Mulher dá à luz embrião congelado salvo do
Katrina
Mais de 1400 embriões foram salvos do Hospital de
Nova Orleães
Rebekah Markahm dá a luz, por
cesariana, a 16 de Janeiro, uma das primeiras
crianças a nascer dos mais de 1.400 embriões
congelados que foram salvos do Lakeland Hospital de
Nova Orleães, dois meses depois do furacão Katrina.
Nove meses depois de lhe ter sido
implantado um embrião que quase descongelou quando o
inundado hospital de Nova Orleães ficou sem
electricidade, Markahm vive a exaltação do momento,
noticia a agência «Lusa».
O álbum de fotografias do próximo
recém-nascido pode assim incluir algo muito
especial: fotos de agentes da polícia
transportando-se em botes para resgatar o embrião
congelado de um sufocante hospital sem
electricidade, na caótica situação que se seguiu ao
furacão Katrina.
O Katrina assolou a região a 29
de Agosto de 2005, matando mais de 1.500 p essoas e
mergulhando dezenas de outras no caos. Mais de
200.000 pessoas continuavam recentemente espalhadas
pelos quatro cantos do país.
«Vai ser uma excitação para a
criança, quando tiver idade suficiente para perceber
o que se passou», disse Markham, uma terapeuta de 32
anos cujo marido, Glen, é oficial de Polícia em Nova
Orleães. Ainda não sabem se é menino ou menina
embora ambos desejem um rapaz.
Mas não são só os Markhams que
estão animados com a notícia.
«Isto é óptimo! Vou telefonar a
todos os nossos agentes e contar-lhes. Vão ficar
excitadíssimos», disse o tenente Eric Bumgarner, um
dos sete agentes da Polícia de Preservação do
Ambiente do Illinois e três soldados estaduais do
Luisiana que se cobriram de lama para resgatar os
embriões. Bumgarner confessou que pensara muitas
vezes no que teria acontecido aos embriões. «Um
destes embriões pode ser o próximo presidente».
Devido a problemas de
infertilidade que afligiram o casal, uma clínica
criou embriões a partir do óvulo de Markham e do
esperma de Glen em 2003. Dois fora m implantados
imediatamente e um deles deu origem ao seu primeiro
filho, um rapaz que completou um ano exactamente
antes do furacão Katrina. Os restantes foram
armazenados em reservatórios de nitrogénio à
temperatura de menos 196 graus centígrados para
serem usados quando necessário.
Os seus embriões, tal como os
pertencentes a centenas de outros casais, foram
guardados no laboratório do Instituto de Fertilidade
a funcionar no Hospital. Dois dias antes do Katrina
atingir Nova Orleães, a clínica tomou medidas para
proteger os embriões transferindo todos os seus
reservatórios de nitrogénio para o terceiro andar.
Mas os 2,4 metros de água do
Katrina deixaram o hospital sem electricidade e a
temperatura subiu. Um reservatório foi transferido
por três ou quatro semanas para uma sala com ar
condicionado mas a temperatura era de cerca de 38
graus centígrados naquele hospital, disse uma perita
em fertilidade do instituto.
Receando a perda dos embriões,
ela contactou um advogado eatadual, que telefonou à
governadora Khathleen Blanco e, a 11 de Setembro,
agentes do Illinois transportaram em camiões da
Guarda Nacional os botes que ajudariam a resgatar os
embriões congelados até um hospital que não estava
inundado.
Os Markhams, que vivem agora em
Convigton, nos subúrbios, ainda não escolh eram
nomes - mas se o bebé for uma rapariga, ela não se
chamará Katrina.
«Não há nada de bom associado a esse nome», disse
a futura mãe.