Público - 7 Fev 06

Tutela estuda hipótese de mulheres portuguesas terem filhos em Badajoz

Responsáveis hospitalares de Elvas e de Badajoz (Espanha) estão a analisar a possibilidade de as mulheres portuguesas da região fronteiriça passarem a ter os filhos na maternidade da cidade espanhola. Esta será uma das soluções possíveis que decorrerá da reorganização dos serviços hospitalares nesta região.
As mulheres do concelho de Elvas e das regiões limítrofes da raia têm habitualmente os filhos na Maternidade Mariana Martins, em Elvas. Mas nos últimos tempos tem aumentado o número daquelas vão dar à luz em Badajoz, recorrendo sobretudo a clínicas privadas, através de seguros de saúde.
O presidente do conselho de administração dos hospitais de Portalegre e Elvas, Luís Ribeiro, tem estado em contacto com os responsáveis do Hospital Infanta Cristina, em Badajoz, e adiantou à Lusa que esta é "uma hipótese que está a ser estudada, entre várias opções".
O responsável admite que, caso se opte pela solução espanhola, será encerrada a maternidade de Elvas. "Não se tira nada à população sem lhe dar algo em troca e o que se pretende oferecer é um serviço melhor e com mais qualidade, onde os bebés nasçam bem, do ponto de vista técnico. A hipótese de Badajoz favorece as mulheres da região", considerou.
As mulheres portuguesas do interior "têm o direito a fazer os partos em condições idênticas às de Lisboa", realçou ainda o mesmo responsável, considerando indiferente se um bebé nasce em Elvas ou em Badajoz. "Se for filho de portugueses, a criança é portuguesa."
Com 12 médicos obstetras, as maternidades dos hospitais de Portalegre e Elvas registam anualmente cerca de 700 partos, uma média de 60 por mês. "Há uma despesa excessiva", argumentou Luís Ribeiro.
A decisão final, que depende da reorganização dos serviços hospitalares, é da competência do Ministério da Saúde, através da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo.

WB00789_.gif (161 bytes)