Brasileiras passaram a ser quem tem mais filhos
na comunidade imigrante Andreia Sanches
Análise sobre a situação demográfica do país revela
que em 2007 houve 54 divórcios decretados para cada
cem casamentos celebrados
Os portugueses têm cada vez menos filhos e o peso
dos bebés com mães imigrantes é cada vez maior. A
tendência não é nova, tem sido observada ao longo
dos anos, mas um estudo recente de Instituto
Nacional de Estatística revela algo inédito: se, até
2006, as mulheres de nacionalidade africana eram as
que mais contribuíam para a natalidade no país, em
2007 "as mães de nacionalidade brasileira" passaram
a ser as mais representativas.
Segundo um artigo publicado na última edição da
Revista de Estudos Demográficos, 3,3 por cento dos
bebés (3355) que nasceram com vida em 2007 são
filhos de mãe brasileira. Já as "mães nacionais dos
países africanos de língua portuguesa" foram
responsáveis por apenas 2534 nascimentos, 2,47 por
cento do total. Feitas as contas, as mulheres
estrangeiras deram à luz 9887 crianças (mais 3988 do
que seis anos antes), o que representa 9,7 por cento
das 102.492 crianças nascidas em Portugal.
A Situação Demográfica Recente em Portugal,
elaborada por Maria José Carrilho, revela ainda um
país onde o filho único é a opção predominante, a
maternidade depois dos 30 é mais frequente e os
casamentos duram menos. Aliás, não só "o rácio entre
divórcios e casamentos não cessa de aumentar", como
nunca como em 2007 o desequilíbrio foi tão
acentuado. Para cada cem casamentos celebrados
decretaram-se 54 divórcios. Em 2001, o rácio era de
100 para 32.
Face a estes indicadores, o envelhecimento
demográfico surge como "um fenómeno irreversível",
mesmo se os saldos migratórios continuarem positivos
- a única causa do crescimento da população em 2007
teve a ver precisamente com as entradas no país,
seja pela via do regresso de emigrantes, seja pela
imigração. De acordo com Maria José Carrilho, havia
446.333 estrangeiros a residir legalmente no país.
Um terço era de origem africana de língua
portuguesa. Os nacionais do Brasil representavam
12,7 por cento do total.