Inscrições de desempregados com maior aumento em
15 anos Catarina Almeida Pereira
Mercado de trabalho. Registos sobem 26% no último
trimestre de 2008
Em Dezembro havia mais 25 mil desempregados do que
há um ano
No último trimestre do ano passado, inscreveram-se
nos centros de emprego 173 mil desempregados, numa
média de quase 58 mil por mês, o que representa um
aumento homólogo de 26%. Cálculos do DN, a partir de
dados ontem divulgados pelo Instituto de Emprego e
Formação Profissional (IEFP) e pelo Banco de
Portugal, mostram que este é o maior crescimento
homólogo desde os três meses terminados em Novembro
de 1993.
As conclusões são idênticas se for tido em conta
apenas o mês Dezembro, altura em que cerca de 48 600
pessoas ficaram desempregadas, mais 37% do que no
último mês de 2007. Também neste caso é necessário
recuar 15 anos para encontrar uma variação homóloga
tão expressiva.
A instabilidade sentida sobretudo no segundo
semestre fez de 2008 um ano pior. De Janeiro a
Dezembro os centros de emprego registaram mais de
608 mil inscrições, o maior valor anual desde o
início da série (1979) e que representa num aumento
de 11% face a 2007.
A informação apresentada refere-se às pessoas que,
ao longo dos meses considerados, se inscreveram no
IEFP como desempregados. Por reflectirem a
instabilidade no mercado de trabalho, estes dados
são tidos como indicadores de um possível
agravamento futuro do desemprego. Isto porque, se
aumenta de forma tão acentuada o número de pessoas à
procura de trabalho, o mercado acaba por não as
conseguir absorver.
É o que está a acontecer. O aumento do número dos
que permanecem inscritos como desempregados no final
dos meses é cada vez maior: em Outubro o acréscimo
homólogo foi de 0,5%; em Novembro de 2,9%; em
Dezembro, foi já de 6,6%, o maior desde meados de
2004.
Há agora 416 mil desempregados inscritos nos centros
de emprego. O aumento foi transversal a todas as
regiões do país, tendo o Algarve registado a maior
subida.
Mais despedimentos
Quatro em cada dez pessoas inscreveram-se no centro
de emprego por fim de trabalho não permanente, de
que é exemplo a não renovação de contratos a prazo.
Em Dezembro, esta situação afectou mais de 21 mil
pessoas.
O despedimento unilateral está, contudo, a ganhar
peso, tendo motivado quase 9 mil inscrições, num
aumento de 62% em relação ao mês de Dezembro do ano
anterior. Apesar de menos significativos, os
despedimentos por mútuo acordo registam uma variação
semelhante.
A região Norte é a mais instável, com 35% das 48 600
inscrições no Centro de Emprego ao longo de Dezembro
passado. Apesar do Algarve ter registado uma subida
mais expressiva, é no Norte que se concentra o maior
número de pessoas desempregadas no final do mês: são
quase 184 mil ex-trabalhadores, 44% do total.