Despesas O mês em que uma jornalista testou as principais
teorias de poupança Raquel de Almeida Correia
Em Março, segui as principais recomendações de
especialistas para poupar dinheiro e descobri que,
afinal, estava a gastar mais do que devia. No final
da experiência, após vários embaraços e alguma
persistência, ganhei quase 257 euros. O suficiente
para fazer a diferença ao fim de um ano
Março foi um mês diferente. Sentia-me cansada de
estar fechada no jornal a escrever sobre a crise e
decidi propor "um trabalho experimental sobre
poupança", disse ao editor. E assim foi. Durante 31
dias, cumpri à risca as principais regras
recomendadas por associações de consumidores e
especialistas em finanças pessoais. Eliminei gastos
desnecessários, como a utilização diária do carro ou
as frequentes idas a restaurantes. Comprei lâmpadas
economizadoras, plantei salsa e orégão em casa,
renegociei o seguro automóvel, converti-me ao SMS e
até comecei a passar o dobro do tempo no
supermercado a comparar preços.
Cheguei ao final da experiência com mais 257 euros
na carteira, apesar de alguns embaraços, dores de
aprendizagem e perdas de tempo. Agora, apesar de ser
difícil pensar em novas economias, pretendo
continuar a poupar a este ritmo. Metade do dinheiro
que acumular ao final de um ano vai para o meu novo
"Fundo para a Protecção da Mente" e o resto para
gozar a vida, que bem preciso.
Em média, as minhas despesas mensais rondavam os
1192 euros. Fazer este cálculo, um dos mandamentos
de todos os guias de poupança, foi uma das
experiências mais dolorosas por que passei nos
últimos tempos. Já por várias vezes tinha sido
alertada por Natália Nunes, que todos os dias lida
com casos de sobreendividamento na DECO, para o
facto de "grande parte dos portugueses não fazer
ideia de quanto dinheiro gasta por mês". Só nunca
pensei que me incluísse nessa amálgama.
Tinha uma ideia, quase nítida, das minhas despesas
fixas: renda, alimentação, combustível, gás, água,
electricidade. Mas já há muito tempo tinha perdido o
controlo às contas de telemóvel, ao desperdício em
compras de ocasião e a outros pequenos "luxos", como
deixar a lavagem do automóvel ou o tratamento da
roupa em mãos alheias. Consumos que, num mês normal,
chegavam a representar 45 por cento dos meus gastos
totais, ou seja, 420 euros.
Para alguns, este montante parecerá exagero e, para
outros, apenas trocos. Pois, para mim, constitui um
verdadeiro problema. É que, afinal, também eu andava
a gastar acima das minhas possibilidades. O
orçamento de 1192 euros ultrapassava o meu
vencimento, o que significa que, mês a mês, ia
roubando umas migalhas às minhas poupanças. Ao fim
de um ano, ter-lhes-ia suprimido quase 370 euros.
Nem queria acreditar. E foi aí, mais ou menos às
12h00 de dia 1 de Março, que este trabalho começou a
fazer ainda mais sentido.
Eliminar futilidades,
reduzir necessidades
Mandam os especialistas que, uma vez definidas as
despesas mensais, se comece a limpeza. E assim fiz.
Seleccionei os alvos a abater: idas ao restaurante,
compras por impulso, cafés e doces de circunstância,
aquelas peças de vestuário que tão depressa passam
de imprescindíveis a bibelôs de roupeiro e qualquer
outro tipo de desperdício de dinheiro.
Depois, vieram os gastos fixos: precisava de reduzir
o consumo de água, de gás e de electricidade e,
sobretudo, de combustível. E, por fim, uma mudança
de estilo de vida: substituir o carro pelo comboio,
passar a trazer almoço de casa para o trabalho e
investir em hábitos mais económicos. Em menos de um
dia, o plano estava traçado. E não faltaram fontes
de inspiração.
Nos dias que correm, chega a haver excesso de
informação sobre poupança, sobretudo da Internet.
Comecei a pesquisa por "sites" de referência, como o
da DECO (www.deco.proteste.pt) ou o Kash (www.kash.pt),
que disponibiliza dicas e ferramentas úteis para
aprender a economizar, e acabei por me perder pelas
infindáveis páginas pessoais de meros curiosos, que,
com os relatos das suas experiências mundanas, quase
podem ser consideradas de serviço público.
