Secretário-Geral da OCDE diz que "o pior está
para vir"
O secretário-geral da OCDE (Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económicos), Angel
Gurria, considerou hoje que o "pior está para vir"
para a economia da Zona Euro, e que se espera uma
"desaceleração mais forte" do crescimento.
"O pior está para vir", declarou Gurria no decorrer
de uma conferência de imprensa para apresentar o
relatório sobre a zona euro, citado pela agência
Lusa.
"O mercado imobiliário continua a retrair-se",
especificou, acrescentando que a inflação "caiu
fortemente" após os picos do Verão passado.
Declarou igualmente que a deterioração dos défices
orçamentais na Zona euro "serão muitíssimo mais
importantes" nos meses que se seguirão.
Juros com espaço para descer
A OCDE considera que o cenário de deflação na Zona
Euro é pouco provável, adiantando que as previsões
de evolução dos preços "estão bem ancoradas" e que
poderá haver espaço para novos cortes nas taxas de
juro centrais.
“As projecções da OCDE sugerem que ao longo do
próximo ano vai criar-se uma folga económica
substancial, que ajudará a baixar ainda mais a
inflação. Dadas estas projecções, poderá criar-se
espaço para que se alivie ainda mais a política
monetária".
"No entanto" - ressalva o documento - "existe uma
dose invulgar de incerteza em torno do cenário
económico", pelo que a política monetária deve estar
“pronta para reagir caso as expectativas de inflação
de longo prazo deixem de estar ancoradas".
Já o cenário de deflação é pouco provável. "Não é o
nosso cenário central", considerou o economista da
OCDE Nigel Pain, citado pela agência France Presse.
No entanto, a organização não exclui totalmente a
deflação "a curto prazo se a queda da inflação se
registar mais rapidamente que o previsto".
A inflação na Zona Euro disparou para 4% no Verão
passado, caiu para 1,6%, e a organização prevê agora
1,4% para 2009 e 1,3% para 2010.
No mesmo estudo, a Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económicos (OCDE) prevê uma
contracção da economia da Zona Euro na segunda
metade do ano e antecipa que só em meados de 2010 os
países da moeda única consigam crescer acima do seu
potencial.
De acordo com a OCDE, o cenário mais provável para a
actividade económica da Zona Euro é de "novas
contracções no quarto trimestre de 2008 e na
primeira metade de 2009".
A queda da procura externa, a instabilidade nos
mercados financeiros e a contracção dos mercados
imobiliários dos Estados-membros vão melhorar ao
longo do tempo, devendo a recuperação da economia
ser gradual, refere a organização internacional.
A descida da inflação ao longo de 2009, uma melhoria
dos mercados financeiros e os efeitos dos pacotes de
estímulo adoptados pelos governos deverão ajudar a
impulsionar uma "eventual expansão", continua a OCDE.
No final da segunda metade de 2010, está previsto
que a economia comece a crescer mais rapidamente do
que o seu potencial (nível em que a economia estaria
a usar todos os seus recursos disponíveis), referem
os mesmos analistas, que repetem as previsões de
crescimento apresentadas a 25 de Novembro de 2008.
A Zona Euro deve ter crescido 1% em 2008 e
contrair-se em 0,6% em 2009, devendo registar em
2010 um crescimento de 1,2%.
A OCDE admite que a dimensão e a duração da recessão
podem ser limitadas se as medidas de alívio fiscal
discutidas pela Comissão Europeia forem
implementadas pelos países. No entanto, a OCDE deixa
um aviso: essas medidas de ajuda devem ter
atempadas, bem dirigidas e temporárias, sempre tendo
por cenário de fundo um objectivo de
sustentabilidade de médio prazo das finanças
públicas.