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Correio do Vouga
- 25 Jan 06
Três razões médicas para ser a
favor da Vida e contra o aborto
Daniel Serrão
1 – Uma mulher normal, com uma gravidez normal e
com um feto em desenvolvimento, normal não é uma
pessoa doente. Por isso, ao Médico apenas cabe uma
intervenção de vigilância que, em muitos países, é
feita por Enfermeiras especializadas; e o Médico só
é chamado a intervir quando há risco de doença e a
gravidez passa a ser classificada como gravidez de
risco.
Portanto, destruir um feto em desenvolvimento não é
um acto médico, porque a gravidez não é uma doença.
Nenhum Médico o pode praticar em circunstância
nenhuma.
2 – E se a mulher grávida pedir o abortamento ao
Médico, invocando motivos sociais ou económicos e
declarando que não pode suportar mais o estado de
gravidez e que quer que o seu filho seja retirado do
útero e morto?
O Médico terá de lhe responder que não pode dar
satisfação ao seu pedido, porque a função que lhe
cabe desempenhar como Médico e a sua competência
específica só podem estar ao serviço do diagnóstico
e tratamento de doentes. Se a causa do pedido de
abortamento não é uma doença mas uma carência
financeira ou um abandono e marginalização social é
às estruturas de protecção e segurança social e
familiar, públicas ou privadas, que compete eliminar
as causas do pedido de abortamento; se o Médico
acolhesse o pedido e praticasse o crime do
abortamento, ofendendo as disposições do seu Código
de Deontologia, não iria resolver nada; os ditos
motivos sociais e/ou económicos ficariam na mesma ou
piores do que estavam antes do abortamento. Este
teria sido um crime inútil e deixava a porta aberta
para novo pedido de abortamento algum tempo depois.
Os poucos estudos que há sobre abortamento
clandestino, mas registado, mostram que estes
motivos sócio-económicos, que os defensores do
abortamento por vontade da mulher grávida sempre
invocam como a grande causa para o abortamento, são
mencionados em cerca de 3 % dos casos.
3 – O Médico não pode praticar o abortamento não só
por estas duas razões mas ainda por outras de
natureza médica.
O Médico sabe que esta intervenção abortiva sobre o
corpo da mulher grávida, além de provocar,
obviamente, a morte do feto, tem riscos importantes
para a mãe, tanto no acto de fazer o abortamento
como no futuro, no que se refere à sua saúde geral e
à sua saúde sexual. Mesmo o chamado “abortamento
seguro” pode complicar-se com infecção uterina e das
trompas, com septicemia, com esterilidade
pós-abortamento, com depressão moderada ou grave; em
casos raros, até com suicídio da mãe que se fez
abortar. Relativamente à maior incidência de cancro
da Mama nas mulheres que fizeram um ou mais
abortamentos, há grande polémica sobre os resultados
publicados, mas os mais fiáveis indicam que tal
maior risco é uma realidade com valor estatístico.
Cabe ao médico, contudo, acolher as mulheres que se
fizeram abortar, sem qualquer discriminação, tratar
as alterações patológicas de que sofram, físicas
e/ou psicológicas, e promover a informação
necessária para que aquela pessoa não volte a
encontrar-se na situação que a levou a fazer-se
abortar.
Daniel Serrão
médico, escreve a convite da ADAV/Aveiro -
Associação de Apoio e Defesa da Vida
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