Além disso, desde o início do ano que temos
assistido à publicação em catadupa de livros sobre o
tema, que acabam por dar uma ajuda à "ausência de
educação financeira" que caracteriza os portugueses,
diz Natália Nunes. "Somos um povo que é muito
seduzido pela sociedade de consumo, mas que é muito
pouco informado.
Dois factores que, juntos, só podem trazer graves
consequências", refere a especialista da DECO, que
viu o número de pedidos de ajuda de sobreendividados
duplicar em comparação com o mesmo período de 2008.
Tempo é dinheiro,
mas recupera-se melhor
Mas voltemos ao meu orçamento. Se havia onde cortar,
era na alimentação. Não tanto nos gastos com
compras, mas antes na opção restaurante. Confesso
que, no que diz respeito a desperdício, o meu
comportamento tinha um fio condutor claríssimo:
tempo é dinheiro. Estava disposta a pagar mais,
desde que isso me libertasse de aborrecidas tarefas
devoradoras de minutos de liberdade. Confesso. Sou
uma fã da conveniência. E as refeições não fugiam à
regra.
Almoçava no restaurante mais próximo, encomendava o
jantar e eram poucas as vezes em que resistia a
comprar o lanche ao "Sr. dos Bolos" - forma
carinhosa como tratamos a pessoa que diabolicamente
faz circular um carrinho cheio de pecados de
estômago e de carteira pelos corredores do jornal
todos os dias. Conclusão: chegava ao final do mês e
tinha gasto quase 200 euros nesta brincadeira (105
euros com almoços, 75 euros com jantares e 18 euros
com lanches).
De todos os hábitos, este foi o que levou a maior
machadada. Durante os 31 longos dias de Março,
concedi-me apenas seis dias de restaurante (cinco
para almoçar e um para jantar) e cinco incursões
sobre o carrinho dos bolos. Feitas as contas, as
minhas despesas passaram de 198 para apenas 43
euros. Uma poupança de 155 euros. Inacreditável.
No entanto, para lá chegar, tive de abdicar dos tão
preciosos minutos de liberdade porque passei a
trazer o almoço e o lanche de casa. Na maioria das
vezes, consegui trazer comida que sobrava do jantar
do dia anterior (bastava cozinhar a mais) ou contei
com a ajuda dos que, por morarem ou conviverem
comigo, acabaram por solidariamente se envolver
neste projecto. Mas também houve dias em que tive de
cozinhar especialmente para o almoço do dia
seguinte.
Além disso, a redução de gastos com alimentação
acabou por levar a um aumento dos gastos com...
alimentação. É que, ao abdicar de comer fora, tive
de abastecer a despensa como nunca antes. E,
portanto, o meu orçamento sofreu aquilo a que se
chama de "transferência de consumo". Daí que as
minhas despesas mensais com compras no supermercado
tenham crescido 11 por cento para os 167 euros. Uma
subida que, ainda assim, consegui controlar graças
aos conselhos dos especialistas no que diz respeito
a poupanças de prateleira.
Supermercado: comprar mais por menos
"Não faça compras sob 'stress', com pouco tempo ou
sem nada no estômago. Faça sempre uma lista do que
quer comprar. Compare os preços e esteja atento às
promoções". Dicas não faltam para quem quiser poupar
no supermercado. Depois de as adaptar ao meu perfil
(preferência pela proximidade das lojas, pouquíssima
paciência para tudo o que signifique estar
enclausurada entre quatro paredes e especial
apetência para experimentar tudo o que são novos
produtos no mercado), dei início ao meu périplo como
consumidora consciente.
E, de novo, o tempo. Fazer uma lista de compras
demora, em média, cinco minutos, até que se comece a
ganhar o jeito. Consultar os folhetos promocionais e
seleccionar os produtos que entram no carrinho
obriga-me a pausa igual antes de atacar as
prateleiras. E toda a experiência de comprar barato,
com comparação de preços, pesos e prazos de validade
leva uma eternidade. A consciência custou-me, pelo
menos, o dobro do tempo da inconsciência que até
aqui praticava. Porém, permitiu-me levar muito mais
produtos para casa.
