Portugal Diário - 11 Jan 07

 

Aborto: 14 % sofre de stress pós-traumático

Estudo apresentado numa iniciativa da plataforma «Não Obrigada»

O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental afirmou hoje que pelo menos 14 por cento das mulheres que abortam sofrem de stress pós-traumático, citando um estudo norte-americano, numa iniciativa da plataforma «Não Obrigada», noticia a Lusa.

«Pelo menos 14 por cento das mulheres que abortam estão sujeitas a um distúrbio de stress pós-traumático», garantiu Adriano Vaz Serra, citando um estud o efectuado nos Estados Unidos em 2004.

De acordo com o psiquiatra, «um número muito maior apresenta parte dos sintomas da síndrome pós-traumática», entre os quais se incluem a lembrança constante do acontecimento, pesadelos, taquicardia e fobias graves, que, nos casos mais graves, pode conduzir ao suicídio.

«Esta patologia pode levar ao suicídio», garantiu o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, numa conferência sobre as consequências psicopatológicas do aborto na mulher, promovida pela plataforma «Não Obrigada», que reúne vários movimento contra a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).

Esta plataforma lançou esta semana um novo cartaz, onde se ê «Abortar a pedido e passar o resto da vida a pedir que não tivesse acontecido?».

Adriano Vaz Serra, que pertence ao movimento «Aborto a Pedido Não», salientou que o propósito destes grupos de cidadãos é «defender os direitos das mulheres».

«Somos intransigentemente pela defesa da vida mas isso é incompleto se não dissermos alta e claramente que o nosso propósito é defender as mulheres», frisou, considerando que as mulheres que «pedem» um aborto têm de ser avisadas destas possíveis consequências.

«64 por cento foram coagidas»

Adriano Vaz Serra citou o mesmo estudo norte-americano para afirmar que «64 por cento das mulheres que fizeram um aborto foram coagidas» e que, em 95 por cento desses casos, os homens desempenharam um papel importante na tomada de decisão.

«Um dos propósitos maiores dos nossos movimentos é defender os direitos das mulheres para que deixem de ser manipuladas pela sociedade em geral e pelo homem, que se aproveita dela e depois a deita fora», afirmou o psiquiatra.

A psicóloga Maria José Vilaça, outra das oradoras, alertou que se o «sim» à despenalização da IVG ganhar, as mulheres «vão ficar ainda mais vulneráveis e desprotegidas, porque vão deixar de poder invocar a lei para rejeitarem fazer um aborto».

«Uma armadilha»

Na mesma linha, a psiquiatra Margarida Neto considerou um aborto «uma a rmadilha que tem corrido pelo mundo fora».

«É uma decisão apressada, angustiante, coagida. A mulher, em vez de resolver um problema, herda para si mesma o trauma pós-aborto», disse.