Media  e Família

O meu metro quadrado por: Fátima Fonseca (Crónicas de Opinião ACMedia)

[Quero comentar a crónica]

m2 de 20 de Fevereiro de 2006

Regresso finalmente, depois de um mês de Janeiro recheado de acontecimentos, que deixei por comentar, se bem que com a profusão actual de comentários e comentadores, mais um, menos um, não chegue a notar-se a diferença…

Em nossa casa porém, este mês de Janeiro ficou decisivamente marcado por um feliz acontecimento  : o casamento da nossa filha Rita com o seu eleito, Nuno! E um casamento tem sempre muito que se lhe diga, mas descansem! , não vai ser este o tema destes dois últimos m2 em falta, para completar e terminar os 100 prometidos! (...)

m2 de 31 de Dezembro de 2005

Entre Natal e fim de ano acabamos de fazer uma viagem relâmpago à Beira Alta, à velha casa  onde meu Pai nasceu e que sonhamos um dia  recuperar, depois de um abandono de  várias dezenas de anos .

Enquanto meu Marido e meu filho Zé passeavam pelos campos, sentei-me na sala gelada, junto à estante dos livros, onde me perco de cada vez que lá vou. Toda encolhida de frio - estavam dois graus e meio lá fora ! – para  ali fiquei entretida com a leitura de uns pequenos livros de Azorin ( nome pelo qual ficou conhecido o célebre escritor, jornalista e político espanhol da geração de Unamuno, José Martinez Ruiz, 1873-1967).  (...)

m2 de 4 de Dezembro de 2005 Já quase tudo foi dito e redito sobre a recente polémica da retirada dos crucifixos das escolas, de muitas e variadas maneiras, com ironia e graça, ou em tom sério, de que ressalto, entre outros, os comentários de João Bénard da Costa,  Bagão Félix e João Carlos Espada. Disseram  muito, mais e melhor do que me passaria pela cabeça dizer. Contudo, ao pensar nas sombrias razões pelas quais uma qualquer associação desconhecida, entre tantas preocupações válidas com a Educação em Portugal, vai  apresentar uma queixa ao Ministério precisamente sobre a pacífica existência de crucifixos nas paredes das escolas e a vê tão simpaticamente deferida, ocorreu-me contar-vos uma pequena história verídica que li há algum tempo. Julgo que tudo se terá passado na Alemanha, ou na Áustria, no período de reconstrução após a 2ª Guerra Mundial. (...)
m2 de 15 de Novembro de 2005

Em tempos conheci um pintor amador - muito dotado, aliás! - que para não esquecer as cores e imagens que mais o inspiravam, andava sempre de bloco-notas e caixa de lápis –de - cor no bolso, para assim poder anotar o que mais tarde queria passar à tela.

Também eu vou registando, aqui e ali, pequenas ideias ou histórias reais, que mais tarde me servirão de tema. O problema é que, como anoto em papéis soltos e diferentes agendas, acabo por me esquecer delas e quando as redescubro, muitas vezes já perderam a actualidade…

m2 de 26 de Outubro de 2005

( Amigos, nunca mais vos escrevi e hoje, alguém me perguntou porquê! A razão é simples: inesperadamente, voltei a dar aulas na escola e o tempo esgueira-se-me facilmente…Volto porém, à minha meta “secreta” inicial : escrever 100 crónicas. Sem promessa de datas certas, procurarei chegar à meta!!! Recomeço agora! Espero que me desculpem  um  silêncio tão prolongado… )

Passava na rua um destes dias e uma vez mais me cruzei com ele : de pé, encostado à parede de um prédio novo, cabelos em pé, sempre crespos e desalinhados, barba longa, sorriso indefinível, andrajoso, grande, um ar embrutecido, sujo, sempre de vinho na mão, quando não deitado a coçar-se ou a dormir na calçada como um animal desprezado. Todos o vêem. Todos o vemos. Desta vez , olhava o copo de plástico atentamente, cheirava-o e bebia-o com uma imensa voracidade.

m2 de 15 de Setembro de 2005

De pé, junto ao fogão, vou mexendo com uma colher de pau, lentamente, o doce de ameixa e pêssego que pus ao lume. E vou pensando: estas ameixas e estes pêssegos, tão bonitos por fora, mas que nunca amadurecem…são mesmo péssimos! Será que em doce se tornarão mais comestíveis?

 E quase sem querer, ponho-me a pensar em tantos jovens, rapazes e raparigas, também eles bonitos por fora, mas completamente imaturos por dentro, que diariamente tostavam ao sol, entre telemóveis e cremes, com um ar inútil e enfastiado, nas praias por onde passei. As suas preocupações pareciam sempre as mesmas, a partir da hora tardia em que se levantavam para fazerem praia : o culto do corpo, as roupas, as boleias, as saídas à noite, os namoros…Não, a culpa não é deles, é dos pais, é nossa…e quero falar deste tema no “ meu metro quadrado” de hoje…(...)

m2 de 17 de Julho de 2005 Nos primeiros dias de Julho, ouço na rádio, TSF, ao fim da tarde, em dias diferentes, notícias da seca e incêndios que atormentam Portugal e programas que me provam, o que estou sempre a dizer aos meus filhos: “...é que a vida não é uma gargalhada permanente!” (...)
m2 de 30 de Junho de 2005

Encontrei-a por acaso, ao entrar numa tabacaria. Vi uma pessoa, de bata azul, a varrer o chão, de costas para mim, pedi-lhe com licença, mas só depois a reconheci pelo seu sorriso gaiato, inconfundível. Passaram muitos anos, quase a perdi de vista, tem agora a cabeça toda branca, mais pelos problemas do que pela idade.

