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Media e Família
O meu metro quadrado por: Fátima Fonseca (Crónicas de Opinião ACMedia)
[Quero
comentar a crónica]
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m2 de 20
de
Fevereiro de 2006 |
Regresso
finalmente, depois de um mês de Janeiro recheado de acontecimentos, que
deixei por comentar, se bem que com a profusão actual de comentários e
comentadores, mais um, menos um, não chegue a notar-se a diferença…
Em nossa
casa porém, este mês de Janeiro ficou decisivamente marcado por um feliz
acontecimento : o casamento da nossa filha Rita com o seu eleito, Nuno!
E um casamento tem sempre muito que se lhe diga, mas descansem! , não
vai ser este o tema destes dois últimos m2 em falta, para completar e
terminar os 100 prometidos! (...) |
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m2 de 31 de
Dezembro de 2005 |
Entre Natal e fim de ano acabamos de fazer uma viagem relâmpago à Beira
Alta, à velha casa onde meu Pai nasceu e que sonhamos um dia
recuperar, depois de um abandono de várias dezenas de anos .
Enquanto meu Marido e meu filho Zé passeavam pelos campos, sentei-me na
sala gelada, junto à estante dos livros, onde me perco de cada vez que
lá vou. Toda encolhida de frio - estavam dois graus e meio lá fora ! –
para ali fiquei entretida com a leitura de uns pequenos livros de
Azorin ( nome pelo qual ficou conhecido o célebre escritor, jornalista e
político espanhol da geração de Unamuno, José Martinez Ruiz, 1873-1967).
(...) |
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m2 de 4 de
Dezembro de 2005 |
Já quase tudo foi dito e redito sobre a recente
polémica da retirada dos crucifixos das escolas, de muitas e variadas
maneiras, com ironia e graça, ou em tom sério, de que ressalto, entre
outros, os comentários de João Bénard da Costa, Bagão Félix e João
Carlos Espada. Disseram muito, mais e melhor do que me passaria pela
cabeça dizer. Contudo, ao pensar nas sombrias razões pelas quais uma
qualquer associação desconhecida, entre tantas preocupações válidas com
a Educação em Portugal, vai apresentar uma queixa ao Ministério
precisamente sobre a pacífica existência de crucifixos nas paredes das
escolas e a vê tão simpaticamente deferida, ocorreu-me contar-vos uma
pequena história verídica que li há algum tempo. Julgo que tudo se terá
passado na Alemanha, ou na Áustria, no período de reconstrução após a 2ª
Guerra Mundial. (...) |
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m2 de 15 de
Novembro de 2005 |
Em tempos conheci um pintor amador - muito dotado, aliás! - que para não
esquecer as cores e imagens que mais o inspiravam, andava sempre de
bloco-notas e caixa de lápis –de - cor no bolso, para assim poder anotar
o que mais tarde queria passar à tela.
Também eu vou registando, aqui e ali, pequenas ideias ou histórias
reais, que mais tarde me servirão de tema. O problema é que, como anoto
em papéis soltos e diferentes agendas, acabo por me esquecer delas e
quando as redescubro, muitas vezes já perderam a actualidade… |
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m2 de 26 de
Outubro de 2005 |
( Amigos, nunca mais vos escrevi e hoje, alguém me
perguntou porquê! A razão é simples: inesperadamente, voltei a dar aulas
na escola e o tempo esgueira-se-me facilmente…Volto porém, à minha meta
“secreta” inicial : escrever 100 crónicas. Sem promessa de datas certas,
procurarei chegar à meta!!! Recomeço agora! Espero que me desculpem um
silêncio tão prolongado… )
Passava na
rua um destes dias e uma vez mais me cruzei com ele : de pé, encostado à
parede de um prédio novo, cabelos em pé, sempre crespos e desalinhados,
barba longa, sorriso indefinível, andrajoso, grande, um ar embrutecido,
sujo, sempre de vinho na mão, quando não deitado a coçar-se ou a dormir
na calçada como um animal desprezado. Todos o vêem. Todos o vemos. Desta
vez , olhava o copo de plástico atentamente, cheirava-o e bebia-o com
uma imensa voracidade. |
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m2 de 15 de
Setembro de 2005 |
De pé, junto ao fogão, vou mexendo com uma colher de pau,
lentamente, o doce de ameixa e pêssego que pus ao lume. E vou pensando:
estas ameixas e estes pêssegos, tão bonitos por fora, mas que nunca
amadurecem…são mesmo péssimos! Será que em doce se tornarão mais
comestíveis?
E quase sem querer, ponho-me a pensar em tantos jovens, rapazes e
raparigas, também eles bonitos por fora, mas completamente imaturos por
dentro, que diariamente tostavam ao sol, entre telemóveis e cremes, com
um ar inútil e enfastiado, nas praias por onde passei. As suas
preocupações pareciam sempre as mesmas, a partir da hora tardia em que
se levantavam para fazerem praia : o culto do corpo, as roupas, as
boleias, as saídas à noite, os namoros…Não, a culpa não é deles, é dos
pais, é nossa…e quero falar deste tema no “ meu metro quadrado” de hoje…(...) |
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m2 de 17
de
Julho de 2005 |
Nos primeiros dias de Julho, ouço
na rádio, TSF, ao fim da tarde, em dias diferentes, notícias da seca e
incêndios que atormentam Portugal e programas que me provam, o que estou
sempre a dizer aos meus filhos: “...é que a vida não é uma gargalhada
permanente!” (...) |
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m2 de 30
de
Junho de 2005 |
Encontrei-a por acaso, ao entrar numa tabacaria. Vi uma
pessoa, de bata azul, a varrer o chão, de costas para mim, pedi-lhe com
licença, mas só depois a reconheci pelo seu sorriso gaiato,
inconfundível. Passaram muitos anos, quase a perdi de vista, tem agora a
cabeça toda branca, mais pelos problemas do que pela idade.
Ali
ficámos, sem que eu tivesse coragem de lhe falar da minha pressa.
(...) |
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m2 de 31
de
Maio de 2005 |
Conheço, há vários anos, um homem
bom, honesto, discreto, inteligente e corajoso, casado, pai de família e
professor universitário, que resolveu pegar em livros de “Educação
Sexual”, analisar manuais e linhas orientadoras, gastar o seu tempo (
livre) para fazer um trabalho profundo, honesto e isento, e assim poder
falar. E vai daí, começou ele a dizer e a provar, desassombradamente,
que “ o rei vai nu” a propósito da Instrução Sexual, dita “Educação”,
que anda por aí a ser feita em muita escola sob a determinação do
Ministério da Educação, ao sabor do gosto e apetência pelo tema por
parte de alguns professores, previamente “preparados”(?) ao que parece,
por uma associação famosa e poderosa. E tudo isto, independentemente de
os pais concordarem ou não, conhecerem ou não, o que está a ser dito e
feito com os seus filhos, e aceitarem ou não, serem substituídos em
matéria tão nitidamente da sua esfera de responsabilidades…
(...) |
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m2 de 5 de
Maio de 2005 |
Estava mesmo a precisar! Retirei-me por isso, por uns dias, para o
coração do Alentejo, lá onde o tempo passa mais devagar, onde os carros
só se ouvem vagamente, no intervalo do canto dos melros, das rolas e
cucos, lá onde entre espigas e papoilas coloridas passeiam vagarosos
bichos-de-conta e se afadigam formigas enormes. No dia do regresso,
virando as costas às velhas muralhas do castelo e ao moinho no alto do
monte, demorei-me ainda um pouco, com algumas amigas, junto de uma
pequena ermida, de visita a uma lindíssima imagem, cópia da Virgem de
Quito. (...) |
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m2 de 18 de
Abril de 2005 |
Quase todos os
olhares parecem neste momento voltar-se para Roma, esperando a grande
decisão, que como é natural e compreensível, interessa a todo o mundo em
geral, mas aos católicos, em particular.
