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Público - 14 Fev 03
Governo Anuncia Reformas Aos 58 Anos e Subsídios de Emprego Imediatos
Helena Pereira
Conselho de Ministros
Bagão Félix apresentou plano de apoio aos desempregados. Durão diz que não
há "soluções mágicas" e alerta para a continuação de deslocalizações
Mais facilidades no subsídio de desemprego e na reforma antecipada e novos
incentivos às empresas que contratem desempregados são algumas das medidas
aprovadas ontem em Conselho de Ministros, um dia depois do Presidente da
República ter alertado para o crescente desemprego e as responsabilidades do
Governo nesta matéria.
Segundo documento do ministério da Segurança Social e do Trabalho, as novas
medidas serão, em regra, apenas aplicáveis às situações jurídicas iniciadas
após a entrada em vigor dos diplomas, que ontem o ministro Bagão Félix disse
ser o primeiro dia de Março.
O denominado "programa de emprego e protecção social" é constituído por
medidas de protecção social como a reforma aos 58 anos, maior protecção aos
menores na dependência de desempregados, subsídios de desemprego imediatos e
redução do prazo de garantia para acesso ao subsídio de desemprego. Existem
ainda medidas de reforço de apoio à contratação de desempregados, muitas
pela extensão de diplomas já existentes e outros de expressão reduzida, como
apoios ao teletrabalho e trabalho domiciliário e à mobilidade geográfica.
Para beneficiar destas medidas, os beneficiários não podem ter dívidas
fiscais ou à segurança social. No caso de incumprimento, cessarão os
incentivos e deverão ser devolvidos os já recebidos. No caso de infracção
por parte das empresas, ficam privadas durante três anos de beneficiar de
qualquer incentivo fiscal.
Ontem, à saída da audiência com o Presidente da República, o
primeiro-ministro afirmou que a situação económica nacional e internacional
é "difícil", que "não há soluções mágicas" e que a deslocalização de
empresas "infelizmente vai continuar a acontecer".
Durão Barroso saudou ainda "vivamente" a intervenção de anteontem de
Sampaio, dizendo que os portugueses esperam do Presidente que "chame a
atenção para os problemas do país". Defendeu que "os empresários devem
respeitar escrupulosamente a lei e que o Governo não vai fugir a este
desafio", salientando o "programa de emergência" para combater o desemprego
aprovado ontem. O primeiro-ministro anunciou ainda a eliminação dos abonos
de família do escalão mais alto para aumentar o das famílias menos
favorecidas.
Ao início da tarde, no final da reunião do Conselho de Ministros, o ministro
da Presidência, Nuno Morais Sarmento, foi claro ao reafirmar que o Governo
procurará ter sempre boas relações com Jorge Sampaio independentemente das
circunstâncias.
"As relações entre o Presidente da República e o Governo não melhoram, nem
pioram. São boas e correctas e assentam no respeito do Governo pelas funções
do Presidente da República e do respeito do Presidente da República pelas
funções do Governo", disse, garantindo que "não serão nunca alteradas por
qualquer posição ou declaração" de Sampaio.
Nessa altura, Bagão Félix comentou: "Apesar de há muitos anos me dedicar às
questões da segurança social, teria muitas dificuldades em fazer um plano
entre as sete da tarde de ontem e as nove da manhã de hoje". E prometeu mais
medidas de protecção social no futuro. Bagão explicou ainda que tenciona
mudar a filosofia dos cursos de formação profissional existentes, pois
actualmente muitos deles só servem para "dissimular as estatísticas de
emprego e criar uma espécie de profissionais de cursos formação".
Um elemento do gabinete do ministro afirmou ao PÚBLICO que não é possível
calcular o montante que estas medidas representam, uma vez que isso
dependerá do número de futuros desempregados, dos seus rendimentos médios e
dos filhos que têm.
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