Correio do canal Medicina Familiar
Coordenador do Canal Medicina Familiar: Dr. Constantino Santos
Pergunta:
Resposta:
A chamada "pílula do dia seguinte" não é bem uma pílula: se
assim fosse tomar-se-ia no dia anterior e não "no dia
seguinte". Equivale, em dose de hormonas, a cerca de 8 a
10 pílulas das "normais", tomadas juntas. O objectivo é
tornar o útero (o local onde nidaria a crinaça se tivesse havido
concepção) num local impróprio para albergar uma gravidez, nomeadamente
tornando mais fina a parede a través da qual o bebé se poderia alimentar.
Outros efeitos possíveis seria 1) tornar o muco do colo cervical (o
orifício do útero por onde os espermatzoides masculinos
podem entrar) mais espesso, dificultando a entrada dos
espermatzoides; 2) modificar os movimentos da trompa (o
local por onde os óvulos da mulher passam) impróprios para o
normal processo de concepção e gravidez.
Isto dito, o efeito da "pílula" do dia seguinte no ciclo da mulher depende
da altura em que for tomada: teríamos que saber se tinha havido ovulação
ou não, se de facto houve ou não concepção. Não é
possível prever com exactidão os efeitos no ciclo e os
fabricantes nada nos dizem sobre o assunto: apenas se
sabe que
1) a menstruação deverá ocorrer dentro de 1 a 3 semanas
2) a actividade sexual, após o uso desta "pílula", comporta o risco de
gravidez
3) a taxa de "sucesso" é de 75% (Falha em 25%)
A recomendação geral é de iniciar o método contraceptivo habitual no
primeiro dia da menstruação seguinte.
Não esquecer que no primeiro ciclo (no mês em que retoma) a pílula
contraceptiva a protecção é baixa, só sendo fiável a partir do segundo
mês.
Peço desculpa por este mail longo, mas as incertezas, e omissões de
informação dos fabricantes, são muitas de momento.
Constantino Santos
Ver artigo: Pílula do dia seguinte - Como funciona...