O inquérito a professores foi feito a 1100 pessoas,
um "universo", como se diz na linguagem das
sondagens, que torna as conclusões credíveis. O
inquérito foi organizado por uma entidade ligada à
Federação Nacional dos Sindicatos da Educação que
não deve regozijar-se com as conclusões, logo dando
ainda maior credibilidade. E o que diz o inquérito?
Que 75% mudavam de profissão se pudessem. Que 81%,
se pudessem, pediam a aposentação. Que 26% voltariam
a escolher a profissão de professores. Do inquérito
- uma das mais dramáticas sondagens que já li sobre
meu país - eu gostaria muito de acreditar, apesar
dos considerandos, que ele é falso. Que três em
quatro professores o sejam porque não se podem safar
disso, é dramático. Que mais de quatro em cinco
professores partiria já para a reforma, é dramático
(considerando, o que não me parece abuso, que 81%
dos professores não estão na véspera do seu 65.º
aniversário). Não sei se é culpa do país, não sei se
é culpa dos professores. Sei é que são conclusões
desesperantes. E, já que estamos no fim da linha, só
me apetece dizer: olá, 26% dos professores! Só vocês
me interessam.