Indicadores no nível mais baixo desde 2003 Economia portuguesa vive pior momento desde a
última recessão (act) Nuno Carregueiro
(actualiza com dados históricos dos indicadores)
A economia portuguesa continua a dar sinais de forte
abrandamento. O relatório hoje divulgado pelo Banco
de Portugal revela que o consumo privado estagnou em
Junho e que a actividade económica cresceu apenas
0,1%, os piores resultados desde 2003, ano em que a
economia portuguesa esteve em recessão.
O indicador coincidente do consumo privado,
publicado hoje pelo Banco de Portugal nos
Indicadores de Conjuntura, registou em Junho uma
taxa de variação homóloga nula, que compara com o
crescimento de 0,4% registado em Maio.
Desde Agosto do ano passado, mês em que registou um
crescimento de 1,9%, que este indicador tem vindo
sempre a cair todos os meses. No segundo trimestre o
indicador cresceu 0,4%, abaixo dos 1,2% dos três
meses anteriores.
O registo de Junho foi o pior desde Agosto de 2003,
ano em que a economia portuguesa esteve em recessão.
Estes dados mostram que as famílias portuguesas
estão a ser penalizadas pela actual crise de subida
dos preços dos combustíveis, dos alimentos e dos
juros.
Entre os dados do consumo privado citados no
Relatório do Banco de Portugal, a autoridade destaca
que em Maio, o índice de volume de negócios no
comércio a retalho, divulgado pelo INE, aumentou em
termos reais 0,4%, enquanto no segundo trimestre de
2008, as vendas de veículos ligeiros de passageiros,
incluindo veículos todo-o-terreno, registaram um
aumento de 1,9%, em termos homólogos, o que compara
com um crescimento de 11,7 por cento no primeiro
trimestre de 2008.
Esta quebra no consumo privado, que está a
intensificar-se, está a ter um forte impacto na
evolução da economia nacional.
O indicador coincidente mensal para medir a
actividade económica em Portugal registou um
crescimento homólogo de 0,1% em Junho, uma taxa de
crescimento bem inferior à de 0,5% verificada em
Maio. Para encontrar um registo pior, terá que se
recuar a Outubro de 2003, quando o Indicador
Coincidente caiu 0,2%.
Desde Outubro do ano passado, mês em que o indicador
cresceu 2,4%, que a actividade económica em Portugal
está sempre a abrandar. No segundo trimestre o
indicador calculado pelo Banco de Portugal aumentou
0,5%, abaixo dos 1,6% registados nos três meses
anteriores.
A actual crise internacional está a ter um forte
impacto na economia portuguesa, levando vários
organismos a reverem em baixa as suas perspectivas
para a evolução do PIB português. Ontem o FMI cortou
a previsão para um crescimento de 1,25% este ano e
1% em 2009.