Ali ficámos, sem que eu tivesse coragem de lhe falar da minha pressa. (...)

m2 de 31 de Maio de 2005 Conheço, há vários anos, um homem bom, honesto, discreto, inteligente e corajoso, casado, pai de família e professor universitário, que resolveu pegar em livros de “Educação Sexual”, analisar manuais e linhas orientadoras, gastar o seu tempo ( livre) para fazer um trabalho profundo, honesto e isento, e assim poder falar. E vai daí, começou ele a dizer e a provar, desassombradamente, que “ o rei vai nu” a propósito da Instrução Sexual, dita “Educação”, que anda por aí a ser feita em muita escola sob a determinação do Ministério da Educação, ao sabor do gosto e apetência pelo tema por parte de alguns professores, previamente “preparados”(?) ao que parece, por uma associação famosa e poderosa. E tudo isto, independentemente de os pais concordarem ou não, conhecerem ou não, o que está a ser dito e feito com os seus filhos, e aceitarem ou não, serem substituídos em matéria tão nitidamente da sua esfera de responsabilidades… (...)
m2 de 5 de Maio de 2005 Estava mesmo a precisar! Retirei-me por isso, por uns dias, para o coração do Alentejo, lá onde o tempo passa mais devagar, onde os carros só se ouvem vagamente, no intervalo do canto dos melros, das rolas e cucos, lá onde  entre espigas e papoilas coloridas passeiam vagarosos bichos-de-conta  e se afadigam formigas enormes. No dia do regresso, virando as costas às velhas muralhas do castelo e ao moinho  no alto do monte, demorei-me ainda um pouco, com algumas amigas, junto de uma pequena ermida, de visita a uma lindíssima imagem, cópia da Virgem de Quito.  (...)
m2 de 18 de Abril de 2005

Quase todos os olhares parecem neste momento voltar-se para Roma, esperando a grande decisão, que como é natural e compreensível, interessa a todo o mundo em geral, mas aos católicos, em particular.

Enquanto esperamos porém, não consigo perder tempo com palpites políticos e estratégicos sobre o perfil do novo Papa. Estou certa de que esta não será uma eleição eminentemente norteada por critérios humanos, pelo que será eleito aquele que – por intervenção de Deus –  estiver em melhores condições para bem governar a Igreja.

Em contrapartida, aqui em Portugal, outros olhares parecem afastar-se do que se passa em Roma, procurando talvez aproveitar exactamente esta onda de emoção que  nos tem galvanizado, para a coberto dela, rápida e habilmente legislarem sobre matéria altamente fracturante e avançarem com decisões extremamente graves, nomeadamente no campo da defesa da vida. (...)

m2 de 3 de Abril de 2005 O Papa João Paulo II partiu, ontem, dia 2 de Abril, sábado, pelas 20.37 ( hora de Lisboa), para a Casa do Pai, depois de uma longa e lenta agonia. (...)
m2 de 24 de Março de 2005

Talvez alguém se lembre ainda, que na semana passada, vos confessei a minha vontade de vos escrever sobre  outras coisas. Por isso aqui estou, com este “ m2” de Páscoa ! 

Achei graça e deixei ficar pendurado no candeeiro da nossa sala,  um mobile de barro ( daqueles que tilintam com o vento) ,  que uma das jovens de Taizé nos ofereceu em Dezembro último, como recordação da passagem por nossa casa de três lituanas, vindas de Vilnius. (...)

m2 de 17 de Março de 2005

Tinha tantas coisas para vos falar, hoje! Paciência, terei de encurtar os assuntos...

Falemos então da belíssima ilha da Madeira, onde fui em viagem relâmpago, em nome da ACMedia, com representantes do Instituto do Consumidor e Fenacoop, participar num  interessante  Seminário, a  propósito do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, organizado pelo Departamento de Defesa do Consumidor,  da Secretaria dos Recursos Humanos do Governo Regional da Madeira. Deixem-me que vos diga que não podíamos ter sido melhor acolhidas pelos madeirenses, nem melhor recebidas pelas várias entidades, em especial pela  eficiente e jovem Directora, Dra Fernanda Botelho. (...)

m2 de 1 de Março de 2005 Uma das  vantagens de uma gripezita  é ficarmos em casa e descobrirmos inesperadamente, mais tempo para ler, para arrumar papéis, e entre duas sestas, aproveitar até algum programa de TV interessante. (...)
m2 de 15 de Fevereiro de 2005 Tinha iniciado já um “m2” completamente diferente, mais atento às eleições que se aproximam, quando os últimos acontecimentos me “empurraram”- na verdadeira acepção da palavra- a escrever o presente. (...)
m2 de 30 de Janeiro de 2005 ...conheci a Margarida, largos anos vão passados, numa inesquecível viagem a bordo do “Príncipe Perfeito” nas águas do Mediterrâneo. Ela era então uma jovem de vinte e poucos anos, morena, elegante, lindíssima, no seu uniforme de hospedeira de uma conhecida agência de viagens. Filha única, solteira, uma simpatia, a todos acolhia com o seu magnífico sorriso. Tempos depois, soube que  tinha casado com um estrangeiro e esperava um bebé, para alegria de todos. A tragédia porém, em breve lhes bateu à porta, num terrível acidente. (...)
m2 de 31 de Dezembro de 2004

Chegara finalmente o Grande Dia !

Joana quebrou o porquinho de barro, contou ansiosa, moedas e notas, juntou tudo no envelope que a mãe lhe tinha posto no sapatinho, junto ao presépio, no dia de Natal, e às nove da manhã já estava a bater à porta do quarto dos pais, toda vestida e arranjada, para irem às compras, conforme o prometido. (...)

m2 de 21 de Dezembro de 2004 Num tempo simultaneamente de louvores e duras críticas à comunicação social, provenientes de diferentes sectores políticos e não só, pelo seu incontestável papel de relevo no que toca à descoberta de verdades, erros e injustiças, mas também, entre outros motivos, pelo desgaste contínuo de instituições e pessoas, permanentemente submetidas a invulgar “bombardeamento”, fui encontrar no Montepio Geral, numa revista da própria instituição, uma interessante entrevista com a Profª de Economia, Doutora Manuela Silva, intitulada “Em defesa da globalização regulada, da cidadania e da solidariedade”.  (...)
m2 de 1 de Dezembro de 2004

Aproxima-se o Natal e os preparativos exteriores aí estão à vista ! Sinais de festa nas montras e nas ruas por todo o lado. Por dentro porém, não parece haver festa no coração inquieto de muita gente !

