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Fórum da Família - 31 Jul 03 Escândalo em Espanha: deputada da Esquerda Unida presidente de clínica de abortos privada “A nossa posição na questão do aborto é bem conhecida; fomos pioneiros em Espanha na defesa do aborto livre e gratuito como um direito humano para todas as mulheres”. Marisa Castro Fonseca responde de forma contundente, como uma lição bem aprendida durante muitos anos... “O aborto gratuito é a única possibilidade de garantir o direito a todas as mulheres. Dizer “aborto sim, mas que o paguem”, deixa para trás as mulheres mais pobres”. Quem diz estas palavra, Marisa Fonseca, deputada da Esquerda Unida, é presidente do conselho de administração da clínica Isadora, onde se praticam abortos e uma das que mais factura em Espanha: quase 2 milhões de euros, segundo dados de 2001. Quando os jornalistas de Época a questionam sobre a contradição que supõe este discurso com a sua participação na clínica Isadora – que, ainda que realize outras actividades, tem como principal negócio a prática de abortos – ela converte-se num “tubarão das finanças”. Primeiro, nega a sua relação directa com a clínica, mas depois arremete, de forma pouco adequada ao ideário do seu partido, que “ganhar dinheiro no capitalismo não é delito nem pecado” Os 70.000 abortos declarados oficialmente em Espanha serão muitos mais se o Ministério da Saúde investigar o número real. A deputada Marisa Fonseca assegura que “pelo menos na Isadora – clínica de que é presidente do conselho de administração e sócia – se declaram todos os abortos praticados”, ao contrário do que sucede noutras. Que quer dizer com isto? Que um grande número de clínicas permite que uma parte dos abortos praticados permaneça na clandestinidade. A finalidade é o dinheiro não declarado. ÉPOCA provou que é possível abortar sem factura e, logicamente, sem pagar IVA. “Se quer permanecer no anonimato, não se emite factura”, dizem numa conhecida clínica de Madrid. Em 2002 praticaram-se oficialmente 70.000 abortos em Espanha, segundo dados do Ministério da Saúde. Os preços oscilam entre 300 e 3.000 euros, dependendo das semanas de gestação. Baseando-se nos números declarados, em Espanha, factura-se uma média anual de 70 milhões de euros. Quantidade que, dividida pelo número de clínicas que praticam abortos – 121 – mostra que cada uma facturaria em média, 578.000 euros. Estes valores colocam a clínica Isadora numa posição privilegiada, ao facturar 1.913.897 euros em 2001. Mais ainda, comparando este valor com o declarado por uma das clínicas abortistas mais conhecidas, a empresa de Marisa facturou quase mais um milhão de euros. Mas os dados podem estar viciados. “Garantimos que os dados da mulher não saem daqui para nenhum lado. Além disso, não emitimos factura se não a pedirem”, confirma uma responsável de uma das principais clínicas abortistas. Na prática, significa que esta empresa pode estar a ocultar abortos à Comunidade de Madrid com a finalidade de esconder receitas às finanças. Operações não declaradas que, graças aos interesses de certos empresários, podem ser ilegais. É conhecida (ÉPOCA, nº 926, Novembro 2002) a prática de abortos até 7 meses, os métodos utilizados e o custo. Na realidade, o pressuposto “perigo para a saúde psíquica da mulher” converteu-se num álibi pelo qual se tolera o aborto livre. O dinheiro, sujo ou limpo, está presente neste negócio, no qual participa a Segurança Social, já que 97.5% dos abortos são praticados em centros como o da deputada da Esquerda Unida, Marisa Fonseca.
Fonte: ÉPOCA |