Diário de Notícias - 09 Jul 08

 

Número de baixas fraudulentas dispara no distrito de Viseu
Amadeu Araújo

 

Inspecção. Segurança Social e serviços de saúde investigam clínicos
Os serviços inspectivos dos ministérios da Segurança Social e da Saúde estão a fiscalizar médicos do distrito de Viseu devido ao excessivo número de baixas médicas que passam por ano. Um só médico é suspeito de, num ano, ter passado mais de duas mil baixas. A direcção de Viseu da Segurança Social adianta que "este combate é uma prioridade".

 

Nos últimos três anos, a percentagem média de baixas subsidiadas pelo Estado e consideradas inválidas após a realização de juntas médicas foi de apenas 18,5% nos distritos a sul do Tejo. A norte do País, a taxa é de 34%, mas em Viseu atinge os 38%.

 

Os distritos a norte do Tejo revelam um nível de irregularidades no acesso ao subsídio de doença muito superior aos distritos a sul, situação que pode ter contribuído para que Viseu surja nas estatísticas do Governo como "o segundo distrito do País, logo a seguir a Coimbra, onde se regista o maior número de baixas fraudulentas", disse ao DN o director adjunto da Segurança Social de Viseu.

 

De acordo com João Cruz, o combate às baixas fraudulentas "tem vindo a desenvolver-se de forma implacável, o que levou os serviços que verificam incapacidades a notificarem todos os indivíduos com baixa de 30 ou mais dias. Constatámos que, em regra, 38% são pessoas que não reúnem condições para terem acesso ao subsídio de doença e este é automaticamente cortado".

 

O responsável confirma a existência de "várias situações gravosas quanto à utilização da baixa fraudulenta e ilegal". Para além dos doentes, está também a ser feita uma averiguação aos médicos que passam um número considerado "exagerado" de baixas médicas. "Levantámos alguns processos de averiguação para esclarecer as prescrições de alguns clínicos". Ao que apurou o DN, um dos casos que está a ser investigado é o de um médico que por ano passa cerca de duas mil baixas, quando os colegas, no mesmo concelho, prescrevem apenas um ou dois atestados de baixa médica no mesmo período.

 

No resto do País, e de acordo com dados do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, a Segurança Social constatou que 31% destes beneficiários estavam a receber indevidamente o subsídio por doença.

 

Quando o doente não comparece à junta médica, o subsídio é automaticamente cortado, situação que atingiu 6500 beneficiários que, convocados pela Segurança Social, não compareceram à junta médica.