Alguns exemplos. Em vez de
500 gramas de abacaxi previamente descascado e
cortado por 3,20 euros passei a comprar abacaxi à
moda antiga, a 1,75 euros por quilograma. Deixei de
comprar fiambre embalado e passei a tirar a senha e
a escolher fiambre ao balcão. Só com isso, poupo
cerca de 0,20 euros por cada 200 gramas. E comecei a
pensar duas vezes antes de comprar marca própria
(produtos comercializados pela grande distribuição).
É que, ao contrário do que se pensa, nem todos os
artigos são mais baratos. Se há coisa praticamente
certa são as promoções, sobretudo nos perecíveis
(ovos, leite ou iogurtes). Mas já há grandes
superfícies a controlar as compras dos clientes.
Numa das minhas muitas viagens, lia-se num letreiro
a letras garrafais "Por causa da promoção ao azeite
X [que custa 1,90 euros por litro], o produto tem
tido muita procura. Por isso, só é permitido levar
12 unidades por cliente".
De pequenas poupanças
a grandes economias
Ao longo deste projecto de poupança, a maior mudança
deu-se não tanto na forma como passei a comprar, mas
no que deixei simplesmente de comprar. No
apartamento onde vivo não consigo ter uma horta, mas
arranjei espaço para "as minhas meninas". "As minhas
meninas" são, simplesmente, duas plantas
corriqueiras (salsa e orégão) que aprendi a
cultivar, com a ajuda do "site" A Super Semente (http://isla.com.br).
Comprei as sementes por 2,38 euros e plantei-as,
como mandam as regras da economia, na base de uma
garrafa de água vazia.
Ao fim de um mês, não só ainda não tinham morrido,
como já apresentavam um ar de quem fará as delícias
de um qualquer prato. Se continuasse a comprar estes
dois temperos, que uso numa base quase diária,
continuaria a pagar, em média, 0,75 cêntimos por
cada oito gramas de orégãos e por cada 50 gramas de
salsa.
O cultivo em casa é um medida de contenção género
funil, cujo impacto não se sente no imediato. Outras
há, porém, com um efeito colisão, que nos levantam
do chão e nos obrigam a admitir que somos, de facto,
pouco ajuizados. Foi isto que aprendi ao calcular
(e, agora, ao admitir publicamente) o que gasto,
todos os meses, com as deslocações de carro.
Note-se que, quando comprei viatura própria, tive em
atenção a economia futura. Tenho um Smart de dois
lugares, conhecido por ter consumos baixos e, acima
de tudo, por caber em praticamente qualquer lugar
(dos que não têm parquímetro). E, mesmo assim,
despendia, em média, 214 euros com deslocações,
maioritariamente no percurso casa-trabalho.
Moro em São João do Estoril, freguesia do concelho
de Cascais, a cerca de 27 quilómetros do jornal, por
sua vez, instalado em pleno centro de Lisboa. Por
cada viagem, pagava 1,25 de portagem e gastava dois
litros de gasolina, que equivaliam a 2,37 euros.
Fora o desgaste do carro.
Comboio e vista sobre
o Atlântico
A seguir aos restaurantes, foi neste item que mais
dinheiro poupei. Em Março, mudei de vida. Agora,
tenho passe. Saio de casa três minutos antes de o
comboio partir, leio um livro nos 50 minutos de
viagem ao largo do Atlântico e, depois, do Tejo e
encolho-me nos restantes 20 minutos que o
metropolitano de Lisboa leva a trazer-me ao
trabalho. Troquei 30 minutos de Smart (que tinham
tanto de conforto, quanto de atentado à sanidade
mental) por 1h10 de transportes públicos. Em vez de
132 por mês, passei a gastar 50 euros (preço do
passe) para fazer este percurso. Acho que não é
preciso dizer mais nada.
Deixei de levar o carro para ir às compras
(convenhamos que o supermercado mais próximo fica a
300 metros). Usei o comboio para me deslocar a
Coimbra e, em vez de 55 euros em combustível e
portagens, gastei 30 euros na turística do
Intercidades da CP (o Alfa Pendular custaria mais
dez euros e chegaria apenas oito minutos mais cedo).
