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Diário de Notícias - 8 Abr 03
Um ano depois
Francisco Sarsfield Cabral
Algumas mudanças na sisa e na contribuição autárquica marcaram o primeiro
aniversário do Governo. A não-reforma da tributação do património foi um dos
exemplos mais caricatos da inépcia do anterior Executivo para mudar. O que dá a
estas alterações, por modestas que sejam, algum valor simbólico. Mas não chegam
para provar a vontade reformadora do Governo.
Eram baixas as expectativas dos Portugueses quando o Executivo de Durão Barroso
iniciou funções, há um ano. Depois, o primeiro-ministro revelou uma inesperada
capacidade política. Empenhou-se na redução do défice orçamental, revelando
firmeza. Durão Barroso apontou como grande objectivo as reformas,ainda que
impopulares. O Governo ganhou credibilidade. Entretanto, algo se avançou,
sobretudo na Segurança Social, nas leis do trabalho e na Saúde. Mas há
hesitações e recuos que inquietam. Por exemplo, o congelamento do preço do
gasóleo, ao arrepio do que justamente se criticou a Guterres. Ou o papel que a
Associação Nacional de Farmácias mantém no financiamento às suas associadas em
matéria de dívidas do Estado.
Os próximos meses dirão se o ânimo reformador se mantém vivo ou se, pelo
contrário, o Governo começa a pensar nas eleições, desmentindo o
primeiro-ministro. Para além de ser a única boa saída para o País, a primeira
alternativa corresponde, também, à vontade dos Portugueses, quando mostraram
estar fartos do imobilismo socialista anterior. As reformas são a razão de ser
deste Governo _ desde logo na Administração Pública. Aliás, sem elas não será
possível reduzir despesa pública corrente. Por muito que se venda património do
Estado, o problema do défice das contas públicas apenas se resolve com reformas.
É a hora da verdade.

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