Enquanto esperamos porém, não consigo perder tempo com palpites
políticos e estratégicos sobre o perfil do novo Papa. Estou certa de que
esta não será uma eleição eminentemente norteada por critérios humanos,
pelo que será eleito aquele que – por intervenção de Deus – estiver em
melhores condições para bem governar a Igreja.
Em contrapartida, aqui em
Portugal, outros olhares parecem afastar-se do que se passa em Roma,
procurando talvez aproveitar exactamente esta onda de emoção que nos
tem galvanizado, para a coberto dela, rápida e habilmente legislarem
sobre matéria altamente fracturante e avançarem com decisões
extremamente graves, nomeadamente no campo da defesa da vida.
(...) |
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m2 de 3 de
Abril de 2005 |
O Papa João Paulo II partiu, ontem, dia 2 de Abril, sábado, pelas 20.37
( hora de Lisboa), para a Casa do Pai, depois de uma longa e lenta
agonia. (...) |
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m2 de 24 de
Março de 2005 |
Talvez alguém se lembre ainda, que na semana passada, vos confessei a
minha vontade de vos escrever sobre outras coisas. Por isso aqui estou,
com este “ m2” de Páscoa !
Achei graça e deixei ficar pendurado no candeeiro da nossa sala, um
mobile de barro ( daqueles que tilintam com o vento) , que uma das
jovens de Taizé nos ofereceu em Dezembro último, como recordação da
passagem por nossa casa de três lituanas, vindas de Vilnius.
(...) |
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m2 de 17 de
Março de 2005 |
Tinha tantas coisas para vos falar, hoje! Paciência, terei de encurtar
os assuntos...
Falemos
então da belíssima ilha da Madeira, onde fui em viagem relâmpago, em
nome da ACMedia, com representantes do Instituto do Consumidor e
Fenacoop, participar num interessante Seminário, a propósito do Dia
Mundial dos Direitos do Consumidor, organizado pelo Departamento de
Defesa do Consumidor, da Secretaria dos Recursos Humanos do Governo
Regional da Madeira. Deixem-me que vos diga que não podíamos ter sido
melhor acolhidas pelos madeirenses, nem melhor recebidas pelas várias
entidades, em especial pela eficiente e jovem Directora, Dra Fernanda
Botelho. (...) |
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m2 de 1 de
Março de 2005 |
Uma das vantagens de uma gripezita é ficarmos em casa e
descobrirmos inesperadamente, mais tempo para ler, para arrumar papéis,
e entre duas sestas, aproveitar até algum programa de TV interessante.
(...) |
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m2 de 15 de
Fevereiro de 2005 |
Tinha iniciado já um “m2” completamente diferente, mais atento às
eleições que se aproximam, quando os últimos acontecimentos me
“empurraram”- na verdadeira acepção da palavra- a escrever o presente.
(...) |
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m2 de 30 de
Janeiro de 2005 |
...conheci a Margarida, largos anos vão passados, numa inesquecível
viagem a bordo do “Príncipe Perfeito” nas águas do Mediterrâneo. Ela era
então uma jovem de vinte e poucos anos, morena, elegante, lindíssima, no
seu uniforme de hospedeira de uma conhecida agência de viagens. Filha
única, solteira, uma simpatia, a todos acolhia com o seu magnífico
sorriso. Tempos depois, soube que tinha casado com um estrangeiro e
esperava um bebé, para alegria de todos. A tragédia porém, em breve lhes
bateu à porta, num terrível acidente. (...) |
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m2 de 31 de
Dezembro de 2004 |
Chegara finalmente o Grande Dia !
Joana quebrou o porquinho de barro, contou ansiosa, moedas e notas,
juntou tudo no envelope que a mãe lhe tinha posto no sapatinho, junto ao
presépio, no dia de Natal, e às nove da manhã já estava a bater à porta
do quarto dos pais, toda vestida e arranjada, para irem às compras,
conforme o prometido. (...) |
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m2 de 21 de
Dezembro de 2004 |
Num tempo simultaneamente de louvores e duras críticas à comunicação
social, provenientes de diferentes sectores políticos e não só, pelo seu
incontestável papel de relevo no que toca à descoberta de verdades,
erros e injustiças, mas também, entre outros motivos, pelo desgaste
contínuo de instituições e pessoas, permanentemente submetidas a
invulgar “bombardeamento”, fui encontrar no Montepio Geral, numa revista
da própria instituição, uma interessante entrevista com a Profª de
Economia, Doutora Manuela Silva, intitulada “Em defesa da globalização
regulada, da cidadania e da solidariedade”. (...) |
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m2 de 1 de
Dezembro de 2004 |
Aproxima-se o Natal e os preparativos exteriores aí estão à vista !
Sinais de festa nas montras e nas ruas por todo o lado. Por dentro
porém, não parece haver festa no coração inquieto de muita gente !
Escrevo-vos junto à lareira, numa destas noites frias, aqui perto do
mar, na Praia das Maçãs. No meio da profusão de surpresas, confusões e
incidentes que pateticamente têm caracterizado a vida política
portuguesa dos últimos tempos, em que igualmente abundam comentários,
especulações, juízos e críticas demolidoras, acompanhadas de perversas
lutas pelo poder, eu cá , continuo na minha. Prefiro comentar e dar-vos
notícia do que poucos, ou nenhuns comentam ou noticiam. E abro a minha
agenda e recordo o itinerário das últimas semanas: Braga, Porto, Beja.,
Coimbra. (...) |
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m2 de 15 de
Novembro de 2004 |
Tudo se passou num ápice, pelo menos assim me pareceu, mas vou
contar-vos:
Era aquela hora “H”, tão especial em cada manhã...meu Marido e meus
filhos já tinham saído de casa, o silêncio e a calma pareciam ter
voltado. Sentei-me, a tentar separar mentalmente, o urgente do
importante. Meu Deus, tanta coisa para fazer! Por onde começar?
(...) |
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m2 de 1 de
Novembro de 2004 |
Este é aquele tempo em que habitualmente recordamos com mais tristeza,
os nossos mortos queridos, sejamos, ou não, pessoas de fé. Hoje porém, e
por contraste, não posso iniciar este m2 sem vos dar a conhecer a enorme
alegria que invadiu a nossa família, pelo facto de termos mais um bebé
entre nós! Com efeito, uma nova vida traz geralmente consigo, uma
alegria difícil de ocultar , e aqui em casa acabamos de ser avós pela 2ª
vez, desta vez de um rapazinho... (...) |
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m2 de 15 de
Outubro de 2004 |
O contraditório, o contraditório...o contraditório?!!! ( onde é que eu
já ouvi falar disto nestes últimos tempos???) . Ah, “ O Princípio do
Contraditório”, pois !
