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| Com a descida do
IVA, a poupança das famílias seria de dois euros (400 escudos) por
cada pacote de fraldas |
Entre
esses produtos susceptíves de gozarem de um benefício fiscal,
discriminando-se positivamente as famílias, Bagão Félix referiu-se,
nomeadamente, às fraldas para bebés, às quais se aplicaria uma taxa de
cinco por cento em vez dos actuais 19 por cento.
A tributação mínima do IVA sobre as fraldas pode representar uma
poupança significativa nos orçamentos familiares, especialmente para
as famílias com mais de uma criança. Um pacote com 50 fraldas pode
custar actualmente entre 13 e 15 euros (com IVA a 19 por cento). Com a
taxa de IVA a cinco por cento verifica-se uma poupança de dois euros
por cada pacote (ver quadro). Como se sabe, o consumo mensal de
fraldas é enorme e representa uma fatia importante no orçamento
familiar.
É claro que a medida só poderá ser concretizada no próximo ano, pois a
redução do imposto terá de ser inscrita no Orçamento de Estado para
2004, que está actualmente a ser preparado.
Muitos outros produtos de primeira necessidade poderão ser alvo de
redução de IVA, mas Bagão Félix ainda está a estudar a questão. Certo,
certo é que tanto o ministro como o secretário de Estado dos Assuntos
Fiscais, Vasco Valdez, que esteve na reunião do Conselho Consultivo
para os Assuntos da Família, ficaram bastante sensibilizados. Segundo
apurou o CM, Vasco Valdez ficou mesmo surpreendido pelo facto de as
fraldas para bebés terem uma taxa de 19 por cento e as fraldas para
adultos incontimentes apenas de cinco por cento. "Trata-se de uma
situação de injustiça gritante", declarou ao CM o presidente da
Associação de Famílias Numerosas (ANFN), Fernando Castro.
Fernando Castro chamou também a atenção para o facto de as papas para
crianças serem taxadas com o IVA máximo, enquanto aos refrigerantes se
aplica apenas a taxa de 12%. Muitos exemplos existem que têm
características antifamília, como, por exemplo, "a fiscalidade sobre
os casamentos, que é bem mais elevada que a do divórcio".
Apesar de tudo, os membros do Conselho Consultivo que ontem se reuniu
para discutir a fiscalidade sobre as famílias registaram o "sinal
positivo" dado pelo Governo, que vai no sentido da "discriminação
positiva".
A reunião contou naturalmente com a Coordenadora Nacional dos Assuntos
da Família, Margarida Neto. Esta responsável está a coordenar um grupo
de trabalho, criado pelo Governo, para a definição da política de
família em Portugal. Nesse âmbito foram criados vários grupos de
especialidades. O grupo de trabalho deverá ter pronto até ao fim do
ano uma proposta de definição da política de família em Portugal.
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