Escrevo-vos junto à lareira, numa destas noites frias, aqui perto do mar, na Praia das Maçãs. No meio da profusão de surpresas, confusões e incidentes que pateticamente têm caracterizado a vida política portuguesa dos últimos tempos, em que igualmente abundam comentários, especulações, juízos e críticas demolidoras, acompanhadas de perversas lutas pelo poder, eu cá , continuo na minha. Prefiro comentar e dar-vos notícia do que poucos, ou nenhuns comentam ou noticiam. E abro a minha agenda e recordo o itinerário das últimas semanas: Braga, Porto, Beja., Coimbra. (...)

m2 de 15 de Novembro de 2004

Tudo se passou num ápice, pelo menos assim me pareceu, mas vou contar-vos:

Era aquela hora “H”, tão especial em cada manhã...meu Marido e meus filhos já tinham saído de casa, o silêncio e a calma pareciam ter voltado. Sentei-me, a tentar separar mentalmente, o urgente do importante. Meu Deus, tanta coisa para fazer! Por onde começar? (...)

m2 de 1 de Novembro de 2004 Este é aquele tempo em que habitualmente recordamos com mais tristeza, os nossos mortos queridos, sejamos, ou não, pessoas de fé. Hoje porém, e por contraste, não posso iniciar este m2 sem vos dar a conhecer a enorme alegria que invadiu a nossa família, pelo facto de termos mais um bebé entre nós! Com efeito, uma nova vida traz geralmente consigo, uma alegria difícil de ocultar , e aqui em casa acabamos de ser avós pela 2ª vez, desta vez de um rapazinho... (...)
m2 de 15 de Outubro de 2004

O contraditório, o contraditório...o contraditório?!!! ( onde é que eu já ouvi falar disto nestes últimos tempos???) . Ah, “ O Princípio do Contraditório”, pois !

Mas enquanto todos falam disso e dos porquês do mais famoso comentador de televisão dominical que bateu a porta e se calou de repente, ao fim de quatro anos e meio de ácidos e argutos comentários com que mimou diferentes Governantes e todo o panorama político da esquerda até à direita,  passando pelo centro, eu cá, se não se importam, antes queria falar de outros “contraditórios” - por que não chamá-los assim? - uns contraditórios de que ninguém fala... (...)

m2 de 1 de Outubro de 2004 Na televisão muito se tem falado, ultimamente, em “ celebridades”, o que , - convém distinguir!- não é o mesmo que pessoas célebres. Celebridade neste caso, rima bem com efemeridade, característica desta frágil fama  que normalmente rodeia certas personagens forjadas pela nossa sociedade mediática  num perfeito jogo de ilusões e aparências. (...)
m2 de 15 de Setembro de 2004 Ultimamente tenho recebido uma série de “mails” com pedidos de ajuda muito imaginativos, vindos de África, na sua maioria da Nigéria e  Costa do Marfim. Assinados por diferentes personagens- de solicitadores, a viúvas e filhos de  ex-governantes - relatam sempre histórias rocambolescas e  extraordinárias, de fortunas escondidas pelos defuntos ou depositadas em seguradoras e bancos europeus, e pedem – me que os ajude a recuperar o dinheiro, a que têm direito, prometendo-me generosa recompensa. Basta que lhes responda ! Imagino o vosso sorriso, pois certamente não serei a única a receber estas missivas... (...)
m2 de 1 de Setembro de 2004 Não é possível ficar indiferente, fechar os olhos, olhar para o lado, ou simplesmente mudar de canal, perante a tragédia que se abateu sobre os habitantes da pequena cidade de Beslan, na província de Ossetia do Norte, na Rússia. (...)
m2 de 15 de Agosto de 2004 Trocado o computador pelos tachos e panelas, máquinas de roupa e sucessão natural de tarefas domésticas sempre inacabadas, as férias de verão em família, sobretudo numerosa, -  esteja ela onde estiver, à beira-mar, no campo ou na cidade - acabam por  gerar uma certa confusão e mudança de horas e rotinas ! Necessariamente com consequências também na simples elaboração destas pequenas crónicas... (...)
m2 de 1 de Agosto de 2004

Julho e Agosto, tempo de férias para alguns, mais trabalho para outros, mas sobretudo, tempo de partidas e chegadas, encontros e desencontros, casa cheia, casa vazia.

A Irina também partiu. Finalmente chegou o grande dia tão ansiosamente esperado! Irina Proswirnina, russa, imigrante, empregada doméstica em Portugal, mãe da Anastasia, de 8 anos, casada com um mecânico de automóveis, a trabalharem e a viverem numa espécie de contentor ali para os lados do Aeroporto, finalmente regressaram ao seu país, após 3 anos de intensa labuta, sacrifício e muita saudade. (...)

m2 de 15 de Julho de 2004 A face mais visível do nosso estranho mundo português mudou subitamente, de um extremo e quase infantil entusiasmo, louco, obsessivo, alegre e congregante, em torno do Euro 2004, para uma nova imagem fracturante, fratricida e violenta, em redor do imbróglio político da sucessão de Durão Barroso. (...)
m2 de 29 de Junho de 2004 À semelhança do resto do país,  em todo o meu bairro não se falava de outra coisa ( antes da nova confusão com a recente decisão do Dr Durão Barroso)! Devo confessar que inicialmente, também eu era das vozes contra, mas tive de me render à evidência positiva e eu própria acabei por ser contagiada... Refiro-me ao Euro 2004,  claro! (...)
m2 de 12 de Junho de 2004 Um jornalista não pode atrasar trabalho. Um jornalista tem de lá estar, no local do acontecimento, se possível, com aquela intuição que lhe deve ser peculiar, ainda antes do acontecimento, ou quando muito logo após, mas sem atrasos, quando não, alguém chega primeiro e se apossa do material, a notícia! (...)
m2 de 21 de Maio de 2004

(Sei que vos devo dois m2- o de 1 de Maio e o de 15 de Maio- e sobretudo uma explicação!)