Mas enquanto todos falam disso e dos porquês do mais famoso comentador
de televisão dominical que bateu a porta e se calou de repente, ao fim
de quatro anos e meio de ácidos e argutos comentários com que mimou
diferentes Governantes e todo o panorama político da esquerda até à
direita, passando pelo centro, eu cá, se não se importam, antes queria
falar de outros “contraditórios” - por que não chamá-los assim? - uns
contraditórios de que ninguém fala... (...) |
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m2 de 1 de
Outubro de 2004 |
Na televisão muito se tem falado, ultimamente, em “ celebridades”, o que
, - convém distinguir!- não é o mesmo que pessoas célebres. Celebridade
neste caso, rima bem com efemeridade, característica desta frágil fama
que normalmente rodeia certas personagens forjadas pela nossa sociedade
mediática num perfeito jogo de ilusões e aparências.
(...) |
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m2 de 15
de Setembro de 2004 |
Ultimamente tenho recebido uma série de “mails” com pedidos de ajuda
muito imaginativos, vindos de África, na sua maioria da Nigéria e Costa
do Marfim. Assinados por diferentes personagens- de solicitadores, a
viúvas e filhos de ex-governantes - relatam sempre histórias
rocambolescas e extraordinárias, de fortunas escondidas pelos defuntos
ou depositadas em seguradoras e bancos europeus, e pedem – me que os
ajude a recuperar o dinheiro, a que têm direito, prometendo-me generosa
recompensa. Basta que lhes responda ! Imagino o vosso sorriso, pois
certamente não serei a única a receber estas missivas...
(...) |
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m2 de 1
de Setembro de 2004 |
Não é possível ficar indiferente, fechar os olhos, olhar para o lado, ou
simplesmente mudar de canal, perante a tragédia que se abateu sobre os
habitantes da pequena cidade de Beslan, na província de Ossetia do
Norte, na Rússia. (...) |
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m2 de 15
de Agosto de 2004 |
Trocado o computador pelos tachos e panelas, máquinas de roupa e
sucessão natural de tarefas domésticas sempre inacabadas, as férias de
verão em família, sobretudo numerosa, - esteja ela onde estiver, à
beira-mar, no campo ou na cidade - acabam por gerar uma certa confusão
e mudança de horas e rotinas ! Necessariamente com consequências também
na simples elaboração destas pequenas crónicas... (...) |
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m2 de 1 de
Agosto de 2004 |
Julho e Agosto, tempo de férias para alguns, mais
trabalho para outros, mas sobretudo, tempo de partidas e chegadas,
encontros e desencontros, casa cheia, casa vazia.
A Irina também partiu. Finalmente chegou o grande dia tão
ansiosamente esperado! Irina Proswirnina, russa, imigrante, empregada
doméstica em Portugal, mãe da Anastasia, de 8 anos, casada com um
mecânico de automóveis, a trabalharem e a viverem numa espécie de
contentor ali para os lados do Aeroporto, finalmente regressaram ao seu
país, após 3 anos de intensa labuta, sacrifício e muita saudade.
(...) |
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m2 de 15
de Julho de 2004 |
A face mais visível do nosso estranho
mundo português mudou subitamente, de um extremo e quase infantil
entusiasmo, louco, obsessivo, alegre e congregante, em torno do Euro
2004, para uma nova imagem fracturante, fratricida e violenta, em redor
do imbróglio político da sucessão de Durão Barroso.
(...) |
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m2 de 29
de Junho de 2004 |
À semelhança do resto do
país, em todo o meu bairro não se falava de outra coisa ( antes da nova
confusão com a recente decisão do Dr Durão Barroso)! Devo confessar que
inicialmente, também eu era das vozes contra, mas tive de me render à
evidência positiva e eu própria acabei por ser contagiada... Refiro-me
ao Euro 2004, claro! (...) |
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m2 de 12
de Junho de 2004 |
Um jornalista não pode atrasar trabalho. Um jornalista tem de lá estar, no
local do acontecimento, se possível, com aquela intuição que lhe deve
ser peculiar, ainda antes do acontecimento, ou quando muito logo após,
mas sem atrasos, quando não, alguém chega primeiro e se apossa do
material, a notícia! (...) |
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m2 de 21
de Maio de 2004 |
(Sei que vos devo dois m2- o de 1 de Maio e o de
15 de Maio- e sobretudo uma explicação!)
Era o dia 1 de Maio de 2004. Levantei-me muito de mansinho, para não
acordar ninguém, vesti o roupão, tomei um café e sentei-me ao
computador. Não queria barulho e preparava-me para me lançar a fazer um
texto de imediato, rés-vés ao coração, para que nada se interpusesse
entre sentir - pensar - escrever. Queria começar por falar- vos daquela
corajosa viúva, professora, mãe de família numerosa, cuja filha de 21
anos - não menos lutadora e valente!- está doente e internada com uma
leucemia aguda. E queria pedir a todos quantos me lêem uma cadeia de
oração, e a quem não crê neste poder, mas se quiser solidarizar, uma
cadeia de “pensamento positivo”... (...) |
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m2 de 15
de Abril de 2004 |
Acabo de ler no jornal “ Público” uma interessante entrevista com a Drª
Margarida Neto, Comissária para os Assuntos de Família, a propósito da
subida de 46% da taxa de divórcio, em Portugal, em 2002, em que a mesma
era justificada como uma espécie de “ inevitabilidade relacionada com a
nossa forma de viver e com a forma como fomos banalizando o divórcio, e
de certo modo, o casamento.” (...) |
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m2 de 31
de Março de 2004 |
(...)Sim, falo-vos do filme de Mel Gibson, que fui
ver há poucos dias com duas das minhas filhas. Entrou-me pela vida
adentro, devo reconhecer, e tornou – me a Via Sacra muito mais presente
nestes últimos dias. De um modo quase incómodo, mas doce ao mesmo tempo,
a Via Sacra está insistentemente aqui. É uma sensação estranha, mas
parece distrair-me frequentemente das actividades que vou tendo em cada
momento. Como se me distraísse do mundo. E assim, ao ligar os
noticiários e ao ouvir discussões acaloradas por causa dos deputados,
das leis e dos abusos, por causa da Bombardier e dos sem-pão, por causa
dos táxis, das ambulâncias, da segurança e das greves durante o Euro
2004 que se aproxima...de repente, o que me parece é o barulho da
multidão a acusar Jesus...e Ele, silencioso, no meio deles, no meio de
nós... (...) |
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m2 de 15
de Março de 2004 |
Às vezes ela aparece aí, de mansinho, quase inadvertida. Bate à nossa
porta, não a ouvimos, mas instala-se sem pedir licença, no meio da nossa
actividade e em quaisquer circunstâncias, e aos poucos, com mais ou
menos protesto, acabamos por aceitá-la e com ela convivemos, com maior
ou menor naturalidade. Sabemos que é e será sempre assim , em todos os
tempos. É o nosso fim natural, mas para poucos, será fácil conviver com
ela. (...) |
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m2 de 2 de
Março de 2004 |
Aguardo luz verde, junto ao semáforo da minha rua, e embora sabendo que é
urgente escrever sobre o recente Congresso “Pais no séc XXI- um desafio a
vencer !!!” , sinto-me ainda demasiado dispersa para começar a escrita...
e pouso um olhar distraído na tabuleta da tasca da esquina , onde se lê em
letras grandes - “ Hoje: Pézinhos de coentrada”, ( ai, os famigerados
“pézinhos e mãozinhas” que a minha mãe tão sabiamente nos fazia provar e
que eu tanto detestava, quando era pequena! Aquilo é que era saber
educar!). Logo a seguir, vejo um enorme “outdoor” anunciando uma peça de
teatro com referência a qualquer coisa como nove dedinhos (?)e do outro
lado um pé enorme segurando entre os dedos um telemóvel para divulgar o
sistema de falar sem mãos. (Olho para as minhas mãos geladas e enrugadas,
e de imediato me lembro do belo conto de Trindade Coelho(?) sobre “As mãos
“ queimadas e cheias de cicatrizes da mãe que salva o filho das
chamas....lá estou eu em plena divagação...).(...) |
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m2 de 15
de Fevereiro de 2004 |
A Sida cresce em Portugal? “ -Ah! É tudo por falta de Educação Sexual...!”
