"Aos 15 dias já se diferenciam as células nervosas"

Prof. António Gentil Martins in Mulher Moderna nº699

Para António Gentil Martins, médico especialista em cirurgia pediátrica e cirurgia plástica, reconstrutiva e estética, antes de se tomar uma decisão relativamente ao aborto, é importante que se perceba a evolução do ser humano, desde o momento da concepção: "A junção do óvulo com o espermatozóide dá origem ao ovo e se lhe forem dadas as conições necessárias, desenvolve-se o ser humano. Embora ainda não sejam visíveis, no ovo já estão a cor dos olhos ou da pele, o coração, o cérebro.

Aos 15 dias, já se diferenciam as primeiras células nervosas e às 6 semanas já se regista actividade eléctrica cerebral.

Às 8 semanas as impressões digitais já estão definidas e através da ecografia, é possível fotografar o embrião a registar os batimentos cardíacos do coração.

Às 12 semanas já são visíveis e estão praticamente individualizadas as principais estruturas do corpo humano", esclarece.

Adepto fervoroso do "NÃO" à despenalização do aborto, Gentil Martins defende a ideia de que "a vida humana faz parte de um todo, onde a permanência do ser no ventre da mãe não é mais do que uma etapa, à qual se sucedem as da infância, adolescência até se atingir a velhice e a morte".

Apesar de concordar que algumas mulheres estariam mais protegidas dos riscos inerentes à clandestinidade, também acredita que a despenalização poderá agravar ainda mais a situação.

Em vez disso, o especialista defende que a sociedade deveria lutar contra as causas do aborto e fazer a prevenção: " É preciso investir recursos; preocupar-se mais com a educação sanitária e sexual humanitária; com um planeamento familiar correcto; com o apoio às famílias em dificuldades, às mães sem recursos; com a prevenção dos maus tratos e da toxicodependência."

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