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Público - 23 Jul 03
Professores Estão Preocupados com o Encerramento de Escolas do 1º Ciclo
Por SANDRA SILVA COSTA
Em Junho de 2002, havia 8354 escolas básicas do 1º ciclo (EB1) espalhadas
pelo país. E 976 delas tinham cinco ou menos alunos; 2187 não
ultrapassavam as dez matrículas. Contas feitas, 26,2 por
cento registavam uma frequência abaixo das 11 crianças.
Os distritos do interior do país eram os mais afectados pela escassez de
alunos: em Bragança, por exemplo, 181 EB1 não contavam com mais de cinco
meninos; em Viseu, 307 estabelecimentos de ensino contabilizavam dez ou
menos crianças matriculadas.
Os números foram ontem divulgados pela Federação Nacional dos Professores
(Fenprof), que acredita que a fotografia do parque escolar do 1º ciclo
tirada em 2002 continua actualizada. E porque não está disposta a aceitar
que o Ministério da Educação (ME) mande suspender o funcionamento das
escolas pequenas sem ter em conta "a realidade de algumas regiões do
país", a estrutura sindical condensou num documento as
suas propostas para a reestruturação do primeiro ciclo do
básico.
Lembrando que as causas da suspensão das EB1 com poucas crianças podem
radicar "nas opções políticas de sucessivos governos", que "promoveram a
desertificação de largas regiões do país", a Fenprof sublinha que "o
encerramento de pequenas escolas e a consequente concentração em
estabelecimentos de ensino de maior dimensão não é possível" em zonas
geograficamente dispersas.
Por este motivo, a estrutura sindical avisa o ME de que só aceitará a
suspensão de algumas escolas do 1º ciclo se forem respeitadas quatro
condições. A saber: "o indispensável estabelecimento de consensos com as
populações, a salvaguarda de razoabilidade nas deslocações das crianças,
o desenvolvimento de um processo específico de negociação
entre o Governo e a Fenprof sobre todas as questões
profissionais decorrentes do reordenamento da rede
escolar e a construção de centros escolares de maior dimensão que,
de facto, correspondam a uma escola nova."
Plano nacional de emergência
A propósito desta última reivindicação, o dirigente sindical Francisco
Almeida adiantou ao PÚBLICO que, no ano lectivo passado, as crianças da
EB1 de Bezerreira, no concelho de Oliveira do Hospital,
foram transferidas para a escola de Varzielas, um
estabelecimento de ensino "exactamente igual" ao que foi
suspenso. "As instalações eram as mesmas, o material era o mesmo e
continuava a não haver cantina. O ME deve negociar com as populações a
suspensão de algumas escolas, mas desde que tenha algo melhor para lhes
oferecer", considerou.
No documento que ontem divulgou, a Fenprof reforça a ideia de que "é
indispensável um plano nacional de emergência" para as escolas do 1º
ciclo, no âmbito do qual seja possível recuperar
edifícios e, acima de tudo, dotar os estabelecimentos de
ensino "dos meios e equipamentos indispensáveis".
A Fenprof promete apresentar, no início do próximo ano lectivo, um estudo
que incide precisamente sobre os materiais necessários ao funcionamento
das EB1.

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