Os jovens portugueses não ligam e continuam com comportamentos de risco?
“- Dêem-lhes Educação Sexual...!”
Os Portugueses têm uma das mais altas taxas de gravidez na adolescência?
“- O que faz falta é Educação Sexual nas escolas ...!”
O aborto é um flagelo em Portugal? “- Então mude-se a lei e...Educação
Sexual já! Aborto?! Oh ,filha, claro que o aborto é uma coisa horrível,
mas quem é que se preocupa com isso? Olhe, nos outros países já nem se
fala nisso! Nós é que estamos sempre atrasados! A Educação Sexual é que é
preciso ...!” (...) |
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m2 de 31
de Janeiro de 2004 |
À porta da Universidade Católica, no final de mais uma
manhã de sábado, depois das aulas, ficamos em pequeno grupo a trocar
impressões. A conversa , como não podia deixar de ser, acabou com o tema
que mais perturbou o recente quotidiano nacional. Uma colega, dizia-me, à
despedida :-“ Tens de falar sobre isto no teu metro quadrado...”
Já adivinharam- claro!- mas mais do que comentar a
impossibilidade de ficarmos indiferentes à morte inesperada de um jovem
jogador na pujança da vida, em pleno campo de futebol, e à torrente de
emoções que se apossaram de todos quantos assistiam ao jogo, queria antes
referir-me ao choque que representa o lado visível desta morte em concreto
e a reacção emocional natural, multiplicada pela pressão dos meios de
comunicação, permanentemente repetindo as mesmas cenas e despoletando uma
imensa onda de comiseração. (...) |
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m2 de 15
de Janeiro de 2004 |
Caminho rua fora nesta nossa cidade e ao virar a esquina vejo três
raparigas novas à distância, que vêm na minha
direcção. Falam e riem alto, com aquela garridice tão própria destas
idades, que logo chama a atenção. Já mais próximas, reparo, por baixo dos
guarda-chuvas abertos, como são frescas, vistosas, elegantes e bonitas. De
pastilha elástica na boca, umbigo ao léu e roupas demasiado reduzidas
apesar do frio e da chuva, passam por mim provocantes, na sua quase
insolente sensualidade...por pouco não esbarram comigo e sou obrigada a
ceder-lhes passagem, deixando-lhes entregue todo o estreito passeio.
Sinto-me psicologicamente agredida, atropelada no meu “declínio etário”
natural , como se as minhas rugas, os meus cabelos brancos e os meus
quilos a mais, habitualmente tão confortáveis e bem tolerados, de repente
se pusessem todos de cabelos em pé!!!( Será inveja, ou nostalgia?
Pena???...). (...) |
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m2 de 30
de Dezembro de 2003 |
É o tempo de que mais gosto : Natal! Está um tempo
maravilhoso e estou onde mais gosto : na Praia.
Porém, de vassoura em punho, ando pela casa a fingir que
limpo, cansada, aborrecida e sem vontade, a limpar os intermináveis restos
dum dia de Natal em família alargada.
Ninguém em casa, só eu. Lá fora , faz frio neste
lindíssimo dia de Inverno! O sol brilha, o céu muito claro e azul sem
mancha, aqui e ali apenas o risco branco de um avião, e o cheiro a pinhas,
lenha e maresia, tudo convida a passeio no pinhal. Saio, a ver se passa a
dor nas costas, dou a volta à casa, respiro fundo a aragem fina e fria , e
resolvo arrumar a vassoura ...já sei, vou até à cabeleireira cortar dois
dedos de cabelo... (pode ser que fique com melhor disposição! Sei lá
porque estou aborrecida ? Há dias assim...até me aborreço comigo própria
por estar aborrecida...). (...) |
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m2 de 15
de Dezembro de 2003 |
Abro a caixa do correio, à chegada a casa, como de costume, mecanicamente,
enquanto vou cantarolando a música dos Tribalistas, “Velha Infância”( que
confesso, me “apanhou” por completo!). Entre o correio habitual da época
encontro um enorme envelope de correio azul, cuja letra incerta, difícil e
torta, logo me denuncia a sua proveniência ! Lá dentro vem um pequeno cartão
de Boas Festas, com um presépio, todo escrito nos quatro lados, com aquela
inconfundível caligrafia, que guardo intacta na memória! É da G., eu sei, e
nem precisaria de ler o remetente! Lá está! (...) |
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m2 de 30
de Novembro de 2003 |
Quero dormir e não consigo... A
pressão dos últimos dias de preparação do Congresso na Universidade
Católica, agora terminado, ainda perdura. Mentalmente vou passando o filme
dos acontecimentos recentes...
Na verdade, o mínimo que vos posso
dizer é que este fim -de- semana foi particularmente frutuoso do ponto de
vista “alimentar” !!! (...) |
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m2 de 15
de Novembro de 2003 |
As rajadas de vento dobram chapéus de
chuva e levam tudo pelo ar. À esquina da Duque de Ávila, cruzam-se os
cheiros de que tanto gosto : café acabadinho de moer numa loja antiga, e
castanhas a assar , no carro do vendedor ambulante. Paro para respirar fundo
os cheiros de Outono e sou apanhada por uma chuvada inesperada , enquanto
um outro banho de preocupações se abate sobre a minha cabeça molhada: ...terás
algum estudo sobre programação infantil de televisão para uma reunião de
pais lá na escola ?... tenho de encontrar alguma coisa... mas onde é que eu
pus aquele interessante estudo de uma jovem da Universidade do Minho? E
quando é que na nossa ACMedia conseguiremos voluntários para
acompanharem de perto os desenhos animados? Estamos sempre à espera dessa
pequena ajuda...era só ver com uma intenção mais pedagógica...qual é a
dificuldade? Será que não se arranjam uns pais, avós ou tios que vejam
desenhos animados com os seus pequeninos? ... (...) |
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m2 de 30
de Outubro de 2003 |
Estou ao computador. Sobre a mesa
misturam-se alguns dos vários temas possíveis para hoje: os dramas vários
dos DLD ( Desempregados de longa duração), dos DCE( Desempregados com
esperança) e dos DSPE( Desempregados sem ponta de esperança ), a quem
distingo pelo olhar vazio e pelo vaguear nas ruas, pela avidez com que lêem
os anúncios de jornal e pela forma como estão sentados à mesa de café, ou
nos bancos de jardim ; a necessária avaliação de vários produtos da
Comunicação Social, entre eles e com inesperada urgência, a incrível capa e
história de “gays” da última revista “Única”, pertença – pasmem só! - do
Expresso ( “até tu...?!”), por favor, se como eu vos indigna esta história
num jornal com tanta responsabilidade e fama, digam do vosso
desencanto...não fiquem calados!!! (...) |
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m2 de 15
de Outubro de 2003 |
Esta é uma semana cheia de motivos de
alegria para muitos, sobretudo para os homens e mulheres de boa vontade! Por
isso, apesar das catadupas de informações em que nos afogamos diariamente,
em geral mais negativas do que positivas, esta semana as manchetes de
jornais e os noticiários farão obrigatoriamente uma pausa para dizer bem do
Bem! E por diferentes e boas razões ! (...) |
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m2 de 30
de Setembro de 2003 |
“...não tens nada que fazer? Então
escreve o teu m2!”
