento. Na esmagadora maioria dos casos, o destino destes jovens é a entrada precoce no mercado de trabalho. Estes números, publicados em Março deste ano pelo Ministério da Educação, tomam por base os resultados dos Censos de 2001 e ilustram a trágica dimensão do abandono escolar em Portugal, associando-o directamente ao fenómeno igualmente trágico do trabalho infantil.

Os números deste estudo desenvolvido pelo Departamento de Avaliação, Prospectiva e Planeamento permitem igualmente identificar as áreas geográficas mais afectadas, destacando a região do Tâmega como o expoente máximo das cifras do abandono. Em concelhos como Resende, Marco de Canavezes, Mondim de Basto, Cinfães ou Mesão Frio metade dos jovens entre os 18 e os 24 anos não concluíram o 9.º ano nem frequentam hoje qualquer outro tipo de formação. Da mesma forma, em todos eles mais de oito por cento dos jovens até 15 anos de idade abandonaram já os estudos. É por isso sem surpresa que todos estes concelhos surgem agora também referenciados como áreas problemáticas em matéria de trabalho infantil, sendo fácil identificar a construção civil e a pequena indústria como áreas privilegiadas de oferta para um primeiro emprego.

Apesar do quadro negro, o estudo refere que as perspectivas melhoraram na última década: em 1991 a taxa nacional de abandono escolar situava-se nos 12,5 por cento, sendo agora de apenas 2,7 por cento. No entanto, salvaguarda-se que actualmente este cálculo apenas considera os jovens até 15 anos, quando antes incluía todos os menores de 18.

Para lá da escolaridade obrigatória, subsiste ainda o número, já repetido à exaustão, do insucesso na conclusão do ensino secundário: 45 por cento dos jovens entre os 18 e os 24 anos não terminaram o 12º ano. Uma taxa que coloca Portugal isolado na cauda da União Europeia.

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