Público - 2 Jul 03

Política Educativa Influencia Mais do Que a Origem Familiar
Por B.W.

A política educativa, o sistema - mais concretamente as escolas e os professores - têm um papel fundamental nos resultados dos estudantes, considera o último relatório do PISA, que avalia 43 países, 18 dos quais não fazem parte da OCDE. Os autores sublinham que o contexto e as condições sócio-económicas da família são apenas uma parte da história de sucesso do aluno. Este depende sobretudo das decisões políticas. O relatório reconhece, no entanto, que nem sempre as escolas procuram esbater as desigualdades entre os alunos, pois por vezes reproduzem os padrões sociais, ou seja, beneficiam os que pertencem a meios sócio-económicos privilegiados. Exemplo disso são os sistemas educativos da Alemanha e do Luxemburgo, que tendem a separar as crianças por diferentes vias de ensino desde muito cedo. No que diz respeito aos resultados em literacia, estes países têm valores abaixo da média dos outros estados da OCDE. Mas há os que conseguem conciliar a qualidade de ensino com um tratamento igual entre os estudantes. Canadá, Finlândia, Hong Kong, Islândia, Japão, Coreia do Sul e Suécia têm em comum o facto de os seus alunos estarem acima da média, com bons resultados nos testes e questionários de literacia, numeracia e ciência. Os autores do relatório ontem divulgado defendem, por isso, que a política educativa e as próprias escolas podem desempenhar um papel "crucial" na superação das desvantagens económico-sociais que podem influenciar as capacidades de aprendizagem dos estudantes. Os resultados do estudo revelam que os recursos físicos e humanos das escolas, como boas instalações ou professores de apoio, podem reduzir o impacto da desigualdade entre alunos.

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