Hoje, dia 30 de Set º, cheguei
a casa sem vontade de escrever, mas eu bem sei que é dia de o fazer.
Ao longo de quinze dias,
entusiasmada, fui recolhendo material vário: a ida à Figueira da Foz, ao
Encontro da AORN( Associação de Oficiais da Reserva Naval), onde pude ouvir
magníficas intervenções sobre o futuro de Portugal e o papel do Mar, de que
logo destaquei a do prof Ernâni Lopes e a do Alm.te Vieira Matias; depois,
a publicação sempre discutível e bombástica, dos resultados das escolas e
acessos às universidades, mais a questão dos passeios de helicóptero (
pobres bombeiros! Ainda há bem pouco eram uns heróis nacionais, todos eles o
máximo e agora já são todos péssimos, corruptos e mais não sei o quê...mas
será que já se esqueceram de que “ por morrer uma andorinha não se acaba a
Primavera”? Porquê esta terrível mania de dizer mal das instituições de cada
vez que os homens falham???). Continuemos então: também pensei falar-vos
num outro recente encontro em Almargem-Quarteira, com um grupo de Mães
desejosas de reunir regularmente com seus maridos e outros casais para
aprofundarem de forma sistemática diferentes temas de Educação com ajuda do
Centro de Orientação Familiar de Lisboa... (...) |
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m2 de 15
de Setembro de 2003 |
Vou falar-vos da Paula. Estou certa de
que ela não se importará que vos conte a sua história, que não vem nos
jornais, nem passa nas televisões e por isso de poucos será conhecida. Como
sempre, lá estava ela à porta do supermercado, de camisola e boné amarelo, a
vender a revista Cais. Conheço-a há muito, sempre simpática e franzina,
ainda que um tanto precocemente envelhecida, para os 42 anos que tem. Só
hoje, porém, lhe falei, talvez por ser este um dia especial para mim.
(...) |
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m2 de 30
de Agosto de 2003 |
Então, viram Marte? Foram espreitar
por algum dos telescópios disponíveis?
“Até a minha neta Marta quis ver Marte
...” dizia-me, na sua cama de hospital, a minha amiga Isabel, toda animada,
embora acabada de sair de uma inesperada operação – “e foi de propósito a
Tavira, mas parece que só viu uma bolinha encarnada muito brilhante...”.
(...) |
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m2 de 15
de Agosto de 2003 |
(Se não falasse de fogo, todos estranhariam, por
certo...mas como falar, sem vos enfastiar, do que todos falam, ouvem, vêem,
lêem, e muitos sentem de forma mais intensa porque o sofrem na própria pele,
o enfrentam, temem e choram...?)
De programa em programa, na rádio, nas televisões e nos jornais, o fogo, em
toda a sua dimensão, destruição e tragédia, tem sido na verdade, o tema
glosado de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Uma onda de aflição,
espanto, indignação e solidariedade vai varrendo todo o país, de norte a
sul, de este a oeste e passando além fronteiras. (...) |
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m2 de 30
de Julho de 2003 |
Recosto-me e penso nas palavras que
acabo de encontrar ao arrumar uns papéis, ditas por Martin Luther King, e
que copiei há algum tempo, num interessante Encontro da Rede de Educação do
Consumidor, a propósito de comércio justo - “ Ao acordar tomamos café
sul-americano ou chá chinês, ou mesmo chocolate africano, ( e assim) antes
de entrarmos no ( nosso local de ) trabalho já estamos em dívida com metade
do mundo”. (...) |
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m2 de 15
de Julho de 2003 |
Quando eu era pequena o tempo passava
tão devagarinho na minha vida e na minha rua, que dava por mim,
frequentemente, aborrecida, a espreitar pela janela, os poucos carros que
então passavam, imaginando formas de crescer depressa, saltar o portão do
jardim e descobrir o mundo enorme lá de fora para conseguir um dia, enfim,
encher os meus dias de coisas novas e viver aventuras imensas. Só o escuro
me metia medo a sério!(...) |
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m2 de 30
de Junho de 2003 |
Entro em casa,
finalmente. Trago música nos ouvidos e na alma.
Acabo de ouvir
na Antena 2, a repetição de uma gravação de um magnífico concerto de
Beethoven, pelo pianista Sérgio Varela Cid, em 1970, no Tivoli, em Lisboa,
no segundo aniversário do nascimento do célebre compositor alemão - concerto
em Dó Maior, nº 1, opus 15.
Diante de mim,
vejo a louça toda por lavar! Não pode ser! Felizes, no quarto ao lado, com o
computador em altos berros, os meus filhos mais novos também ouvem
música...“ as meninas da ribeira do Sado...” e cantam, alegremente,
divertidíssimos, a plenos pulmões. (...) |
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m2 de 7 de
Junho de 2003 |
Meus Amigos
conhecidos e desconhecidos :
Um ano a
escrever-vos regularmente, quase todas as semanas, procurando descobrir e
destacar nos meandros das notícias e acontecimentos, alguma coisa de bom,
mesmo que pouco visível, era a minha meta ... e por isso, hoje, dia 7 de
Junho, um ano volvido de escrita com algumas falhas na pontualidade, - é
certo! - seria tempo de balanço e despedida, tudo terminaria e esta coluna
deveria ser substituída por outro texto, outra pessoa, outros objectivos e
outro estilo...
A verdade,
porém, é que criei o hábito e o gosto ( por que não dizê-lo?) e sinto-me com
alguma responsabilidade, e não tendo ainda conseguido entusiasmar ninguém a
prosseguir, continuarei a escrever “o meu m2” ( valerá a pena? Só os
leitores o poderão dizer com isenção!?)...só que, com algum realismo mais e
reais dificuldades de tempo, passarei a fazê-lo apenas de quinze em quinze
dias ! peço-vos desde já ,desculpa !... |
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m2 de 23
de Maio de 2003 |
Recém-chegada
do Algarve, largo o volante, pego na mala, entro em casa e, sem mais
delongas, atiro-me vorazmente, à escrita, ciente que estou de mais um novo
atraso... O mês de Maio, com efeito, aproxima-se rapidamente do fim e, ao
contrário do trocadilho engraçado que ouvi ao Carlos Magno, numas “Palavras
Cruzadas” da TSF, citando alguém que dizia “ O mês de Maio resume-se em três
frases: Muita gente vai a Fátima. Fátima vai para o Rio. Rio não vai a
Sevilha”, a mim parece-me que há já notícias em excesso para tratar...