Dei finalmente uso aos sete euros que pago por mês
para ser sócia do ACP e passei a ter um desconto de
0,04 euros por litro de gasolina na Repsol. (E estou
à espera há mais de um mês que me enviem o novo
cartão com descontos de 0,06 euros).
Comecei a consultar "sites" que controlam os preços
praticados pelos postos de abastecimento, como o
www.precoscombustiveis.dgge.pt, da Direcção-Geral de
Energia e Geologia, ou o www.maisgasolina.com. Disse
adeus às portagens e passei a usar as vias
alternativas, que, além da poupança imediata, me
obrigam a moderar a velocidade. E deixei de conduzir
de vidros abertos, de fazer ultrapassagens
desnecessárias e de abastecer à noite para evitar a
vaporização do combustível.
Ainda quanto ao ACP, clube de que faço parte desde
que comprei carro porque a inscrição me permitiu uma
poupança de 500 euros na compra, aproveitei para
renegociar o seguro automóvel. O valor da minha
apólice já é baixo, tendo em conta os preços
praticados, mas, depois de uma única chamada, que
durou pouco mais de dez minutos, percebi que consigo
baixá-lo em mais de 25 euros, mantendo as mesmas
coberturas. Alteração que só poderei fazer em
Agosto, mês em que efectuarei o pagamento do seguro,
porque, por lei, se procedesse agora à
transferência, perderia o montante que já está pago.
Arrendar bom e barato
ou renegociar o "spread"
Quem ler este texto e chegar até a este ponto
certamente se interrogará: "E o crédito à habitação?
Não é suposto começarmos, finalmente, a gastar menos
dinheiro?". Pois bem. Eu vivo em casa arrendada.
Escolhi este regime por duas razões: dá-me
mobilidade e permite-me morar numa casa que ficaria
demasiado caro comprar.
O t2 onde vivo, com vista para o mar, segurança 24
horas por dia e piscina colectiva, está avaliado em
cerca de 225 mil euros. Uma simples simulação no
"site" de um banco serviu para perceber que a
prestação ficaria muito mais elevada do que a renda
que pago (600 euros). Além disso, não tenho encargos
com a manutenção do imóvel, nem com impostos. E sou
livre, de um certo modo.
No entanto, esta não é a opção da maioria dos
portugueses, que, em 2009, vão poder tirar partido
da renegociação do crédito à habitação graças à
descida das taxas de juro. A última revisão do Banco
Central Europeu colocou a taxa de juro de referência
na Europa a 1,25 por cento, o que tem uma influência
directa nas despesas da família com empréstimos
bancários.
Há cerca de um ano, quando as taxas estavam muito
mais elevadas (o que facilita a negociação), um
amigo meu decidiu que estava na altura de baixar o
spread (margem de lucro das instituições
financeiras) do seu empréstimo. Acabou por ser bem
sucedido, mas precisou de alguma insistência, de
cerca de mês e meio para chegar ao fim do processo,
e tem a noção que a redução, de 0,7 para 0,5, só
aconteceu porque tinha uma oferta concorrente. Pode
parecer pouco, mas a redução do spread é a melhor
forma de reduzir o pagamento (seguido pela
renegociação do seguro de vida), já outras medidas,
como o alargamento do período de pagamento aumentam
sempre a despesa total. O certo é que, embora saiba
que poupou (0,2 pontos percentuais vezes 240 meses,
com um empréstimo, na altura, de 115 mil euros),
esse meu amigo não sabe dizer quanto é que deixou de
pagar.
Além da casa, há outras despesas que todos
partilhamos: água, gás e electricidade. E também
neste ponto há margem para melhorias. No meu caso,
estes gastos situavam-se, em média, nos 53 euros
mensais, mas isso era antes de começar o mês de
Março. Em pouco tempo, aprendi uma série de regras
que me permitiram reduzir essas contas em dez euros,
o que, ao final de um ano, significa uma poupança de
120 euros.
No que diz respeito à electricidade (o item com
maior peso nestas despesas), fui obrigada a fazer
alguns investimentos, nomeadamente na compra de
lâmpadas economizadoras (69,90 euros), capazes de
diminuir a factura em 20 por cento, e no isolamento
das janelas, por entre as quais perdia muito do
calor acumulado com aquecimento. Gastos que vão
acabar por compensar, a longo prazo.
