A pobreza em Portugal é persistente. A oposição
defende mais apoio aos pobres. O Governo toma
medidinhas. Mas há uma pergunta que fica sempre por
responder. Porque é que ainda existe pobreza? Antes
de se tomarem novas medidas de combate à pobreza,
talvez valha a pena descobrir porque é que os
inúmeros mecanismos de combate à pobreza que já
existem não estão a produzir resultados. Se os
pobres já têm direito a habitação social, educação
gratuita, saúde gratuita e rendimento mínimo
garantido, porque é que ainda são necessários mais
mecanismos de combate à pobreza?
Os mecanismos de combate à pobreza são eles próprios
mecanismos de empobrecimento da sociedade. Por
regra, não produzem riqueza. São mecanismos que se
limitam a transferir riqueza produzida pelos membros
mais produtivos da sociedade para os membros menos
produtivos. Os pobres ficam com os seus problemas de
curto prazo resolvidos, mas não adquirem os hábitos
de trabalho nem os conhecimentos necessários para
produzir riqueza. Os pobres não passam a produzir
riqueza. Ficam cada vez mais dependentes do Estado.
Os mecanismos de combate à pobreza deviam ser
mecanismos de emergência, mas não são. São direitos
permanentes que funcionam como um desincentivo à
criação de riqueza. Quem tem as suas necessidades
económicas básicas satisfeitas, não precisa de
estabelecer relações económicas responsáveis com os
seus pares nem precisa de desenvolver uma actividade
económica permanente. Os efeitos são particularmente
devastadores em comunidades imigrantes com problemas
de integração. Os mecanismos de combate à pobreza
tornam estas comunidades dependentes do Estado, mas
auto-suficientes em relação ao resto da sociedade.
Os membros destas comunidades não precisam de entrar
na economia formal externa à sua comunidade nem de
se adaptarem às normas de conduta da sociedade em
que supostamente vivem. Os mecanismos de combate à
pobreza tornam-se assim em mecanismos de perpetuação
da pobreza e fonte de comportamentos irresponsáveis
e de exclusão social.