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Público - 20 Jul 03
É como Uma Sala Cheia de Gente
Por A.S.
Todos os dias há centenas de milhares de "chat-rooms" activos. Permitem que
as pessoas se sentem em frente ao computador e conversem. Um "chat" é
como uma sala cheia de gente. Para entrar basta escolher
um "nick name", uma espécie de alcunha que quase nunca
corresponde ao nome verdadeiro. Depois sucedem-se as
perguntas, escritas em linguagem abreviada, num código que
leva tempo aos mais inexperientes a dominar. "M ou F?" é quase sempre uma
das primeiras com a qual o visitante se depara.
Tudo o que é dito é visto pela pessoas que estão ligadas. Podem ser duas,
três, ou milhares ao mesmo tempo. Os diálogos entrecruzam-se - e
repetem-se vezes sem fim: de onde vens? que idade tens?
do que é que gostas? como és?...
Num "chat" pode estar-se a falar com várias pessoas ao mesmo tempo e todos
os outros que estão ligados acompanham o ritmo alucinante das palavras
trocadas. Estes espaços de comunicação sem limites são muito populares
entre as crianças e adolescentes. E são estes que devem
ter mais precauções.
O perigo começa, na opinião dos especialistas, quando alguém desafia outro
para "privar", ou seja, para ir para uma "sala" privada, para que a
conversa deixe de ser "pública". Acontece a toda a
hora, muitas vezes antes mesmo de se trocar meia-dúzia de
linhas de cumprimentos. "É como abandonar uma festa cheia
de gente e ir para uma sala com um desconhecido, onde não está mais
ninguém", explica-se no "Mantenha a sua criança segura na Internet", um
documento da equipa nomeada, em 2002, pelo governo britânico para
promover a segurança das crianças na Net e especialmente
dirigido aos pais. "Desencoraje o seu filho a ter
conversas privadas", aconselha-se. A sala onde toda a
gente se está a divertir é bem mais segura.
"Os 'chats' podem ser completamente inofensivos e divertidos", continua o
mesmo documento, que pode ser consultado em
http://www.homeoffice.gov.uk/ . Contudo, "porque são
muito populares entre as crianças e adolescentes, existe
um pequeno risco de que possam ser usados por pedófilos". Só há
razões para preocupação se algumas regras não forem cumpridas. "Mostre
interesse em relação ao que a sua criança faz 'on line' e, se não sabe
como usar a Internet, peça ao seu filho para lhe mostrar
como se faz. Aproveite para passar a mensagem mais
importante: qualquer pessoa que a criança conhece na
Internet é um estranho".
Fornecer a quem está do lado de lá qualquer dado pessoal - números de
telefone, cartão de crédito, moradas - é absolutamente proibido. Mas cá
está mais uma regra que se vê quebrar quase de minuto a
minuto nos "chat-rooms" mais populares entre os miúdos
(ver, nestas páginas, extractos de conversas retiradas da
Net). Trocam-se números de telefone, fazem-se promessas de
encontros...
Mas e se a dada altura os miúdos teimam mesmo em conhecer pessoalmente o
novo amigo virtual? "Crianças e adolescentes não devem nunca encontrar-se
com alguém que conheceram 'on line' sem que esteja um adulto presente",
refere o mesmo documento.
Há "chats" para todos os gostos, onde se fala de todos os temas. O ideal é
que as crianças e adolescentes não usem os que são, definitivamente,
áreas para adultos. Proibir a Internet não é solução,
acreditam os especialistas, mas podem haver soluções de
compromisso, como convencer as crianças a só usarem
determinadas salas de conversação. Uma das ideias que se avança no
"Mantenha a sua criança segura na Internet" é colocar o computador não no
quarto ou no escritório, mas no espaço onde a família se reúne.
Há vários "sites" que podem ajudar os pais e também as crianças a usar
"chats" em segurança. É o caso do
http://www.thinkuknow.co.uk/ . Em português, o
http://www.minerva.uevora.pt/internet-segura é um dos que
fornecem informação sobre o assunto, especialmente dirigida aos pais,
desde as publicações que podem ler para aprenderem mais
sobre o tema, até aos tipos de filtros de conteúdos
disponíveis na Internet.

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