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Público - 16 Jul 03
Analfabetismo e Esperança de Vida
Há dias, num programa televisivo de opinião, a propósito das estatísticas da
ONU então publicado, o convidado do programa salientou dois pontos fracos
do nosso país que merecem reflexão: o baixo grau de
literacia da população e a fraca evolução da esperança de
vida, nomeadamente a enorme diferença entre a masculina e
a feminina.
São dois pontos que estão intimamente relacionados. Por um lado, a
iliteracia, com a consequente carência de educação cívica e de
conhecimentos gerais, traz justificação para quase tudo,
desde a baixa produtividade das actividades económicas
aos comportamentos menos positivos, que acabam por, de
certo modo, condicionar a esperança de vida.
Quanto à grande diferença entre a esperança de vida masculina e a feminina,
cerca de sete anos, talvez a maior do mundo, ela evidencia um
comportamento de risco da população masculina. Parece que
somos uma sociedade de inconscientes que se consideram
valentões e heróis, usando de notória imprudência na
estrada, nas obras, nas praias, no abuso de bebidas
alcoólicas, de droga, de alimentação pouco saudável, etc. Morremos como
tordos desnecessariamente, sem benefício para ninguém, por falta de
precaução, de prevenção, de bom senso. Isto é também consequência da
falta de literacia e, fundamentalmente, de educação
cívica.
Eliminando os comportamentos de risco, a população em geral passará a viver
mais anos, com melhor saúde, com mais felicidade e com maior sentimento
de segurança.
Não é tarefa fácil nem rápida. Por isso exige a colaboração de todos, com
persistência, com perseverança. Aqui fica o meu pequeno tijolo para esta
tão grande obra.
A. João Soares
Cascais

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