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m2 de 12
de Maio de 2003 |
Tenho um desejo
imenso de abordar convosco, no dia de hoje, diversos temas. Forçosamente,
será pela rama, não só por respeito pelo vosso tempo, como também pelo
formato previsto para estes “m2”, que idealmente deveriam ser sempre curtos,
breves e simples...
Desculpem pois,
esta aparente salada de frutas, feita de muitos bocadinhos soltos. Agora
porém, reparo que não há frutos azuis – ou já haverá em laboratório e eu não
sei? - e preciso de falar em azul, portanto em vez de salada de frutas ,
tentarei um quadro moderno – minimamente inteligível, espero!- feito de
pinceladas ligeiras e multicolores! (...) |
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m2 de 2 de
Maio de 2003 |
Em tempo de
feriados e pontes, Lisboa fica mais serena, mais apetecível e bonita para
aqueles que cá ficam. É o tempo da redescoberta de velhos jardins, da
travessia calma de grandes avenidas e da visita (mesmo que só por fora) às
casas onde já morámos. É um curto e doce tempo de recordações.
Mergulhada
nestes e noutros pensamentos, passei semi-distraída, por ele, duas vezes.
Sentado de pernas cruzadas, no chão do átrio do banco, sorria, fleumático,
empunhando a garrafa de cerveja, que o deliciava. Estava negro de sujo, o
cabelo e a barba num desalinho igual ao das suas roupas de dormir na terra e
vaguear pelas ruas. (...) |
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m2 de 24
de Abril de 2003 |
Quer queiramos, quer não, sejamos
crentes , ou não, e por mais distraídos que andemos, a Paixão e a Páscoa
interpelam-nos todos os anos. Podemos fazer de conta que só vemos ovos,
folares e amêndoas... a cruz porém, está lá. (...) |
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m2 de 15
de Abril de 2003 |
Sabem o que é “dois em um”? Não, não é
isso que estão a pensar: shampoo e acondicionador num só. Também não é ser
Mãe de Família e Profissional a tempo inteiro. “Dois em um”, neste caso, é
apenas aquilo que vou tentar fazer, hoje, depois de ter tido outras
prioridades inadiáveis, que me retiraram tempo para o “m2” semanal (mas será
que alguém deu por isso???)....as minhas desculpas! (...) |
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m2 de 30
de Março de 2003 |
Era sábado e
seguíamos no carro, debaixo duma chuva diluviana, como se o céu chorasse de
pena, lágrimas sem fim, por causa dos erros dos homens. Ou como se a
Primavera se arrependesse de nos alegrar com o seu calor, as suas cores,
música e perfumes, quando em outras partes reina o inferno da guerra.
Levávamos o rádio
ligado, para ouvir notícias. De repente, a locutora da Rádio Renascença,
anunciou ter em estúdio, três deficientes, a quem iria entrevistar,
recordando que estamos no Ano Internacional do Deficiente.
(...) |
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m2 de 24
de Março de 2003 |
Sentada no
carro, perto da porta do supermercado, espero, ouvindo notícias. Sempre as
notícias. Escuto, triste e atentamente: “...guerra cirúrgica... reduziremos
ao mínimo os efeitos colaterais,... progressos rápidos”...Sei como as
palavras são enganadoras e parecem querer distanciar-nos da verdadeira
realidade que é a Guerra. À minha frente, um rapaz novo, moreno, de gel no
cabelo, olha para mim e ri muito divertido, com o que vai ouvindo no seu
auricular, sentado ao volante de uma enorme camioneta, que transporta em
cima uma escavadora. A camioneta está atravessada no meu caminho, como se a
realidade dele se cruzasse com a minha. E é verdade, só que ambos escutamos
realidades diferentes. (...) |
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m2 de 17
de Março de 2003 |
Em letras grandes, por toda a parte,
as notícias são de Guerra...a imensa confusão de argumentos pró e contra, a
divisão entre pacifistas (por uma questão moral e religiosa, por convicção,
por comodismo, por medo, por razões políticas e ideológicas...) belicistas (
porque acreditam que a segurança da Humanidade está mesmo em perigo, porque
defendem o eixo Atlântico e os nossos aliados de sempre, porque se lembram
de que também Hitler não foi travado a tempo e aconteceu o que
aconteceu!...porque o petróleo importa muito...) e os confusos, muito
confusos, entre tantas razões sem Razão, incapazes de tomar partido ou de
compreender o mundo dos nossos dias ! (...) |
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m2 de 11
de Março de 2003 |
(...)Queria
referir-me em especial à data acabada de celebrar – 8 de Março, Dia da
Mulher ( com muita graça, a propósito, dizia a escritora Rita Ferro, ontem,
no pouco que consegui ver do programa de televisão, RTP I, “ Prós e Contras”
, que não compreendia como não festejávamos também o Dia do Homem, pois de
outro modo até parece que a Mulher é assim uma espécie de coitadinha em vias
de extinção como as focas ou os linces da Serra da Malcata...AH!AH!AH! )
(...) |
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m2 de 3 de
Março de 2003 |
(...) No
final desta história, fui à procura de um outro artigo que lera há pouco
tempo, num Notícias Magazine de domingo ( 23 Fev.º ), sobre a campanha de
solidariedade "World Food Programme" das Nações Unidas em colaboração com a
Benetton. Amy Flanagan, jornalista, preparou um texto especialmente
revelador para alertar as nossas consciências em todo o mundo! Não sei se
leram, mas não resisto a transcrever alguns números para nos desassossegar:
(...) |
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m2 de
24 de Fevereiro de 2003 |
Tudo
começou com os leões...Acabadas as pinturas de uma parte da nossa casa, o
fim de semana parecia o momento ideal para passar decapante e encerar os
tacos do chão riscado...de joelhos, com cera e esfregão, estava eu
entusiasticamente (!) toda entregue à minha nova tarefa, eis senão quando me
chega um dos meus filhos- em véspera de exames do IB – e me lança uma
dúvida: - “Aqui n’ “ O Velho e o mar”, quando o velho fala nos seus sonhos
com leões, a mãe acha que o Hemingway tinha algum segundo sentido ou
qualquer outra ideia escondida?” (...)
[Comentários](1) |
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m2 de
17 de Fevereiro de 2003 |
Os MadreDeus têm um disco recente,
lindíssimo, em que aparece entre muitas outras, uma canção intitulada
“Oxalá”. A certa altura, ouve-se a voz inconfundível de Teresa Salgueiro
cantar “Oxalá, eu não faça tudo à pressa...” (...) |
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m2 de 9
de Fevereiro de 2003 |
Depois de uma
semana inteira de debates e sondagens em vários locais, a diferentes horas,
sobre guerra-sim-ou-guerra-não? Por que sim? Ou por que não? (aliás
oportunos, devo dizer, só que bastante angustiantes...) – mais as discussões
infindáveis sobre pedófilos presos, pedófilos por prender, pedófilos
presumivelmente pedófilos e possíveis pedófilos presumivelmente inocentes,
confesso que me apetece falar de tudo, menos destes assuntos e por isso,
faço ponto final parágrafo e passo adiante.
