| Para
António Gentil Martins, médico especialista em cirurgia pediátrica e cirurgia
plástica, reconstrutiva e estética, antes de se tomar uma decisão relativamente ao
aborto, é importante que se perceba a evolução do ser humano, desde o momento da
concepção: "A junção do óvulo com o espermatozóide dá origem ao ovo e se lhe
forem dadas as conições necessárias, desenvolve-se o ser humano. Embora ainda não
sejam visíveis, no ovo já estão a cor dos olhos ou da pele, o coração, o cérebro. Aos 15 dias, já se diferenciam as
primeiras células nervosas e às 6 semanas já se regista actividade eléctrica cerebral.
Às 8 semanas as
impressões digitais já estão definidas e através da ecografia, é possível fotografar
o embrião a registar os batimentos cardíacos do coração.
Às 12 semanas já são
visíveis e estão praticamente individualizadas as principais estruturas do corpo
humano", esclarece.
Adepto fervoroso do
"NÃO" à despenalização do aborto, Gentil Martins defende a ideia de que
"a vida humana faz parte de um todo, onde a permanência do ser no ventre da mãe
não é mais do que uma etapa, à qual se sucedem as da infância, adolescência até se
atingir a velhice e a morte".
Apesar de concordar que
algumas mulheres estariam mais protegidas dos riscos inerentes à clandestinidade, também
acredita que a despenalização poderá agravar ainda mais a situação.
Em vez disso, o
especialista defende que a sociedade deveria lutar contra as causas do aborto e fazer a
prevenção: " É preciso investir recursos; preocupar-se mais com a educação
sanitária e sexual humanitária; com um planeamento familiar correcto; com o apoio às
famílias em dificuldades, às mães sem recursos; com a prevenção dos maus tratos e da
toxicodependência." |