A mudança de hábitos que incomodou os vizinhos
O primeiro passo foi ligar para a EDP e, 15 minutos
depois das devidas explicações, passei a ser
detentora de uma tarifa bi-horária. No entanto, não
poderia ter escolhido pior. É que, com a vida que
levo, não consigo ter horários para gastar energia e
acabei por ganhar inimigos no prédio, graças às
lavagens de roupa nocturnas.
No final, perdi dinheiro com esta opção porque
poucas eram as tarefas que executava entre a
meia-noite e as 07h00 (o horário escolhido) e aos
fins-de-semana. Logo, não poupei na facturação dos
quilowatts e gastei mais 2,50 euros com encargos
pela potência contratada.
Houve, ainda assim, algumas tácticas que
contribuíram para a diminuição da minha factura em
quatro euros. Passei a desligar todos os
electrodomésticos na tomada, ao contrário do que
acontecia até aqui, principalmente, com a televisão
do quarto. E passei a tratar o frigorífico com mais
carinho, evitando a abertura escusada de portas e
deixando a comida arrefecer para não o obrigar a
gastar demasiada energia.
Os gastos com gás também levaram um corte razoável,
passando de 20 para 17 euros. Tudo porque deixei de
me esquecer de desligar a chama-piloto do
esquentador, a cozinhar com tampa para eliminar o
desperdício de calor e porque adoptei, como medida
de força e contra tão queridos hábitos de infância,
as temperaturas baixas. É que cerca de 15 por cento
da energia de uma casa com esquentador vai para
aquecer a água.
E, por falar em água, até me posso gabar de ser uma
cidadã minimamente preocupada. Só recorro à máquina
de lavar roupa quando atinjo o patamar da carga
máxima, gasto apenas o necessário para fazer chá,
utilizando a caneca para medir a quantidade de água
e sou a pior inimiga de torneiras a pingar. No
entanto, quando este projecto começou, tive de
abdicar de um bem que tinha como precioso: os
desperdícios no duche.
Os especialistas proíbem que se deixe a água a
correr entre lavagens, argumentando que um chuveiro
pode gastar entre seis e 25 litros de água por
minuto. Não tive outra hipótese que não habituar-me
aos inesquecíveis segundos ao frio. Mas, enfim,
posso dizer que a racionalização da utilização de
água compensou: num mês, a factura passou de oito
para cinco euros, o que, no final de um ano, dá uma
poupança de 36 euros. Sem falar dos ganhos
ecológicos.
O que fazer com as minhas
poupanças?
Depois desta experiência, há vários pequenos hábitos
que vão ficar: fazer menos chamadas de telemóvel e
utilizar mais o SMS (porque consegui um tarifário
com mensagens escritas a custo zero para a minha
rede), ir ao cinema à segunda-feira e deixar de
gastar 36 euros em tabaco todos os meses, agora que
sou, a algum custo, ex-fumadora. Mas há também
pequenos luxos de que não vou abdicar. Não tenho
paciência para passar roupa, nem me dou bem nas
estações de lavagem de carros.
Ainda assim, aprendi que a poupança é possível, ao
contrário do que preconizam muitas pessoas. O modelo
"chapa ganha, chapa gasta" parece-me, agora,
longínquo, apesar de os meus hábitos ainda recentes
não jogarem muito a meu favor. Bastaram 31 dias para
perceber que, num mês, consigo poupar o suficiente
para passar um fim-de-semana em Roma e que, num ano,
posso pagar as propinas do mestrado que tenho vindo
a adiar.
Dos quase 3100 euros que vou conseguir pôr de lado
em 12 meses, sem contar com subsídios de Natal e de
férias, metade será automaticamente conduzida para
uma conta poupança criada para dar vida ao "Fundo de
Protecção da Mente". Uma espécie de mealheiro
virtual onde vou passar a guardar dinheiro para
investir em formação. Com o resto, farei o que bem
entender. Porque isto de perder tempo a poupar tem
um custo, nem que seja psicológico. E nada melhor do
que uma viagem ou do que um SPA para o reaver.