Começo pois, por
felicitar vivamente o Sr. Ministro da Educação e a sua equipa, por terem
acabado com o misterioso monopólio da APF como única entidade credora de
confiança para fazer educação sexual neste nosso país! (...) |
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m2 de 2
de Fevereiro de 2003 |
Há quem diga que
o "m2" está a ficar demasiado longo e há quem pense que, contrariamente ao
que fora de início, intenção manifesta, com o tempo, o "m2" se está a tornar
um tanto pessimista e negativo...
A caminho de
um casamento em Cascais, era sobre estes comentários que me detinha e
pensava: mas de que ingredientes "felizes" disponho eu para este próximo
"m2"?
[Comentários](1) |
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m2 de 26
de
Janeiro de 2003 |
...Na verdade,
na véspera, 4ª feira, eu tinha tido a oportunidade de assistir ao magnífico
encontro internacional sobre “Televisão, Violência e Sociedade”, promovido
pela Pro Dignitate em conjunto com a Sociedade Científica da UCP e a
Cinemateca Portuguesa e numa sala repleta de gente até meio da tarde – ao
contrário do que as imagens televisivas terão feito crer a muito boa gente
que lá não esteve! – pude ouvir excelentes conferências e oportunas tomadas
de posição... |
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m2 de 19
de
Janeiro de 2003 |
Depois, verdadeiramente perplexa e um
tanto angustiada ante as diferentes posições quanto à eventualidade de uma
guerra no Iraque e a confusão de razões político-económicas perfeitamente
explicadas pelos nossos brilhantes comentadores, para justificar a
necessidade de atacar, recordo de repente, um livro da minha juventude -
“Olhai os lírios do campo”, de Erico Veríssimo, e não resisto... vou aqui à
estante, pego nele e procuro uma passagem em especial, para transcrever umas
linhas que também hoje, transpostas da ficção literária para a realidade em
que vivemos, me parece fazerem todo o sentido...ora reparem... |
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m2 de 13
de
Janeiro de 2002 |
Hoje, ficar-me-ei
pelo Fórum na TSF.
Sabendo à
partida, que todos estes temas são polémicos, que os consensos não são
fáceis, e que estas questões apenas servem, com demasiada frequência,
infelizmente, para mais um confronto político, gostaria no entanto, de
recordar aqui algumas das interessantes ideias- chave que ali foram
expressas, pelos diferentes intervenientes de distintas linhas ideológicas e
formações sócio - culturais: |
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m2 de 5
de
Janeiro de 2002 |
Hoje é Dia de
Reis, por antecipação. Na verdade, Dia de Reis é 2ª feira, dia 6 de Janeiro.
Já um tanto
cansada de engomar, aliso a última toalha, pouso enfim , o ferro sobre a
tábua e viro as costas à pilha de roupa que ainda me falta passar...
Ponho-me a
pensar no que ouvi, li e vi ao longo deste dia...
Esta manhã de
Domingo foi dedicada à 2ª parte de um mini-curso de actualização de
formadores de Orientação Familiar, levada a cabo pelo CENOFA (Centro de
Orientação Familiar de Lisboa), ali para os lados da Estrela.
(...)
|
| m2 de
30de
Dezembro de 2002 |
A noite chegou
depressa. Junto ao carro parado na estrada do Rodízio, espero por um dos
meus filhos, que para trás ficou à conversa com amigos.
Parece-me que
o tempo parou e não tenho pressa. Que bem me sabe parar! Aliás, faz bem ,
para descobrir o sentido das coisas e das palavras e procurar o mais
importante, que nos foge por entre os dedos, a cada passo...
|
| m2 de
24 de
Dezembro de 2002 |
Sentei-me na
carruagem do metro, cheia de gente. Ninguém dava conta, mas ao meu colo e ao
meu lado levava a minha pressa e o meu “stress”. Fechei os olhos, serenei um
pouco e pus-me a pensar...
Se nesta época
festiva, fosse possível juntar os corações de todos os homens, para formar
um único coração infinito, e depois lhe injectássemos um líquido- o
contraste- para conseguirmos ver os seus recantos mais escondidos, e se, por
fim, lhe pudéssemos fazer uma ecografia gigante, se calhar os resultados
seriam espantosos... |
| m2 de
15 de
Dezembro de 2002 |
Mais um fim de tarde terrivelmente
chuvoso, frio e desagradável. Atravesso as ruas da Baixa, apressada,
carregando sacos, com trabalhos da ACMedia e lindos presentes de Natal,
muitos embrulhos cheios de laços e papel brilhante, mas na verdade muito
cheios de nada... |
| m2 de
8 de
Dezembro de 2002 |
Não sei se já vos
aconteceu, mas às vezes perante a Natureza em todo o seu esplendor, uma
orquestra ou uma voz a interpretar determinada peça de música , uma cena da
vida real, simples e terna, como uma criança a sorrir- nos abraçada ao
pescoço do pai, uma determinada passagem de um livro, ou um quadro
belíssimo, pode acontecer que nos sintamos tão tocados por dentro, que somos
como que arrebatados e transportados alguns patamares acima da nossa
existência normal, lá onde até os olhos, mesmo sem lágrimas, parecem ter
joelhos para ajoelhar em muda comoção.
Foi isso que
me aconteceu esta 5ª feira! Vou-vos contar... |
| m2 de
1 de
Dezembro de 2002 |
Sexta-feira, fim de tarde, prestes a
partir para o Algarve, malas a postos, batem-me à porta., para me dizerem
isto, em resumo: “...e a sua Associação, essa tal ACMedia não faz nada? Não
emite comunicados sobre esta pouca-vergonha toda que os telejornais
sucessivamente vão tratando com pormenores cada vez mais escabrosos? E o quê
que eu vou dizer aos meus filhos?...Daqui a pouco nem o telejornal se pode
ver...!” (...) |
| m2 de
24 de
Novembro de 2002 |
A maré negra
trazida pelo desastre do petroleiro “ Prestige” apossou-se de quase todo o
espaço e tempo da nossa Comunicação Social, ao longo desta semana. Veio
juntar-se aliás, à negrura do panorama político e económico nacional,
tendendo a enraizar em nós tendências depressivas, já de si tão próprias dos
tempos de vacas magras.
Hoje porém,
queria falar-vos de uma outra maré negra, que põe de luto tantas e tantas
famílias, de forma brutal, precoce e inesperada e que a todos nos diz
respeito. (...) |
| m2 de
17 de
Novembro de 2002 |
(...)Entre os
muitos encontros, debates e discursos que caracterizaram a semana, optei por
assistir a parte do Congresso da Prosalis (Projecto de Saúde em Lisboa)
sobre “Estilos de vida e comportamentos aditivos”, e sábado à tarde fui ao
1º Encontro do Fórum para a Liberdade de Educação, que reuniu 1000 pessoas
na Gulbenkian. (...)
[Comentários](1) |
| m2 de
11 de
Novembro de 2002 |
(...)Para
começar, devo confessar que de Arte pouco ou nada percebo, mas em termos
gerais, gosto muito de Pintura. Ontem, contudo, ao pegar no Jornal Expresso,
logo ali na primeira página, alertada por amigos, senti-me tremendamente
dividida entre espanto, tristeza e algum riso... (...)
