Correio do canal Medicina Familiar
Coordenador do Canal Medicina Familiar: Dr. Constantino Santos
Pergunta:
Prezado Dr.
Meu marido frequentemente tem sentido frequentemente dor nas costas, o que o tem
incomodado sobremaneira. Já foi ao médico,e o diagnóstico foi dor muscular que,
com o tratamento, não desapareceu. Os sintomas são os
seguintes: após uma noite de sono, particularmente,n o
início da manhã, a dor aparece o que o faz levantar-se da cama e caminhar por
algum tempo e, dessa forma, a dor, gradativamente, desaparece. Diz que há um
relaxamento do musculo da parte baixa da coluna, na altura dos rins, portanto,
trata-se de dor irradiada, não localizada,e meu marido suspeira de ser no nervo
ciatico. Ele tem 50 anos. Gostaria de obter informações
sobre esta doença, as causas e o tratamento. Desde já agradeço.
Resposta:
Faz parte dos problemas comuns
dos adultos, de ambos os sexos, e é uma causa frequente de perda de dias de
trabalho e de dinheiro. Pode ser uma doença auto-infligida, isto é,
desencadeada por nós próprios.
A posição erecta da espécie humana submete os músculos das
costas e a coluna vertebral a um esforço permanente, provocado pelos
movimentos e posições do corpo, ao longo do dia. Mesmo a dormir, toda esta
zona continua sujeita a tensões.
Actualmente as queixas de dores nas costas estão em
aumento: cada vez mais nos deslocamos sentados, trabalhamos sentados ou nos
mexemos pouco. Em épocas passadas, o trabalho manual (em casa ou no emprego) e
as deslocações a pé eram frequentes. Graças a estes hábitos, os músculos das
costas eram geralmente fortes (aquilo a que os médicos chamam tónus). Estes
músculos resistiam bem ao esforço e serviam de suporte à coluna vertebral.
À medida que as pessoas têm menos actividade física, os
músculos tornam-se mais fracos. Como consequência não conseguem aguentar o
trabalho a que estão sujeitos ao longo do dia. O simples inclinar-se para
calçar os sapatos pode ser o suficiente para provocar uma crise de dor.
Dor, rigidez ou incómodo
persistente nas costas, em qualquer local desde o pescoço às ancas. Dor
aguda, especialmente depois de pegar num peso ou ter feito um esforço superior
ao habitual. Predomínio no pescoço e ombros ou no fundo das costas, de modo
crónico, nas pessoas que passam muito tempo paradas - sentadas ou em pé - no
emprego, nos transportes, em casa. Pode iniciar-se sem causa aparente,
coincidindo com periodos de maior sobrecarga emocional ou de trabalho,
cansaço, privação de sono. Ás vezes, um espirro é suficiente para desencadear
a dor.
Depois de excluir algumas
causas mais graves - fracturas, tumores, lesões ósseas - e de confirmar que a
dor tem origem nos músculos, o objectivo do tratamento consiste em eliminar a
dor e promover a recuperação do movimento. Usam-se medicamentos (analgézicos,
anti-inflamatórios, relaxantes musculares), o repouso e os tratamentos da
Medicina Física (fisioterapia).
Embora só tenhamos notado
o problema no dia em que tivemos dor, a causa começou anos antes: são os
hábitos posturais que construímos desde novos. Como nos sentamos, como pegamos
em pesos, como trabalhamos, conduzimos, escrevemos. É aqui que reside a causa
- e a solução - desta dor.
Mesmo depois de passada a dor, o problema mantém-se. Fica
à espera do próximo erro de posição para nos voltar a atacar.
Nalguns países faz parte dos hábitos das empresas a oferta
de programas de exercícios de prevenção, para os profissionais em maior risco.
Porém cada um é responsável pelo seu futuro. Algumas
mudanças simples de hábitos e a execução regular de alguns exercícios podem
poupar-nos muito sofrimento, tempo e dinheiro.
Analise a sua posição: encoste-se com os calcanhares contra a parede. A
barriga das pernas, as nádegas, os ombros e a parte de trás da cabeça devem
estar em contacto com a parede. Deve ser possível passar uma mão entre a
parede e o fundo das costas.
Esta é a posição natural - normal, aconselhável - que deve
ser mantida quando está em pé. Se não for assim deve corrigir a sua posição.
Se permanece em pé durante longos períodos, tenha à sua frente um pequeno
banco de cerca de 15 cm de altura no qual apoia, alternadamente, um dos pés.
Use calçado raso e que forneça um bom apoio à curvatura do pé.
A sua posição sentada é ainda mais importante.
A cadeira deve permitir apoiar os pés no chão, e não deve incomodar a dobra
dos joelhos. As costas devem estar apoiadas, num ângulo de cerca de 10 graus
(use uma almofada apropriada, se necessário). Os antebraços devem poder
apoiar-se no plano de trabalho com os cotovelos em angulo recto.
Apanhar objectos do chão ou levantar pesos deve
ser feito com as costas direitas e não dobrando a cintura. Assim o trabalho é
feito pelos músculos das pernas e não pelas costas.