Era o dia 1 de Maio de 2004. Levantei-me muito de mansinho, para não acordar ninguém, vesti o roupão, tomei um café e sentei-me ao computador. Não queria barulho e preparava-me para me lançar a fazer um texto de imediato, rés-vés ao coração, para que nada se interpusesse entre sentir - pensar - escrever. Queria começar por falar- vos daquela corajosa viúva, professora, mãe de família numerosa, cuja filha de 21 anos - não menos lutadora e valente!- está doente e internada com uma leucemia aguda. E queria pedir a todos quantos me lêem uma cadeia de oração, e a quem não crê neste poder, mas se quiser solidarizar, uma cadeia de “pensamento positivo”... (...)

m2 de 15 de Abril de 2004 Acabo de ler no jornal “ Público” uma interessante entrevista com a Drª Margarida Neto, Comissária para os Assuntos de Família, a propósito da subida de 46% da taxa de divórcio, em Portugal, em 2002, em que a mesma era justificada como uma espécie de “ inevitabilidade relacionada com a nossa forma de viver e com a forma como fomos banalizando o divórcio, e de certo modo, o casamento.” (...)
m2 de 31 de Março de 2004 (...)Sim, falo-vos do filme de Mel Gibson, que fui ver há poucos dias com duas das minhas filhas. Entrou-me pela vida adentro, devo reconhecer, e tornou – me a Via Sacra muito mais presente nestes últimos dias. De um modo quase incómodo, mas doce ao mesmo tempo, a Via Sacra está insistentemente aqui. É uma sensação estranha, mas parece distrair-me frequentemente das actividades que vou tendo em cada momento. Como se me distraísse do mundo. E assim, ao ligar os noticiários e ao ouvir discussões acaloradas por causa  dos deputados, das leis e dos abusos, por causa da Bombardier e dos sem-pão, por causa dos táxis, das ambulâncias, da segurança e das greves durante o Euro 2004 que se aproxima...de repente, o que me parece é o barulho da multidão a acusar Jesus...e Ele, silencioso, no meio deles, no meio de nós... (...)
m2 de 15 de Março de 2004 Às  vezes ela aparece aí, de mansinho, quase inadvertida. Bate à nossa porta, não a ouvimos, mas instala-se sem pedir licença, no meio da nossa actividade e em quaisquer circunstâncias, e aos poucos, com mais ou menos protesto, acabamos por aceitá-la e com ela convivemos, com maior ou menor naturalidade. Sabemos que é e será sempre assim , em todos os tempos. É o nosso fim natural, mas para poucos, será fácil conviver com ela. (...)
m2 de 2 de Março de 2004 Aguardo luz verde, junto ao semáforo da minha rua, e embora sabendo que é urgente escrever sobre o recente Congresso “Pais no séc XXI- um desafio a vencer !!!” , sinto-me ainda demasiado dispersa para começar a escrita... e pouso um olhar distraído na tabuleta da tasca da esquina , onde se lê em letras grandes  -  “ Hoje:  Pézinhos de coentrada”, ( ai, os famigerados “pézinhos e  mãozinhas” que a minha mãe tão sabiamente nos fazia provar e que eu tanto detestava, quando era pequena! Aquilo é que era saber educar!). Logo a seguir, vejo um enorme “outdoor” anunciando uma peça de teatro com referência a qualquer coisa como nove dedinhos (?)e do outro lado um pé enorme segurando entre os dedos um telemóvel para divulgar o sistema  de falar sem mãos. (Olho para as minhas mãos geladas e enrugadas, e de imediato me lembro do belo conto de Trindade Coelho(?) sobre “As mãos “ queimadas e cheias de cicatrizes da mãe que salva o filho das chamas....lá estou eu em plena divagação...).(...)
m2 de 15 de Fevereiro de 2004

A Sida cresce em Portugal? “ -Ah! É tudo por falta de Educação Sexual...!”

Os jovens portugueses não ligam e continuam com comportamentos de risco? “- Dêem-lhes Educação Sexual...!”

Os Portugueses têm uma das mais altas taxas de gravidez na adolescência? “- O que faz falta é Educação Sexual nas escolas ...!”

O aborto é um flagelo em Portugal? “- Então mude-se a lei e...Educação Sexual já! Aborto?! Oh ,filha, claro que o aborto é uma coisa horrível, mas quem é que se preocupa com isso? Olhe, nos outros países já nem se fala nisso! Nós é que estamos sempre atrasados! A Educação Sexual é que é preciso ...!”  (...)

m2 de 31 de Janeiro de 2004

À porta da Universidade Católica, no final de mais uma manhã de sábado, depois das aulas, ficamos em pequeno grupo a trocar impressões. A conversa , como não podia deixar de ser, acabou com o tema que mais perturbou o recente quotidiano nacional. Uma colega, dizia-me, à despedida :-“ Tens de falar sobre isto no teu metro quadrado...”

Já adivinharam- claro!- mas mais do que comentar a impossibilidade de ficarmos indiferentes à morte inesperada de um jovem jogador na pujança da vida, em pleno campo de futebol, e à torrente de emoções que se apossaram de todos quantos assistiam ao jogo, queria antes referir-me ao choque que representa o lado visível desta morte em concreto e a reacção  emocional natural, multiplicada pela pressão dos meios de comunicação, permanentemente repetindo as mesmas cenas e despoletando uma imensa onda de comiseração. (...)

m2 de 15 de Janeiro de 2004 Caminho rua fora nesta nossa cidade e ao virar a esquina vejo três raparigas novas à distância,  que vêm na minha direcção. Falam e riem alto, com aquela garridice tão própria destas idades, que logo chama a atenção. Já mais próximas, reparo, por baixo dos guarda-chuvas abertos, como são frescas, vistosas, elegantes e bonitas. De pastilha elástica na boca, umbigo ao léu e roupas demasiado reduzidas apesar do frio e da chuva, passam por mim provocantes, na sua quase insolente sensualidade...por pouco não esbarram comigo e sou obrigada a ceder-lhes passagem, deixando-lhes entregue todo o estreito passeio. Sinto-me  psicologicamente agredida, atropelada no meu “declínio etário” natural , como se as minhas rugas, os meus cabelos brancos e os meus quilos a mais, habitualmente tão confortáveis e bem tolerados, de repente  se pusessem todos de cabelos em pé!!!( Será inveja, ou nostalgia?  Pena???...). (...)
m2 de 30 de Dezembro de 2003

É o tempo de que mais gosto :  Natal! Está um tempo maravilhoso e estou onde mais gosto : na Praia.   

