Portugal Diário - 13 Dez 04

Portugal não promove leite materno
Mas apenas um terço das portuguesas amamentam até aos seis meses

Cerca de 90 por cento das mulheres portuguesas amamentam os filhos desde a nascença, mas apenas um terço o faz até aos seis meses, revela uma investigação europeia, segundo a qual Portugal não promove o leite materno.

Os dados constam de um estudo sobre «Promover o Aleitamento na Europa», divulgado em Bruxelas, realizado por um grupo de especialistas a pedido da Comissão Europeia e que faz uma radiografia sobre a situação em 29 países, incluindo a União Europeia, Islândia, Noruega, Suíça, Bulgária e Roménia.

As mães portuguesas estão dentro da média no que respeita a amamentar logo após o parto, num cenário heterogéneo onde praticamente 100 por cento das mulheres norueguesas, dinamarquesas, letãs e suecas amamentam os filhos e apenas 38 por cento das mães irlandesas o fazem.

A média portuguesa desce, no entanto, para os 34 por cento entre as mulheres que prosseguem a alimentação do bebé com leite materno até aos seis meses, uma percentagem das mais baixas entre os 29 países estudados e apenas superior à da Lituânia, Grã-Bretanha e Bélgica.

Já entre 70 e 80 por cento das nórdicas prosseguem o aleitamento no primeiro semestre de vida da criança.

No estudo, Portugal é apontado como um dos onze países que não possui políticas nacionais sobre a amamentação, incluindo incentivos para a utilização do leite materno até aos seis meses e a divulgação das boas regras para o fazer.

Segundo as respostas enviadas aos peritos, as autoridades portuguesas referem no entanto terem um plano nacional sobre a amamentação, em especial para os grupos desfavorecidos como as adolescentes, famílias pobres e imigrantes, e porem em práticas recomendações.

Um dos incentivos para a amamentação, segundo o estudo, é a existência de hospitais específicos para crianças, mas Portugal é apontado como um dos países sem qualquer unidade de saúde exclusivamente dedicada à infância, num universo de 60 hospitais com maternidade.

O documento destaca ainda as vantagens «nutritivas e imunológicas» da amamentação, afirmando mesmo que os bebés que não foram alimentados com leite materno «têm um maior risco de serem hospitalizados durante o primeiro ano de vida, na sequência de graves doenças bacterianas». Isto devido às propriedades anti-infecciosas do leite humano, que protegem contra diversas doenças.

As crianças que não mamam, de acordo com o documento, apresentam, ao longo da vida, uma maior percentagem de alergias e doenças crónicas, uma vez que o leite materno tem «profundos efeitos» no desenvolvimento do sistema imunitário.

A investigação salienta ainda as vantagens da amamentação para a mãe, protegendo-a de certos tipos de cancro da mama e ovários e diminuindo os riscos de osteoporose. Além disso, perdem mais depressa o peso adquirido durante a gravidez e é mais difícil padecerem de anemia, hipertensão e depressão pós-parto.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ideal seria que, durante os primeiros seis meses de vida, a amamentação fosse a única forma de alimento das crianças e que esta continuasse até aos dois anos de idade, em complemento de outros alimentos.

O estudo analisa ainda a parte económica desta opção, calculando que, com o leite materno, as famílias podem economizar, anualmente, cerca de 600 euros em gastos de alimentação do bebé.

Sobre os métodos de nascimento, os especialistas constatam que, na maioria dos países, os partos ocorrem nos hospitais, à excepção a Holanda, onde 35 por cento acontece em casa.

Na maioria dos países, são os obstetras e os pediatras que tomam as decisões que podem influenciar a continuação da alimentação materna.

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