[Comentários](2) |
| m2 de 6 de
Novembro de 2002 |
As noticias
violentas sucedem – se repetidamente, a um ritmo tão alucinante na linha
ininterrupta dos nossos dias e noites, que às vezes, me pergunto a mim
mesma, se nós, Pais e Educadores, damos conta de como cada vez mais se torna
imprescindível criarmos o bom hábito de por momentos, diariamente, fecharmos
o televisor, o computador e arrumarmos jornais e revistas para, pura e
simplesmente, “ construirmos” a nossa família, conversarmos em família e
“filtrarmos” o que vemos! (...) |
| m2 de 26 de Outubro de 2002 |
Às vezes somos muito injustos na pressa que temos em pôr
"etiquetas" nas pessoas ( como se fossem coisas a catalogar) e no frenesim
ilógico com que passamos a correr, indiferentes, pelas pessoas com quem nos cruzamos nas
esquinas da vida. (...) |
| m2 de 19 de Outubro de 2002 |
Enquanto no nosso país tantos se entretêm, animadamente,
a inventar fontes de conflito, a atirar pedras contra tudo e contra todos, e a
caçar escândalos, diariamente, talvez, quem sabe, só para complicar a
governação do nosso pequeno território, lá fora o mundo continua a
enfrentar permanentes focos de guerra e os temíveis ataques terroristas, loucos, cobardes
e devastadores (...) |
| m2 de 12 de Outubro de 2002 |
Finalmente, hoje, sábado, 12 de Outubro, consigo algum
tempo para escrever! A semana foi cheia e rica de acontecimentos para comentar! Não posso
deixar de me referir a dois, curiosamente, ambos ligados à Igreja: a Canonização de um
novo Santo, em Roma, a 6 de Outubro, e o Congresso Nacional da Família, da
responsabilidade da Conferência Episcopal Portuguesa, que teve lugar em Lisboa e termina
este fim-de-semana em Fátima, com uma Peregrinação das Famílias. (...) |
| m2 de 1 de Outubro de 2002 |
Desta vez, volto a falar de televisão, mais concretamente,
do canal SIC, para elogiar os responsáveis pela escolha do óptimo filme O
Furacão, filme relativamente recente nos nossos écrans, e que aquele canal passou
esta semana (infelizmente a horas um tanto tardias , pois acabou às duas e tal da
manhã!) ! (...) |
| m2 de 24 de Setembro de 2002 |
Depois de uns breves dias muito próximos do céu
sem guerras, nem más-línguas, sem rádio, sem televisão , nem acesso a computadores
regresso à terra, com as baterias carregadas do ar puro das serranias, desejosa de
pôr as obrigações em dia e passo, apressada, o olhar pelas páginas da imprensa. |
| m2 de 10 de Setembro de 2002 |
Os shoppings proliferam à nossa volta para mal
dos nossos pecados, dos nossos bolsos e sobretudo, das nossas mentalidades cada vez mais
consumistas! (...) |
| m2 de 30 de Agosto de 2002 |
Com a efemeridade própria da matéria em geral e das
palavras em particular, correm diariamente rios de tinta para nos fazerem chegar notícias
de todas as partes, algumas reais e verdadeiras, outras falsas e forjadas. É bem curto o
seu tempo de vida e rapidamente jornais e revistas acabam no caixote de lixo,
independentemente da sua qualidade...nós entretanto, ávidos consumidores, vamo-nos
tornando, infelizmente, cada vez mais indiferentes, menos críticos e mais
automatizados... (...) |
| m2 de 21 de Agosto de 2002 |
Enquanto alguns descansam - como é justo, merecido e
necessário - mudando de actividade, e quando possível, de lugar, outros "
descansam" também, mas comendo e bebendo à farta, gastando e gozando sem medida,
noite e dia sem parar, indiferentes a quase tudo que não a sua imagem, o seu ego e o seu
bem-estar pessoal. Muitos porém, não chegam a poder mudar de sítio, nem tão pouco
descansar. E alguns ainda - uma mão cheia de jovens, e não só, universitários e
outros, partem para outras paragens, aqui ou lá longe, levando apenas a sua alegria e
generosidade, para irem ajudar os mais necessitados, construir casas, pintar , arrumar,
ensinar a ler e escrever, cuidar de crianças e velhos, sãos ou doentes... (...) |
| m2 de 12 de Agosto de 2002 |
Um dos mais conhecidos e prestigiados dos nossos jornais
diários publicou, esta semana, uma longa reportagem sobre o "stress" dos
docentes. (...) |
| m2 de 4 de Agosto de 2002 |
Com algum atraso - é verdade! - percorri vários dos
nossos jornais diários e semanais dos últimos dias, procurando informações sobre as
mais recentes viagens do Papa e os seus discursos, mas para meu ( relativo! ) espanto,
pouco ou quase nada encontrei. Em comparação, encontrei por exemplo, inúmeras colunas
dedicadas à novela "Jardel" e às pseudo - notícias, tontas, escabrosas e
ocas, sobre o clima festivo do nosso Algarve em "silly season"... (...) |
| m2 de 27 de Julho de 2002 |
À chegada ao Algarve, primeiro dia de férias, viemos
encontrar um tempo enevoado e fresco, propício à escrita calma de mais um metro
quadrado! (...) |
| m2 de 18 de Julho de 2002 |
Sábado passado, durante a realização em Lisboa, de
diferentes eventos de relevância política, nomeadamente, o Congresso do PSD, no Coliseu,
o encontro no Tivoli, promovido pelos trabalhadores da RTP e o encontro no Centro Nacional
de Cultura, promovido pela Comissão escolhida pelo Governo para a questão do Serviço
Público, tive oportunidade de ouvir na rádio, enquanto me dirigia a Coimbra, uma
interessante entrevista com um conhecido deputado. (...) |
| m2 de 10 de Julho de 2002 |
Há poucos dias recordámos uma data especial para
Portugal: os quatro anos do referendo sobre o aborto, melhor dizendo, os quatro anos da
aprovação do sim ao direito à vida da criança ainda por nascer. (...) |
| m2 de 1 de Julho de 2002 |
21 de Junho, Solstício de Verão,festa da Música em toda
a França, tradição que dura há 20 anos. Música de todo o género, a qualquer hora, em
qualquer canto, em qualquer estrado, na rua, no jardim, praça pública, igreja, teatro...
(...) |
| m2 de 18 de Junho de 2002 |
Não, não vou falar de saber perder, perder com dignidade,
ser humilde na derrota, assumir as verdades incómodas, ou viver a solidariedade e saber
calar nas horas difíceis...mas apetecia-me!(...) |
| m2 de 7 de Junho de 2002 |
Pego no jornal de hoje, 6ª feira, 7 Junho, e penso: -Que
vou comentar? Algum dos vários artigos sobre serviço público (o que os juízes
dizem...o que as duas Comissões vão re-discutir, re-dizer, re-escrever...o que esta e
aquela figura pública vem acrescentar, lançando cada vez mais achas na fogueira?) , o
honroso convite a Carlos Queirós?O Mundial das lágrimas de uns e dos risos e saltos de
felicidade de outros? Os genomas...o céu de Junho...Portugal sem regras para comprar e
vender armas? Não, estou certa que alguém já irá comentar mais este atropelo constante
à vida...e continuo a ler, procurando apenas alguma coisa pequenina que possa passar
despercebida...(Meu Deus, como é complicado optar e fazer a escolha certa!)...por fim
está decidido, é isto mesmo! (...) |
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