  Porém, de vassoura em punho, ando pela casa a fingir que limpo, cansada, aborrecida e sem vontade, a limpar os intermináveis restos dum dia de Natal em família alargada.

  Ninguém em casa, só eu. Lá fora , faz frio neste lindíssimo dia de Inverno! O sol brilha, o céu muito claro e azul sem mancha, aqui e ali apenas o risco branco de um avião, e o cheiro a pinhas, lenha e  maresia, tudo convida a passeio no pinhal. Saio, a ver se passa a dor nas costas, dou a volta à casa, respiro fundo a aragem fina e fria , e resolvo arrumar a vassoura ...já sei, vou até à cabeleireira cortar dois dedos de cabelo... (pode ser que fique com melhor disposição! Sei lá porque estou aborrecida ? Há dias assim...até me aborreço comigo própria por estar aborrecida...). (...)

m2 de 15 de Dezembro de 2003 Abro a caixa do correio, à chegada a casa, como de costume, mecanicamente, enquanto vou cantarolando a música dos Tribalistas, “Velha Infância”( que confesso, me “apanhou” por completo!). Entre o correio habitual da época encontro um enorme envelope de correio azul, cuja letra incerta, difícil e torta, logo me denuncia a sua proveniência ! Lá dentro vem um pequeno cartão de Boas Festas,  com um presépio, todo escrito nos quatro lados, com aquela inconfundível caligrafia, que guardo intacta na memória! É da G., eu sei, e nem precisaria de ler o remetente! Lá está! (...)
m2 de 30 de Novembro de 2003

Quero dormir e não consigo... A pressão dos últimos dias de preparação do Congresso na Universidade Católica, agora terminado, ainda perdura. Mentalmente vou passando o filme dos acontecimentos recentes...

Na verdade, o mínimo que vos posso dizer é que este fim -de- semana foi particularmente frutuoso do ponto de vista “alimentar” !!! (...)

m2 de 15 de Novembro de 2003 As rajadas de vento dobram chapéus de chuva e levam tudo pelo ar. À esquina da Duque de Ávila, cruzam-se os cheiros de que tanto gosto : café acabadinho de moer numa loja antiga, e  castanhas a assar , no carro do vendedor ambulante. Paro para respirar fundo os cheiros de Outono e sou apanhada  por uma chuvada inesperada , enquanto um outro banho de preocupações se abate sobre a minha cabeça molhada: ...terás algum estudo sobre  programação infantil de televisão   para uma reunião de pais lá na escola  ?... tenho de encontrar alguma coisa... mas onde é que eu pus aquele interessante estudo de uma jovem da Universidade do Minho? E quando é que  na nossa  ACMedia  conseguiremos  voluntários para acompanharem de perto os desenhos animados? Estamos sempre à espera dessa pequena ajuda...era só ver com uma intenção  mais pedagógica...qual é a dificuldade? Será que não se arranjam uns pais, avós ou tios que vejam desenhos animados com os seus  pequeninos? ... (...)
m2 de 30 de Outubro de 2003 Estou ao computador. Sobre a mesa misturam-se alguns dos vários temas possíveis para hoje: os dramas vários dos DLD ( Desempregados de longa duração), dos DCE( Desempregados com esperança) e dos DSPE( Desempregados sem ponta de esperança ), a quem distingo pelo olhar vazio e pelo vaguear nas ruas, pela avidez com que lêem os anúncios de jornal e pela forma como estão sentados à mesa de café, ou nos bancos de jardim ; a necessária avaliação de vários produtos da Comunicação Social, entre eles e com inesperada urgência, a incrível capa e história de “gays” da última revista “Única”, pertença – pasmem só! - do Expresso ( “até tu...?!”), por favor, se como eu vos indigna esta história num jornal com tanta responsabilidade e fama, digam do vosso desencanto...não fiquem calados!!! (...)
m2 de 15 de Outubro de 2003 Esta é uma semana cheia de motivos de alegria para muitos, sobretudo para os homens e mulheres de boa vontade! Por isso, apesar das catadupas de informações em que nos afogamos diariamente, em geral mais negativas do que positivas, esta semana as manchetes de jornais e os noticiários farão obrigatoriamente uma pausa para dizer bem do Bem! E por diferentes e boas razões ! (...)
m2 de 30 de Setembro de 2003

“...não tens nada que fazer? Então escreve o teu m2!”

 Hoje, dia 30 de Set º, cheguei a casa sem vontade de escrever, mas eu bem sei que é dia de o fazer.

 Ao longo de quinze dias, entusiasmada, fui recolhendo material vário: a ida à Figueira da Foz, ao Encontro da AORN( Associação de Oficiais da Reserva Naval), onde pude ouvir magníficas intervenções sobre o futuro de Portugal e o papel do Mar, de que logo destaquei a do prof Ernâni Lopes e a do Alm.te Vieira Matias; depois,  a publicação sempre discutível e bombástica, dos resultados das escolas e acessos às universidades, mais a questão dos passeios de helicóptero ( pobres bombeiros! Ainda há bem pouco eram uns heróis nacionais, todos eles o máximo e agora já são todos péssimos, corruptos e mais não sei o quê...mas será que já se esqueceram de que “ por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera”? Porquê esta terrível mania de dizer mal das instituições de cada vez que os  homens falham???). Continuemos então:  também pensei falar-vos num outro recente encontro em Almargem-Quarteira, com um  grupo de Mães  desejosas de reunir regularmente com seus maridos e outros casais para aprofundarem de forma sistemática diferentes temas de Educação com ajuda do Centro de Orientação Familiar de Lisboa... (...)

m2 de 15 de Setembro de 2003 Vou falar-vos da Paula. Estou certa de que ela não se importará que vos conte a sua história, que não vem nos jornais, nem passa nas televisões e por isso de poucos será conhecida. Como sempre, lá estava ela à porta do supermercado, de camisola e boné amarelo, a vender a revista Cais. Conheço-a há muito, sempre simpática e franzina, ainda que um tanto precocemente envelhecida, para os 42 anos que tem. Só hoje, porém, lhe falei, talvez por ser este um dia especial para mim. (...)
m2 de 30 de Agosto de 2003

Então, viram Marte? Foram espreitar por algum dos telescópios disponíveis?

