Fórum da Família - 28 Jul 03

Também se morre por causa de abortos legais

             Uma mulher morta após um aborto clandestino converte-se facilmente numa bandeira a favor da legalização do aborto. Querem que continuem a morrer mulheres por causa de abortos praticados sem condições?

            Curiosamente, no dia 27 de Maio de 2003, faleceu na clínica Aquário, perto de Alicante (Espanha), uma mulher chinesa de 31 anos, após ter sido submetida a um aborto no segundo trimestre de gravidez, para o que se alegou “risco para a saúde psíquica da mãe”.

            O director clínico da Aquário é Pere Enguix, um pioneiro da defesa do direito ao aborto em Espanha, tendo sido processado nos anos 80.

            A clínica dispõe de todas as condições para essa prática, tendo a vítima sido submetida aos procedimentos e verificações habituais antes da realização de um aborto. Dispõe de uma unidade de reanimação, mas nem assim foi possível que a mulher acordasse da anestesia.

            Enguix declarou, a propósito do sucedido, que foi “um acidente cirúrgico numa intervenção, como pode acontecer numa apendicite ou numa hérnia”. Mas há uma diferença fundamental: a apendicite leva à morte se não se opera, enquanto a gravidez leva naturalmente a uma nova vida, se não houver quem provoque a morte do feto.

            O “risco para a saúde psíquica da mãe” é um argumento usado para legitimar a liberalização do aborto – ou justificar a sua prática fácil onde já está liberalizado. Se este aborto não fosse legal, o caso da mulher chinesa serviria para inúmeras reportagens sobre os riscos das mulheres, para denúncias de uma lei “hipócrita”, despertaria críticas contra o negócio do aborto clandestino e sondagens sobre a necessidade de reformar a lei vigente.

            Mas, actualmente, em Espanha o que é arriscado é atrever-se a propôr a reforma desta lei. Não vá ser que se perturbe a tranquilidade psíquica.

  

Fonte: Aceprensa 83/03