FMI diz que acumulação de um passivo externo
líquido não pode continuar indefinidamente "Portugal vive acima das suas possibilidades
há muitos anos"
“Portugal tem estado a viver acima das suas
possibilidades desde há muitos anos, obtendo
financiamento do resto do mundo através do sistema
bancário, aumentando o endividamento externo”.
A frase está escrita no relatório hoje divulgado
pelo FMI sobre a economia portuguesa, onde a
instituição adverte que “embora a participação na
UEM (União Económico Monetária) altere a natureza da
restrição externa, não a elimina: a acumulação de um
passivo externo líquido não pode continuar
indefinidamente”.
“Por isso, a resolução deste problema fundamental
exige ajustamentos e uma maior poupança a todos os
sectores da economia. Se não se aumentar a
produtividade, os encargos do ajustamento recairão
no consumo e no investimento. As políticas deverão
promover este ajustamento, impedindo cenários
potencialmente mais adversos.”
E nem as “condições mundiais mais frágeis deverão,
por conseguinte, constituir motivo para um recurso a
“soluções artificiais”, mas antes para intensificar
os esforços para reactivar o processo de
convergência, entretanto estagnado”.
O FMI recomenda por isso “continuar a consolidação e
reforma orçamentais; manter a solidez do sector
financeiro; aumentar a capacidade de oferta da
economia e melhorar a sua competitividade”.