Recolhido de http://www.diariomedico.com em 23 de Setembro de 2002  

 

Confirmados os riscos da terapêutica hormonal de substituição na menopausa

 

Uma revisão de diferentes estudos sobre os riscos e benefícios da terapêutica hormonal de substituição que se publica no "The Lancet" reafirma os dados que sugerem que dito tratamento se associa a um aumento do risco de trombose.

O uso da terapêutica hormonal intensificou-se nos países ocidentais há mais de uma década. Neste período de tempo estima-se que mais de 20 milhões de mulheres se submeteram a este tratamento hormonal. Um terço das mulheres britânicas com mais de 50 anos fazem tratamentos com mais de cinco anos de duração e, nos restantes países europeus a proporção é semelhante.

O impacto que este tratamento tem na saúde foi amplamente debatido. Tinha sido sugerido que poderia incrementar alguns tipos de cancro, sobretudo o da mama, em simultâneo com um putativo efeito protector na osteoporose e na doença cardiovascular.

A professora Valerie Beral, da Unidade de Epidemiologia do Instituto de Investigação do Cancro, em Oxford, analisou e avaliou os dados do tratamento hormonal de substituição em sete situações diferentes, em quatro estudos sujeitos a aleatorização (“randomizados”): um estudo só com estrogéneos e os outros com tratamento combinado de estrogéneos e progestagéneos, o que permite uma análise dos efeitos do tratamento a longo prazo.


Os quatro estudos
A avaliação dos quatro estudos, que incluíam um total de 20.000 mulheres controladas durante mais de cinco anos, mostrou que as mulheres sob tratamento hormonal apresentavam um aumento do risco relativo de cancro da mama, embolismo pulmonar e acidente vascular cerebral, quando se comparavam com as mulheres do grupo placebo.

No entanto viu-se que a terapêutica hormonal de substituição tinha um efeito protector face ao cancro do cólon e à fractura da anca. Não existiam diferenças significativas no risco de cancro do endométrio ou doença coronária, e não se dispunha de dados necessários para avaliar a relação entre a terapêutica hormonal e o risco de doenças raras como o cancro do ovário. Estima-se que nas mulheres saudáveis com mais de 50 anos, o tratamento hormonal poderá ser a causa de aparecimento de cancro da mama, trombose cerebral ou embolismo pulmonar em 6 de cada 1.000 mulheres, mas reduz a incidência de cancro do cólon e de fractura da anca em 1,7 de cada 1.000. Para as mulheres maiores de 60 anos o risco eleva-se para 6,5 por cada 1.000. Tendo em conta estes dados, a professora Beral sugere que cada mulher deve avaliar os benefícios e os riscos do tratamento.
(Lancet 2002; 360: 942-942).

Estudos interrompidos
Nas duas primeiras semanas do passado mês de Julho, "The Journal of the American Medical Association" publicou vários estudos que questionavam a eficácia da terapêutica hormonal de substituição em mulheres pos-menopáusicas (JAMA 2002; 288: 49-57/58-66 e JAMA 2002; 288: 99-100). De facto o estudo WIH (Women´s Health Study), foi suspenso em Maio passado depois de um período de seguimento de 5,2 anos. Os dados deste trabalho indicam que a taxa de mulheres que sofreram algum evento coronário aumentou em 29 % entre as que tomavam estrogéneos com progestagéneos, comparadas com o grupo placebo; o risco de acidente vascular cerebral foi 41% maior. O cancro da mama aumentou 26 por cento e a doença cardiovascular 22 por cento. ■
In diáriomedico.com

WB00789_2.gif (161 bytes)