“Até a minha neta Marta quis ver Marte ...” dizia-me, na sua cama de hospital, a minha amiga Isabel, toda animada, embora acabada de sair de uma inesperada operação – “e  foi de propósito a Tavira, mas parece que só viu uma bolinha encarnada muito brilhante...”. (...)

m2 de 15 de Agosto de 2003

(Se não falasse de fogo, todos estranhariam, por certo...mas como falar, sem vos enfastiar, do que todos falam, ouvem, vêem, lêem, e muitos sentem de forma mais intensa porque o sofrem na própria pele, o enfrentam, temem e choram...?)
De programa em programa, na rádio, nas televisões e nos jornais, o fogo, em toda a sua dimensão, destruição e tragédia, tem sido na verdade, o tema glosado de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Uma onda de aflição, espanto, indignação e solidariedade vai varrendo todo o país, de norte a sul, de este a oeste e passando além fronteiras. (...)

m2 de 30 de Julho de 2003 Recosto-me e penso nas palavras que acabo de encontrar ao arrumar uns papéis, ditas por Martin Luther King, e que copiei há algum tempo, num interessante Encontro da Rede de Educação do Consumidor, a propósito de comércio justo - “ Ao acordar tomamos café sul-americano ou chá chinês, ou mesmo chocolate africano, ( e assim) antes de entrarmos no ( nosso local de ) trabalho já estamos em dívida com metade do mundo”. (...)
m2 de 15 de Julho de 2003 Quando eu era pequena o tempo passava tão devagarinho na minha vida e na minha rua, que dava por mim, frequentemente, aborrecida, a espreitar pela janela, os poucos carros que então passavam, imaginando formas de crescer depressa, saltar o portão do jardim e descobrir o mundo enorme lá de fora para conseguir um dia, enfim, encher os meus dias de coisas novas e viver aventuras imensas. Só o escuro me metia medo a sério!(...)
m2 de 30 de Junho de 2003

Entro em casa, finalmente. Trago música nos ouvidos e na alma.

  Acabo de ouvir na Antena 2, a repetição de uma gravação de um magnífico concerto de Beethoven, pelo pianista Sérgio Varela Cid, em 1970, no Tivoli, em Lisboa, no segundo aniversário do nascimento do célebre compositor alemão - concerto em Dó Maior, nº 1, opus 15.

  Diante de mim, vejo a louça toda por lavar! Não pode ser! Felizes, no quarto ao lado, com o computador em altos berros, os meus filhos mais novos também ouvem música...“ as meninas da ribeira do Sado...” e cantam, alegremente, divertidíssimos, a plenos pulmões. (...)

m2 de 7 de Junho de 2003

Meus Amigos conhecidos e desconhecidos :

  Um ano a escrever-vos regularmente, quase todas as semanas, procurando descobrir e destacar nos meandros das notícias e acontecimentos, alguma coisa de bom, mesmo que pouco visível, era a minha meta ... e por isso, hoje, dia 7 de Junho, um ano volvido de escrita com algumas falhas na pontualidade, - é certo! - seria tempo de balanço e despedida, tudo terminaria e esta coluna deveria ser substituída por outro texto, outra pessoa, outros objectivos e outro estilo...

  A verdade, porém, é que criei o hábito e o gosto ( por que não dizê-lo?) e sinto-me com alguma responsabilidade, e não tendo ainda conseguido entusiasmar ninguém a prosseguir, continuarei a escrever “o meu m2” ( valerá a pena? Só os leitores o poderão dizer com isenção!?)...só que, com algum realismo mais e reais dificuldades de tempo, passarei a fazê-lo apenas de quinze em quinze dias ! peço-vos desde já ,desculpa !...

m2 de 23 de Maio de 2003

  Recém-chegada do Algarve, largo o volante, pego na mala, entro em casa e, sem mais delongas, atiro-me vorazmente, à escrita, ciente que estou de mais um novo atraso... O mês de Maio, com efeito, aproxima-se rapidamente do fim e, ao contrário do trocadilho engraçado que ouvi ao Carlos Magno, numas “Palavras Cruzadas” da TSF, citando alguém que dizia “ O mês de Maio resume-se em três frases: Muita gente vai a Fátima. Fátima vai para o Rio. Rio não vai a Sevilha”, a mim parece-me que há já notícias em excesso para tratar...

m2 de 12 de Maio de 2003

Tenho um desejo imenso de abordar convosco, no dia de hoje, diversos temas. Forçosamente, será pela rama, não só por respeito pelo vosso tempo, como também pelo formato previsto para estes “m2”, que idealmente deveriam ser sempre curtos, breves e simples...

  Desculpem pois, esta aparente salada de frutas, feita de muitos bocadinhos soltos. Agora porém, reparo que não há frutos azuis – ou já haverá em laboratório e eu não sei? - e preciso de falar em azul, portanto em vez de salada de frutas , tentarei um quadro moderno – minimamente inteligível, espero!- feito de pinceladas ligeiras e multicolores!  (...)

m2 de 2 de Maio de 2003

Em tempo de feriados e pontes, Lisboa fica mais serena, mais apetecível e bonita para aqueles que cá ficam. É o tempo da redescoberta de velhos jardins, da travessia calma de grandes avenidas e da visita (mesmo que só por fora) às casas onde já morámos. É um curto e doce tempo de recordações.

