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Público - 17 Jun 03
Deputados Pedem Referência ao Cristianismo na Constituição Europeia
Por PEDRO COITO
Setenta deputados nacionais querem menção expressa aos fundamentos cristãos da
Europa no futuro Tratado da União Europeia. Os parlamentares nacionais assinaram
o "Manifesto de Bruxelas" que defende a referência religiosa na futura
Constituição.
O referido manifesto foi aprovado no final do Colóquio "Deus e a Europa"
realizado no Parlamento Europeu, em Bruxelas, em Abril. Desde então o documento
ficou aberto à subscrição de deputados europeus e nacionais de todos os
Estados-membros.
Os autores procuram dar um contributo específico aos trabalhos da Convenção
Europeia no sentido desta integrar, nas suas recomendações, a menção ao legado
do cristianismo e a uma série de corolários concretizadores dos princípios da
dignidade humana.
Os subscritores pedem que sejam reconhecidos "a liberdade religiosa", o "diálogo
e a consulta das Igrejas e comunidades de crentes com as instituições
europeias", o "respeito pelo estatuto jurídico das Igrejas e das instituições
religiosas", e o reconhecimento do "princípio da dignidade da pessoa humana".
O manifesto defende que o "facto religioso" deve ser "reconhecido no futuro
Tratado fundador da Europa alargada, a fim de neutralizar qualquer tentativa
ideológica e política de instrumentalização dos povos e das religiões."
Em Portugal a subscrição foi conduzida pelos deputados independentes do PSD e do
PS, António Pinho Torres e Maria do Rosário Carneiro, e pelo deputado do PP,
João Almeida. A articulação desta iniciativa com as instâncias europeias é
assegurada pelo deputado ao Parlamento Europeu do PP, José Ribeiro e Castro, que
tem sido um dos seus principais dinamizadores.
O manifesto reúne, até agora, as assinaturas de todo o grupo parlamentar do PP,
52 assinaturas de deputados do PSD, incluindo o Presidente da Assembleia da
República, Mota Amaral, e do grupo parlamentar social-democrata, Guilherme
Silva, e 4 deputados eleitos pelo PS: os socialistas Ascenso Simões e José
Saraiva e ainda as duas representantes do Movimento Humanismo e Democracia,
Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda.
Recorde-se que, antecipando a Cimeira de Salónica, esta iniciativa junta-se ao
coro de vozes, entre as quais Durão Barroso, Paulo Portas e Pacheco Pereira, que
têm vindo a criticar, nos últimos dias, a ausência de referência ao cristianismo
no preâmbulo do anteprojecto de Tratado Constitucional apresentado pela
Convenção em Maio.

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