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Público - 13 Fev 03
Alta-Autoridade Quer Evitar Imagens Explícitas Desnecessárias
Quando estiverem em causa crimes sexuais, a informação televisiva "deve
evitar imagens, sons ou descrições demasiado chocantes", alerta uma
directiva ontem aprovada unanimemente pela Alta Autoridade para a
Comunicação Social (AACS).
O organismo regulador tomou a decisão depois de verificar que o "maior
desassombro" com que a TV hoje aborda temas "delicados que até há pouco
não eram objecto de tratamento tão pormenorizado" tem
também provocado "reacções desfavoráveis por parte da
opinião pública".
"Ainda que a informação relevante não deva, nesta matéria, ser escondida ou
cerceada, deverão ser evitadas imagens, sons e descrições que, atentando
contra a dignidade da pessoa humana, sejam desnecessários ou escusados do
ponto de vista estritamente jornalístico, isto é, não acrescentam por si
mesmos informação nova e útil indispensável", diz o documento da Alta
Autoridade. Pretende-se assim evitar a exibição de fotografias
pornográficas de menores e relatos demasiado "gráficos"
que têm povoado a informação de TV sobre pedofilia.
Aliás, o órgão regulador lembra que no que respeita a "ilícitos sexuais
envolvendo menores, a atenção [..] deve ser particularmente cuidadosa",
para "evitar prejudicar a formação da personalidade de crianças e
adolescentes".
Por outro lado, a directiva lembra que as pessoas "indiciadas pela prática
de crimes sexuais devem ser referidas de acordo com o seu estatuto de
suspeitos, arguidos ou acusados, evitando-se criar na opinião pública uma
errada crença na legitimidade dos chamados 'julgamentos mediáticos',
inaceitáveis num Estado de direito". E.V

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