Este não é um Governo de meninos de ouro. É, quanto
muito, de Peter Pans. Não cresce, vive no mundo do
faz de conta. Durante algum tempo fez de conta que
era reformista. Depois tentou fazer de conta que era
conciliador. Agora chega-se à conclusão que é
simplesmente um alquimista de ilusões. Os efeitos
especiais sempre foram a linha de força deste
Governo.
Por isso Sócrates tem um tão grande fascínio pela
tecnologia: ela consegue tornar o irreal, a mais
pura das realidades. Só que agora começam a ser
visíveis os seus defeitos especiais. José Sócrates
foi à televisão dizer que ajuda os velhos pobres,
mas ignora os novos pobres, fruto da destruição
acentuada do grupo social que sempre foi o
sustentáculo dos Governos do Bloco Central: a classe
média. Tira da manga o trunfo da baixa do IMI,
quando não é o poder central que o efectua, mas sim
as câmaras que vão ter de se debater com a quebra
das receitas. O optimismo de Sócrates não é o de um
menino de ouro: é o de um menino que consegue dizer
que o chumbo é ouro. Não está só: a própria política
dos seus ministros é a de um conto de fadas na Terra
do Nunca. Tudo soa a um sonho de Cinderela, com a
pequena diferença que os sapos rotos não cabem nos
pés com meias esburacadas. Manuel Pinho vê o que
mais ninguém vislumbra: a baixa dos preços
alimentares que, como não são taxados a 21% de IVA,
não podem descer. É assim, que no Portugal de Peter
Pan, se acredita em coisas que não acontecem.
Sócrates articula sonhos em público. E chama a isso,
optimismo.