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Diário de Notícias - 14 Fev 03
Pacote social é bom, falta a economia
Francisco Azevedo e Silva
O brutal crescimento do desemprego em 2002 surpreendeu a maioria dos analistas,
inclusive os mais pessimistas. Basta recuarmos ao debate do OE de 2003 e
recordarmos que nenhuma força política situou a questão com a gravidade em que
ela veio a verificar-se, apesar de a discussão se ter centrado no confronto
entre o combate à crise económica e a dimensão do aperto orçamental, para acerto
das finanças públicas.
A constatação, esta semana, de que o desemprego aumentou em quase 50% motivou as
mais variadas reacções, desde o Governo, anunciando um programa de combate para
Março, ao Presidente, a sindicatos e empresários. Ontem, em Conselho de
Ministros foi aprovado um programa de emprego e protecção social. Parte
significativa desses custos estão já inscritos no OE, por ter sido prevista a
retracção no mercado de trabalho, embora com amplitude menor do que a
verificada.
As medidas anunciadas pelo Governo são essencialmente de protecção social _
reforma sem penalizações aos 58 anos; pagamento imediato de um subsídio de
desemprego provisório; diminuição do prazo mínimo para obtenção do subsídio de
desemprego; e aumento do abono de família para agregados com desempregados. O
novo pacote tem ainda algumas medidas para a reintegração no mercado de
trabalho, alargando incentivos à criação de empregos, com um programa de
emprego-formação e com um regime de apoio financeiro à contratação de
trabalhadores com mais de 45 anos.
A importância daquelas medidas é indiscutível, mas serão insuficientes num
período de crise prolongado. São necessárias políticas activas do lado da
Economia que flexibilizem o tecido empresarial e permitam a criação de novos
empregos. Uma parte substancial do novo desemprego são trabalhadores com
habilitações _ há cerca de 30 mil licenciados _ e de jovens com uma formação
média superior à do desemprego tradicional. A recessão é já uma ameaça.

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