  Mergulhada nestes e noutros pensamentos, passei semi-distraída, por ele, duas vezes. Sentado de pernas cruzadas, no chão do átrio do banco, sorria, fleumático, empunhando a garrafa de cerveja, que o deliciava. Estava negro de sujo, o cabelo e a barba num desalinho igual ao das suas roupas de dormir na terra e vaguear pelas ruas.  (...)

m2 de 24 de Abril de 2003 Quer queiramos, quer não, sejamos crentes , ou não, e por mais distraídos que andemos, a Paixão e a Páscoa interpelam-nos todos os anos. Podemos fazer de conta que só vemos ovos, folares e amêndoas...  a cruz porém, está lá. (...)
m2 de 15 de Abril de 2003 Sabem o que é “dois em um”? Não, não é isso que estão a pensar: shampoo e acondicionador num só. Também não é ser Mãe de Família e Profissional a tempo inteiro. “Dois em um”, neste caso, é apenas aquilo que vou tentar fazer, hoje, depois de ter tido outras prioridades inadiáveis, que me retiraram tempo para o “m2” semanal (mas será que alguém deu por isso???)....as minhas desculpas! (...)
m2 de 30 de Março de 2003

Era sábado e seguíamos no carro, debaixo duma chuva diluviana, como se o céu chorasse de pena, lágrimas sem fim, por causa dos erros dos homens. Ou como se a Primavera se arrependesse de nos alegrar com o seu calor, as suas cores, música e perfumes, quando em outras partes reina o inferno da guerra.

Levávamos o rádio ligado, para ouvir notícias. De repente, a locutora da Rádio Renascença, anunciou ter em estúdio, três deficientes, a quem iria entrevistar, recordando que estamos no Ano Internacional do Deficiente. (...)

m2 de 24 de Março de 2003 Sentada no carro, perto da porta do supermercado, espero, ouvindo notícias. Sempre as notícias. Escuto, triste e atentamente: “...guerra cirúrgica... reduziremos ao mínimo os efeitos colaterais,... progressos rápidos”...Sei como as palavras são enganadoras e parecem querer distanciar-nos da verdadeira realidade que é a Guerra. À minha frente, um rapaz novo, moreno, de gel no cabelo, olha para mim e ri muito divertido, com o que vai ouvindo no seu auricular, sentado ao volante de uma enorme camioneta, que transporta em cima uma escavadora. A camioneta está atravessada no meu caminho, como se a realidade dele se cruzasse com a minha. E é verdade, só que ambos escutamos realidades diferentes.  (...)
m2 de 17 de Março de 2003 Em letras grandes, por toda a parte, as notícias são de Guerra...a imensa confusão de argumentos pró e contra, a divisão entre pacifistas (por uma questão moral e religiosa, por convicção, por comodismo, por medo, por razões políticas e ideológicas...) belicistas ( porque acreditam que a segurança da Humanidade está mesmo em perigo, porque defendem o eixo Atlântico e os nossos aliados de sempre, porque se lembram de que também Hitler não foi travado a tempo e aconteceu o que aconteceu!...porque o petróleo importa muito...) e os confusos, muito confusos, entre tantas razões sem Razão, incapazes de tomar partido ou de compreender o mundo dos nossos dias ! (...)
m2 de 11 de Março de 2003 (...)Queria referir-me em especial à data acabada de celebrar – 8 de Março, Dia da Mulher ( com muita graça, a propósito, dizia a escritora Rita Ferro, ontem, no pouco que consegui ver do programa de televisão, RTP I, “ Prós e Contras” , que não compreendia como não festejávamos também o Dia do Homem, pois de outro modo até parece que a Mulher é assim uma espécie de coitadinha em vias de extinção como as focas ou os linces da Serra da Malcata...AH!AH!AH! ) (...)
m2 de 3 de Março de 2003 (...) No final desta história, fui à procura de um outro artigo que lera há pouco tempo, num Notícias Magazine de domingo ( 23 Fev.º ), sobre a campanha de solidariedade "World Food Programme" das Nações Unidas em colaboração com a Benetton. Amy Flanagan, jornalista, preparou um texto especialmente revelador para alertar as nossas consciências em todo o mundo! Não sei se leram, mas não resisto a transcrever alguns números para nos desassossegar: (...)
m2 de 24 de Fevereiro de 2003 Tudo começou com os leões...Acabadas as pinturas de uma parte da nossa casa, o fim de semana parecia o momento ideal para passar decapante e encerar os tacos do chão riscado...de joelhos, com cera e esfregão, estava eu entusiasticamente (!) toda entregue à minha nova tarefa, eis senão quando me chega um dos meus filhos- em véspera de exames do IB – e me lança uma dúvida: - “Aqui n’ “ O Velho e o mar”, quando o velho fala nos seus sonhos com leões, a mãe acha que o Hemingway tinha algum segundo sentido ou qualquer outra ideia escondida?” (...) [Comentários](1)
m2 de 17 de Fevereiro de 2003 Os MadreDeus têm um disco recente, lindíssimo, em que aparece entre muitas outras, uma canção intitulada “Oxalá”. A certa altura, ouve-se a voz inconfundível de Teresa Salgueiro cantar “Oxalá, eu não faça tudo à pressa...”  (...)
m2 de 9 de Fevereiro de 2003

Depois de uma semana inteira de debates e sondagens em vários locais, a diferentes horas, sobre guerra-sim-ou-guerra-não? Por que sim? Ou por que não? (aliás oportunos, devo dizer, só que bastante angustiantes...) – mais as discussões infindáveis sobre pedófilos presos, pedófilos por prender, pedófilos presumivelmente pedófilos e possíveis pedófilos presumivelmente inocentes, confesso que me apetece falar de tudo, menos destes assuntos e por isso, faço ponto final parágrafo e passo adiante.

Começo pois, por felicitar vivamente o Sr. Ministro da Educação e a sua equipa, por terem acabado com o misterioso monopólio da APF como única entidade credora de confiança para fazer educação sexual neste nosso país! (...)

m2 de 2 de Fevereiro de 2003

Há quem diga que o "m2" está a ficar demasiado longo e há quem pense que, contrariamente ao que fora de início, intenção manifesta, com o tempo, o "m2" se está a tornar um tanto pessimista e negativo...

