Afinal o amor pode durar para sempre Maria João Pinto
Estudo. Infelizmente, só acontece a uma (afortunada)
minoria: largos anos depois, alguns casais mantêm
acesa a paixão dos primeiros instantes. Uma questão
de química, dizem os investigadores da Stony Brook
University
"Apaixonados como no primeiro dia? Impossível, não
podem estar a falar a sério". Durante muito tempo,
foi justamente isso que Arthur Aron pensou, ao ouvir
casais afirmarem que a chama da paixão se mantinha
acesa após mais de 20 anos de vida em comum. Mas, e
se estivessem, de facto, a falar a sério? Psicólogo
da Stony Brook University, de Nova Iorque, nos
Estados Unidos, Arthur Aron ficou intrigado com
estes relatos de eterna felicidade conjugal e,
afinal, é mesmo assim: o estudo que conduziu indica
que, para uma afortunada minoria - um em cada dez
dos casais analisados -, o amor pode mesmo durar a
vida inteira.
Segundo a edição online de ontem do Sunday Times, a
equipa de investigadores comparou, através de
scanner cerebral, as reacções químicas manifestadas
por casais de longa data e por casais em início de
relacionamento amoroso. Os resultados foram
surpreendentes: o cérebro de alguns casais, juntos
há mais de 20 anos, libertou os mesmos níveis de
dopamina - neurotransmissor associado às sensações
de prazer - encontrados na fase inicial do
enamoramento. Mas, sublinham os investigadores, sem
o quadro obsessivo que também caracteriza esse
estado nascente, o que poderá indiciar uma maior
maturidade no relacionamento destes casais que,
passado o teste do tempo, podem dizer com segurança
ter encontrado a sua "alma gémea".
"Estes resultados vão contra a visão tradicional de
que a paixão esmorece dramaticamente durante os
primeiros dez anos de relacionamento, mas agora
sabemos que o contrário é possível", afirmou Arthur
Aron, citado pelo Sunday Times.
Aos casais imunes ao declínio da paixão, a equipa de
investigadores da universidade nova-iorquina
atribuiu a designação de "cisnes", uma das espécies
que, no mundo animal, dedica toda a sua vida ao
mesmo parceiro. E, aos 64 anos, tal como a sua
mulher, Elaine, Arthur Aron confessa que, apesar de
ter "um casamento sólido", também ele sente "uma
pontinha de inveja" destes pares de "cisnes": "O
relacionamento destes casais permanece intenso, e
sexualmente activo também", apesar de uma longa vida
passada em comum.
Estudos anteriores nesta área, lembra o Sunday
Times, haviam validado a visão corrente de que a
paixão esmorece, em média, ao fim de 12 a 15 meses.
E que, ao fim de dez anos, "a química" pura e
simplesmente já não existe. A famosa "crise dos sete
anos", na base de tantos divórcios, corresponderia,
assim, a um dos "pontos de fractura" que marcam a
generalidade dos relacionamentos amorosos.
Entre os "cisnes" da vida pública britânica, o
jornal aponta o ex-primeiro-ministro Tony Blair e
sua mulher, Cherie, e o actor Michael Caine e sua
mulher, Shakira. |Com Times Online e CNN/Health