O alargamento da rede de cuidados continuados é
visto pelo Observatório Português dos Sistemas de
Saúde como uma medida que, no ano passado, teve
"importantes progressos". Mas o modelo de
financiamento adoptado "levanta sérias dúvidas sobre
a sua sustentabilidade a médio prazo".
A rede de cuidados continuados destina-se a libertar
camas de hospital e dar apoio a pessoas com algum
tipo de dependência em unidades próprias. As
unidades criadas para dar apoio a este tipo de
utentes têm uma taxa de ocupação próxima dos 100 por
cento. Só de Janeiro a Abril deste ano os centros de
saúde e as equipas de gestão de altas dos hospitais
referenciaram mais 5026 novos utentes. Estes valores
indiciam a necessidade de aumentar o número de
lugares, realça o Relatório de Primavera 2008.
O documento nota contudo que no apoio a estas
pessoas nem sempre foi encontrada "uma adequada
articulação com os serviços sociais", indispensável
quando se trata de dar resposta a situações que têm,
ao mesmo tempo, necessidades de saúde e de apoio
social.
O relatório alerta ainda que na rede de cuidados
continuados estão por criar as Equipas de Cuidados
Continuados Integrados e as Equipas Comunitárias de
Suporte em Cuidados Paliativos, que darão prioridade
ao apoio no domicílio da pessoa com dependência.
Os resultados referidos pelo documento sugerem que,
ao serem prestados cuidados fora do contexto
hospitalar, em unidades mais pequenas e mais
próximas do local de residência ou de familiares, é
possível não só libertar camas nos hospitais para
doentes com problemas mais urgentes como contribuir
para a melhoria dos cuidados de saúde e apoio
social.
Numa avaliação sobre o grau de satisfação dos
utentes, mais de 90 por cento dos inquiridos
afirmaram que os cuidados prestados nas unidades
eram "bons" ou "muito bons". C.G.