Info News - 08 Jul 08

 

IVA reduzido nas fraldas para bebés

 

“A Comissão cumpre o que nos prometera, mas importa ir mais longe na não penalização dos gastos familiares com os filhos.” – comenta Ribeiro e Castro

 

“É bom ver aproximar-se o êxito ao fim de três anos de insistências e de pressão contínua” – foi a reacção do eurodeputado José Ribeiro e Castro, ao receber a informação oficial da Comissão Europeia quanto à proposta de alteração da Directiva 2006/112/CE, do Conselho, que, entre outras matérias, resolverá de vez a querela quanto ao IVA das fraldas.

 

Recorda-se que, depois de o ministro das Finanças Bagão Félix haver determinado a aplicação de IVA reduzido (taxa de 5%) às fraldas para bebés, a Comissão deu nota, em 2005, de que abriria procedimento de infracção a Portugal. Ribeiro e Castro reagiu no Parlamento Europeu, obtendo o apoio do Intergrupo para a Família e Protecção da Infância para várias acções de esclarecimento e pressão sobre a Comissão Europeia, a que se associaram vários parlamentares de outros países.

 

É inverosímil e absurda a situação ainda actual em que, para a Comissão, as fraldas para adultos podiam ter IVA reduzido, mas as fraldas para bebés já não” – voltou a afirmar Ribeiro e Castro, lembrando que “a Comissão ficou algo abalada quando denunciámos que o caso podia ser visto como discriminação em razão da idade ou, sobretudo, num dos momentos divertidos desta querela, quando levei ao comissário László Kovács duas fraldas, uma para adultos e outra para crianças, para que nos explicasse a diferença.” E precisou: “É talvez por isso que a nova proposta de alteração da Directiva que vem corrigir a anomalia indica fazê-lo justamente, neste ponto, como «adaptação técnica de redacção».”

 

“Foi ainda muito importante – acentuou Ribeiro e Castro – a acção articulada que conseguimos com colegas de Malta, República Checa, Polónia e Hungria, todos Estados-membros que são alvo potencial de processo por parte da Comissão e de que alguns se juntaram à luta já depois, aliás, do caso com Portugal.”

 

O deputado democrata-cristão mantém, porém, que é necessário ir mais longe na não-penalização dos gastos familiares com os filhos: “Entretanto, definimos uma posição de exigência mais ampla: a possibilidade de IVA reduzido nos produtos específicos para criança, dando, assim, um sinal positivo à família e à natalidade, como apresentámos, há um ano, a nível europeu, na celebração do Dia Internacional da Família (15 de Maio de 2007), uma acção conjunta com a ELFAC, Confederação Europeia das Famílias Numerosas.”

 

“Compreende-se que a Comissão, no propósito limitado desta alteração, não pudesse ir agora mais longe e já é muito importante que se consiga, no Conselho, a unanimidade dos 27 ao menos para este pacote limitado de ajustes técnicos, que é apresentado” – prosseguiu Ribeiro e Castro. “Será bom que, dentro do programa legislativo anunciado para 2008, a União Europeia, pela mão da Comissão, consiga efectivamente cumprir ao menos aquilo que prometera e anunciara publicamente já em 19 de Julho de 2006”.

 

“Também é bom que se resolvam de vez todas as dúvidas quanto à possibilidade de IVA reduzido nas cadeiras de automóvel para crianças, situação para que alertara há meses atrás” – acrescentou o deputado português do PPE.

 

“Mas não se compreende de todo – sublinhou – que se mantenha a discriminação entre Estados-membros em áreas como a do vestuário e do calçado para criança, em que uns podem ter IVA reduzido e outros não. Se a Comissão Europeia vem agora resolver – e bem – esta discrepância de tratamento noutras áreas, como acontecerá na restauração e na habitação, não se percebe que mantenha a diferença entre Estados-membros numa área tão relevante como a do vestuário e calçado para crianças.”

 

“A iniciativa de ontem é, na própria linguagem da Comissão Europeia, apenas «um primeiro passo» para resolver «os casos urgentes» e limitada a «adaptações técnicas de redacção»” – indicou Ribeiro e Castro. “Por isso, vamos continuar a batalhar por uma revisão mais global da Directiva, onde o Conselho se tem lamentavelmente atrasado a dar as orientações necessárias e onde importa conseguir um tratamento não hostil à família, sobretudo nos seus gastos básicos com os filhos.”

 

“Aqui – acentuou – a responsabilidade principal pertence ao Governo português, assim como dos seus pares no Conselho. São eles, os Governos, que têm que prestar contas nesta matéria.”

 

O Intergrupo para a Família e Protecção da Infância, de que Ribeiro e Castro é vice-presidente, reúne amanhã em Estrasburgo, tendo em agenda este ponto do novo regime do IVA proposto pela Comissão Europeia.

 

José Ribeiro e Castro saudou ainda as outras melhorias incluídas na mesma proposta da Comissão Europeia, destacando em particular as que se referem “a artigos destinados a deficientes, à restauração, à habitação em geral e aos serviços de assistência ao domicílio”.