A «raiz do mal» da Educação Debate sobre o Estado da Nação, organizado pela
SEDES, mostra um país «anémico», como o crescimento
económico, atingido pelo flagelo do «linguajar
pedagógico» que mina o ensino: «Escolas superiores
de Educação deviam ser encerradas»
«Não é preciso menos Estado. É preciso um Estado
forte». «Seguro Nacional de Saúde em vez de Serviço
Nacional de Saúde». «Temos piores gestores do que
operários». «Qualquer Governo preocupa-se mais com o
noticiário das 8h do que com o país daqui a 20
anos». «As faculdades das ciências de educação
deviam ser todas encerradas». «O que o 25 de Abril
fez aos filhos dos pobres foi tirar-lhes a única
hipótese de eles poderem ascender».
As frases, ditas esta quarta-feira à noite num
debate promovido pela SEDES (Associação para o
Desenvolvimento Económico e Social) sobre o Estado
da Nação, pintam o país de uma cor escura, a um dia
do tema chegar ao Parlamento e 24 horas depois de
ter sido conhecido no jornal Público um documento da
organização sobre a estratégia actual da governação
de José Sócrates: já orientada para as eleições de
2009.
Com Maria Filomena Mónica, Paulo Teixeira Pinto e
Vítor Bento e moderado por Luís Campos e Cunha, o
debate foi fluindo à mercê das intervenções, sem o
espartilho de um guião: da educação à economia,
passando pela Justiça, o Estado foi escrutinado por
quem vê o estado do país com preocupação.
A socióloga Maria Filomena Mónica apontou baterias à
educação, considerando que «as faculdades de
Ciências da Educação deviam ser encerradas
imediatamente. Não servem para nada e fazem muito
mal». Explicando que o «linguajar pedagógico» - "é
preciso aprender a brincar" ou "os alunos não devem
ser avaliados" - é um flagelo do nosso sistema de
ensino actual, Maria Filomena Mónica afirmou que «a
doutrina começou na esquerda, mas é agora
transversal».
Sócrates governa a pensar nas eleições
A professora universitária vai mais longe: «O que o
25 de Abril fez aos filhos dos pobres foi tirar-lhes
a única hipótese de eles poderem ascender
socialmente». Questionada pelo PortugalDiário, à
margem do debate, sobre esta declaração, Filomena
Mónica fez questão de explicar que não fala de
«quantidade» mas qualidade.
«Antes do 25 de Abril só 20 por cento dos alunos
prosseguia os estudos para além da quarta classe; a
«mortalidade» estudantil era muito elevada». «Essa
injustiça foi reduzida» em 1974, mas «criou uma
escolaridade que não prima pela exigência: os
professores não incentivam, não estimulam. São
ensinados a ter pena dos pobres e consideram que
esses não podem prosseguir os estudos para serem
médicos. Este tipo de ensino veio travar a ascensão
social dos mais pobres».
Luís Campos e Cunha não tem dúvidas desta premissa e
sublinha que «o nosso ensino estaria hoje muito
melhor» se «as escolas de educação» não existissem.
«Deveriam ser todas fechadas».
O tema dá pano para mangas e foi voltando ao debate.
O economista Vítor Bento considera mesmo que a
«educação é o grande fracasso deste regime porque
ela própria tem promovido um rebaixamento de
qualidade, com excessiva complacência com a
mediocridade».
O economista observou ainda o peso do Estado,
classificando-o de «omnipresente», e dedicou-se ao
perigo do «excessivo défice externo», ao
«crescimento anémico da economia» e à forma como
Portugal «não sabe viver com o euro», alertando
também para a ilusão de que as grandes obras
públicas não custam dinheiro. «Quando ouço dizer que
durante 5 anos aquela estada não vai ter custos,
arrepio-me; porque isso não é verdade».
Já Paulo Teixeira Pinto salientou que não é preciso
menos Estado: pelo contrário - «é preciso um Estado
mais forte». O «Serviço Nacional de Saúde» deveria
ser um «Seguro Nacional de Saúde».