Público - 14 Dez 04

Portugal Não Promove o aleitamento materno
Por SWDFWDS

Cerca de 90 por cento das mulheres portuguesas amamentam os filhos desde a nascença, mas apenas um terço o faz até aos seis meses, revela uma investigação europeia, segundo a qual Portugal não promove o leite materno.

Os dados constam de um estudo sobre "Promover o Aleitamento na Europa", divulgado em Bruxelas, realizado por um grupo de especialistas a pedido da Comissão Europeia e que faz uma radiografia sobre a situação em 29 países, incluindo a Islândia, Noruega, Suíça, Bulgária e Roménia.

As mães portuguesas estão dentro da média no que respeita a amamentar logo após o parto, num cenário heterogéneo onde praticamente 100 por cento das mulheres norueguesas, dinamarquesas, letãs e suecas amamentam os filhos e apenas 38 por cento das mães irlandesas o fazem.

A média portuguesa desce, no entanto, para os 34 por cento entre as mulheres que prosseguem a alimentação do bebé com leite materno até aos seis meses, uma percentagem das mais baixas entre os 29 países estudados e apenas superior à da Lituânia, Grã-Bretanha e Bélgica. Já entre 70 e 80 por cento das nórdicas prosseguem o aleitamento no primeiro semestre de vida da criança.

No estudo, Portugal é apontado como um dos onze países que não possuem políticas nacionais sobre a amamentação, incluindo incentivos para a utilização do leite materno até aos seis meses e a divulgação das boas regras para o fazer. Segundo as respostas enviadas aos peritos, as autoridades portuguesas referem, no entanto, ter um plano nacional sobre a amamentação, em especial para os grupos desfavorecidos, como as adolescentes, famílias pobres e imigrantes, e pôr em prática recomendações.

Um dos incentivos para a amamentação, segundo o estudo, é a existência de hospitais específicos para crianças, mas Portugal é apontado como um dos países sem qualquer unidade de saúde exclusivamente dedicada à infância, num universo de 60 hospitais com maternidade.

O documento destaca ainda as vantagens "nutritivas e imunológicas" da amamentação, afirmando mesmo que os bebés que não foram alimentados com leite materno "têm um maior risco de serem hospitalizados durante o primeiro ano de vida, na sequência de graves doenças bacterianas". Isto devido às propriedades anti-infecciosas do leite humano, que protegem contra diversas doenças. As crianças que não mamam, de acordo com o documento, apresentam, ao longo da vida, uma maior percentagem de alergias e doenças crónicas, uma vez que o leite materno tem "profundos efeitos" no desenvolvimento do sistema imunitário.

A investigação salienta ainda as vantagens da amamentação para a mãe, protegendo-a de certos tipos de cancro da mama e ovários e diminuindo os riscos de osteoporose. Além disso, perdem mais depressa o peso adquirido durante a gravidez e é mais difícil padecerem de anemia, hipertensão e depressão pós-parto.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ideal seria que, durante os primeiros seis meses, a amamentação fosse a única forma de alimento das crianças e que esta continuasse até aos dois anos de idade. Lusa

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