Portugal Diário - 05 Jan 07

 

Mulher dá à luz embrião congelado salvo do Katrina

 

Mais de 1400 embriões foram salvos do Hospital de Nova Orleães

Rebekah Markahm dá a luz, por cesariana, a 16 de Janeiro, uma das primeiras crianças a nascer dos mais de 1.400 embriões congelados que foram salvos do Lakeland Hospital de Nova Orleães, dois meses depois do furacão Katrina.

Nove meses depois de lhe ter sido implantado um embrião que quase descongelou quando o inundado hospital de Nova Orleães ficou sem electricidade, Markahm vive a exaltação do momento, noticia a agência «Lusa».

O álbum de fotografias do próximo recém-nascido pode assim incluir algo muito especial: fotos de agentes da polícia transportando-se em botes para resgatar o embrião congelado de um sufocante hospital sem electricidade, na caótica situação que se seguiu ao furacão Katrina.

O Katrina assolou a região a 29 de Agosto de 2005, matando mais de 1.500 p essoas e mergulhando dezenas de outras no caos. Mais de 200.000 pessoas continuavam recentemente espalhadas pelos quatro cantos do país.

«Vai ser uma excitação para a criança, quando tiver idade suficiente para perceber o que se passou», disse Markham, uma terapeuta de 32 anos cujo marido, Glen, é oficial de Polícia em Nova Orleães. Ainda não sabem se é menino ou menina embora ambos desejem um rapaz.

Mas não são só os Markhams que estão animados com a notícia.

«Isto é óptimo! Vou telefonar a todos os nossos agentes e contar-lhes. Vão ficar excitadíssimos», disse o tenente Eric Bumgarner, um dos sete agentes da Polícia de Preservação do Ambiente do Illinois e três soldados estaduais do Luisiana que se cobriram de lama para resgatar os embriões. Bumgarner confessou que pensara muitas vezes no que teria acontecido aos embriões. «Um destes embriões pode ser o próximo presidente».

Devido a problemas de infertilidade que afligiram o casal, uma clínica criou embriões a partir do óvulo de Markham e do esperma de Glen em 2003. Dois fora m implantados imediatamente e um deles deu origem ao seu primeiro filho, um rapaz que completou um ano exactamente antes do furacão Katrina. Os restantes foram armazenados em reservatórios de nitrogénio à temperatura de menos 196 graus centígrados para serem usados quando necessário.

Os seus embriões, tal como os pertencentes a centenas de outros casais, foram guardados no laboratório do Instituto de Fertilidade a funcionar no Hospital. Dois dias antes do Katrina atingir Nova Orleães, a clínica tomou medidas para proteger os embriões transferindo todos os seus reservatórios de nitrogénio para o terceiro andar.

Mas os 2,4 metros de água do Katrina deixaram o hospital sem electricidade e a temperatura subiu. Um reservatório foi transferido por três ou quatro semanas para uma sala com ar condicionado mas a temperatura era de cerca de 38 graus centígrados naquele hospital, disse uma perita em fertilidade do instituto.

Receando a perda dos embriões, ela contactou um advogado eatadual, que telefonou à governadora Khathleen Blanco e, a 11 de Setembro, agentes do Illinois transportaram em camiões da Guarda Nacional os botes que ajudariam a resgatar os embriões congelados até um hospital que não estava inundado.

Os Markhams, que vivem agora em Convigton, nos subúrbios, ainda não escolh eram nomes - mas se o bebé for uma rapariga, ela não se chamará Katrina.

«Não há nada de bom associado a esse nome», disse a futura mãe.