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Ministério Quer Alargar para Seis Anos Vigência de Manuais Escolares
Por SANDRA
SILVA COSTA
O Ministério
da Educação (ME) quer alargar para seis anos o período de vigência
dos manuais escolares e pretende também instituir um sistema de
avaliação e certificação da qualidade dos livros que chegam às mãos
dos alunos. São estas as duas principais propostas de um estudo
jurídico entregue esta semana pela tutela aos parceiros educativos.
De acordo com
o documento do ME, os manuais escolares devem ser adoptados "por um
período de seis anos". Se receber o aval favorável das associações
de editores e do Conselho Nacional de Educação, esta medida fará com
que todos os livros tenham um prazo de vigência igual - até agora,
as adopções no 1.º e 2.º ciclos ocorrem de quatro em quatro anos e
as do 3.º ciclo e do secundário de três em três.
Para garantir
o "acesso universal aos recursos pedagógicos", a tutela propõe
também que cada escola ou agrupamento ponha em marcha um sistema de
empréstimo de manuais "aos alunos pertencentes a agregados
familiares carenciados". Esta ideia foi lançada já pelo anterior
ministro da Educação, David Justino, em 2003, mas apenas uma minoria
de estabelecimentos de ensino criou efectivamente um sistema de
empréstimos.
O ME preconiza
também o desenvolvimento de "processos que visam a avaliação da
qualidade dos manuais". Conduzido por comissões de avaliação
nomeadas pela tutela, este sistema visa "aferir a qualidade
científica e pedagógico-didáctica dos conteúdos". Se a avaliação for
considerada "favorável", é emitido um certificado de qualidade. No
caso de ser desfavorável, a comissão faz recomendações para que os
aspectos menos positivos dos manuais sejam corrigidos.
Paulo
Gonçalves, porta-voz da Porto Editora, uma das empresas que
constituem a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL),
sublinha que a proposta de criar um sistema de avaliação "é muito
bem-vinda e vai ao encontro do que as editoras pedem há muito".
"Este sistema de certificação só vem transmitir confiança aos
professores, aos pais e aos alunos", comenta.
Já quanto ao
período de vigência de seis anos dos manuais, Paulo Gonçalves é mais
cauteloso. "Para algumas disciplinas, pode ser muito tempo. Só um
exemplo: se isso estivesse já em vigor e um livro de Geografia
tivesse sido adoptado este ano, só daqui a cinco anos os alunos
iriam ter no seu manual alusão ao 'tsunami' no Sudeste asiático",
refere.
Carmo Correia,
do Conselho de Educação da União dos Editores Portugueses, tem uma
opinião semelhante relativamente à vigência de seis anos dos
manuais. "Têm que ser devidamente ponderadas as consequências de uma
ideia desta natureza. Pode não ser adequada a todos os níveis de
ensino ou a todas as áreas disciplinares", explica.
Quanto à
avaliação dos livros, Carmo Correia lembra que ela está prevista na
lei desde 1990. "Nunca foi aplicada por única responsabilidade do
ME", diz.
O presidente
da Confederação Nacional das Associações de Pais, Albino Almeida,
entende, por seu turno, que estas propostas parecem indicar que
"estamos no bom caminho". "O Estado deve definir o que é um bom
manual e dar-lhe a durabilidade que permita às famílias não serem
sobrecarregadas", sustenta.
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