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Público - 3 Dez 03
A Estatística: Portugueses Divorciaram-se Menos no Primeiro Semestre
Deste Ano
Por ALEXANDRA CAMPOS
O número de divórcios em Portugal parece ter regressado ao normal, depois
do excepcional acréscimo verificado em 2002 . Pelo menos é neste sentido
que apontam os indicadores demográficos ontem divulgados pelo Instituto
Nacional de Estatística (INE): nos primeiros seis meses deste ano, houve
11.828 rupturas conjugais, o que representa um decréscimo da ordem dos
30,9 por cento relativamente a igual período do ano passado.
Apesar de os dados serem provisórios e poderem vir a sofrer um pequeno
aumento, esta quebra acentuada indicia que o fenómeno da divorcialidade
estará a regressar ao "normal", depois de um ano em que registou um
crescimento inusitado, explicou ao PÚBLICO um especialista do INE. Em
2002, recorde-se, o número de divórcios ascendeu a 27 708, mais 46 por
cento do que em 2001, o que colocou o país ao nível de do Reino Unido e da
França, por exemplo, onde a média é de dois casamentos para um divórcio.
O "salto" inesperado ocorrido no ano passado ter-se-á ficado a dever em
grande parte às últimas alterações legislativas que facilitaram
sobremaneira as rupturas conjugais. Por exemplo, deixou de ser necessário
a um casal aguardar três anos para divorciar-se, podendo actualmente
fazê-lo logo após o casamento, se assim o entender.
De qualquer forma, os indicadores demográficos ontem divulgados pelo INE
revelam que o número de casamentos continua a diminuir, uma tendência que
se tem mantido constante nos últimos anos. Entre Janeiro e Setembro deste
ano, celebraram-se 42.681 casamentos, menos 6,7 por cento do que no mesmo
período de 2002. Aparentemente, e se os números continuarem a evoluir
neste sentido, este ano voltar-se-á à média de três casamentos para um
divórcio que se verificava desde há já algum tempo em Portugal.
Os últimos dados do INE revelam ainda que, nos primeiros nove meses deste
ano, o número de nascimentos (84.005), apesar de um ligeiro decréscimo
relativamente a 2002, continuou a suplantar o total de óbitos (79.485),
mas o saldo natural acabou por situar-se a um nível um pouco inferior ao
verificado em idêntico período do ano passado. O saldo natural registou
valores positivos no Norte, em Lisboa e nas regiões autónomas e negativos
no Centro, Alentejo e Algarve. Em contrapartida, no final do terceiro
trimestre deste ano, a população estrangeira com estatuto de residente
ascendia a 247.085 indivíduos, mais três por cento do que 2002. |