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Público - 15 Jul 03
Governo Vai Apoiar Empresas Que Promovam a Igualdade Entre Homens e Mulheres
Por ANDREIA SANCHES
O Governo quer atribuir incentivos às empresas "que adoptem políticas
favorecedoras de uma representação mais equilibrada dos homens e das
mulheres por sectores e por profissões". Vai sensibilizá-las para a
necessidade de ter creches e outras estruturas de apoio social. E vai
obrigá-las a afixar, em local visível, os direitos dos trabalhadores em
matéria de protecção da maternidade e da paternidade. Estas são algumas
das medidas previstas no segundo Plano Nacional para a
Igualdade, que hoje é apresentado em Cascais pelo
ministro da Presidência, Morais Sarmento.
No documento, a que o PÚBLICO teve acesso, "sensibilizar" é a palavra de
ordem. E passa, obrigatoriamente, por uma das grande fontes de
desigualdade: o acesso e progressão no emprego. É que,
embora a taxa de participação das mulheres portuguesas no
mercado de trabalho seja uma das mais elevadas da União
Europeia (61,3 por cento), continua a existir segregação.
"A gravidez, a licença de maternidade, as dispensas para amamentação e
aleitação, e a menor disponibilidade para certos horários, são factores
decisivos" para as desigualdades, lê-se no plano, que traça linhas de
actuação até 2006.
Uma das ideias do executivo é que as entidades empregadoras percebam que a
conciliação da vida profissional e familiar é, não só um direito dos
trabalhadores, como "um instrumento essencial para promover uma maior
produtividade".
Será mesmo feito um estudo que permita conhecer os custos e vantagens, para
as empresas e seus trabalhadores, de estruturas de apoio como creches ou
ocupação de tempos livres. E o Governo compromete-se a aumentar e
melhorar os serviços de apoio às famílias.
A tarefa de aplicar este plano cabe fundamentalmente a duas comissões: a
Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres e a Comissão
para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. Mas são muitas
as entidades que são chamadas a agir. Desde logo - e esta
é uma das medidas consideradas "estruturantes" -, em cada
ministério serão criadas equipas interdepartamentais, às
quais competirá a responsabilidade da "coordenação,
dinamização, acompanhamento e avaliação da integração da perspectiva de
género em todas as políticas e programas". Todos os membros destas
equipas deverão receber formação específica.
E porque o exemplo vem de cima, cada ministério deverá adoptar "medidas de
acção positiva tendo em vista uma gestão do pessoal que seja promotora da
igualdade".
No primeiro semestre de 2004, o Governo quer ter pronto um Guia de Boas
Práticas sobre a igualdade de género. Bem como instrumentos que permitam
avaliar o impacto das políticas relativas à igualdade. Será também em
2004 que Morais Sarmento apresentará na Assembleia da
República "uma proposta legislativa para cumprimento do
artigo 109 da Constituição". Este artigo determina que "a
participação directa e activa de homens e mulheres na vida
política constitui condição e instrumento fundamental de consolidação do
sistema democrático, devendo a lei promover a igualdade no exercício dos
direitos cívicos e políticos".

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