   A caminho de um casamento em Cascais, era sobre estes comentários que me detinha e pensava: mas de que ingredientes "felizes" disponho eu para este próximo "m2"?   [Comentários](1)

m2 de 26 de Janeiro de 2003 ...Na verdade, na véspera, 4ª feira, eu tinha tido a oportunidade de assistir ao magnífico encontro internacional sobre “Televisão, Violência e Sociedade”, promovido pela Pro Dignitate em conjunto com a Sociedade Científica da UCP e a Cinemateca Portuguesa e numa sala repleta de gente até meio da tarde – ao contrário do que as imagens televisivas terão feito crer a muito boa gente que lá não esteve! – pude ouvir excelentes conferências e oportunas tomadas de posição...
m2 de 19 de Janeiro de 2003 Depois, verdadeiramente perplexa e um tanto angustiada ante as diferentes posições quanto à eventualidade de uma guerra no Iraque e a confusão de razões político-económicas perfeitamente explicadas pelos nossos brilhantes comentadores, para justificar a necessidade de atacar, recordo de repente, um livro da minha juventude - “Olhai os lírios do campo”, de Erico Veríssimo, e não resisto... vou aqui à estante, pego nele e procuro uma passagem em especial, para transcrever umas linhas que também hoje, transpostas da ficção literária para a realidade em que vivemos, me parece fazerem todo o sentido...ora reparem...
m2 de 13 de Janeiro de 2002

Hoje, ficar-me-ei pelo Fórum na TSF.

Sabendo à partida, que todos estes temas são polémicos, que os consensos não são fáceis, e que estas questões apenas servem, com demasiada frequência, infelizmente, para mais um confronto político, gostaria no entanto, de recordar aqui algumas das interessantes ideias- chave que ali foram expressas, pelos diferentes intervenientes de distintas linhas ideológicas e formações sócio - culturais:

m2 de 5 de Janeiro de 2002

Hoje é Dia de Reis, por antecipação. Na verdade, Dia de Reis é 2ª feira, dia 6 de Janeiro.

Já um tanto cansada de engomar, aliso a última toalha, pouso enfim , o ferro sobre a tábua e viro as costas à pilha de roupa que ainda me falta passar...

Ponho-me a pensar no que ouvi, li e vi ao longo deste dia...

Esta manhã de Domingo foi dedicada à 2ª parte de um mini-curso de actualização de formadores de Orientação Familiar, levada a cabo pelo CENOFA (Centro de Orientação Familiar de Lisboa), ali para os lados da Estrela. (...)

m2 de 30de Dezembro de 2002

A noite chegou depressa. Junto ao carro parado na estrada do Rodízio, espero por um dos meus filhos, que para trás ficou à conversa com amigos.

   Parece-me que o tempo parou e não tenho pressa. Que bem me sabe parar! Aliás, faz bem , para descobrir o sentido das coisas e das palavras e procurar o mais importante, que nos foge por entre os dedos, a cada passo...  

m2 de 24 de Dezembro de 2002

Sentei-me na carruagem do metro, cheia de gente. Ninguém dava conta, mas ao meu colo e ao meu lado levava a minha pressa e o meu “stress”. Fechei os olhos, serenei um pouco e pus-me a pensar...

Se nesta época festiva, fosse possível juntar os corações de todos os homens, para formar um único coração infinito, e depois lhe injectássemos um líquido- o contraste- para conseguirmos ver os seus recantos mais escondidos, e se, por fim, lhe pudéssemos fazer uma ecografia gigante, se calhar os resultados seriam espantosos...

m2 de 15 de Dezembro de 2002 Mais um fim de tarde terrivelmente chuvoso, frio e desagradável. Atravesso as ruas da Baixa, apressada, carregando sacos, com trabalhos da ACMedia e lindos presentes de Natal, muitos embrulhos cheios de laços e papel brilhante, mas na verdade muito cheios de nada...
m2 de 8 de Dezembro de 2002

Não sei se já vos aconteceu, mas às vezes perante a Natureza em todo o seu esplendor, uma orquestra ou uma voz a interpretar determinada peça de música , uma cena da vida real, simples e terna, como uma criança a sorrir- nos abraçada ao pescoço do pai, uma determinada passagem de um livro, ou um quadro belíssimo, pode acontecer que nos sintamos tão tocados por dentro, que somos como que arrebatados e transportados alguns patamares acima da nossa existência normal, lá onde até os olhos, mesmo sem lágrimas, parecem ter joelhos para ajoelhar em muda comoção.

   Foi isso que me aconteceu esta 5ª feira! Vou-vos contar...

m2 de 1 de Dezembro de 2002 Sexta-feira, fim de tarde, prestes a partir para o Algarve, malas a postos, batem-me à porta., para me dizerem isto, em resumo: “...e a sua Associação, essa tal ACMedia não faz nada? Não emite comunicados sobre esta pouca-vergonha toda que os telejornais sucessivamente vão tratando com pormenores cada vez mais escabrosos? E o quê que eu vou dizer aos meus filhos?...Daqui a pouco nem o telejornal se pode ver...!” (...)
m2 de 24 de Novembro de 2002

A maré negra trazida pelo desastre do petroleiro “ Prestige” apossou-se de quase todo o espaço e tempo da nossa Comunicação Social, ao longo desta semana. Veio juntar-se aliás, à negrura do panorama político e económico nacional, tendendo a enraizar em nós tendências depressivas, já de si tão próprias dos tempos de vacas magras.

Hoje porém, queria falar-vos de uma outra maré negra, que põe de luto tantas e tantas famílias, de forma brutal, precoce e inesperada e que a todos nos diz respeito. (...)

m2 de 17 de Novembro de 2002 (...)Entre os muitos encontros, debates e discursos que caracterizaram a semana, optei por assistir a parte do Congresso da Prosalis (Projecto de Saúde em Lisboa) sobre “Estilos de vida e comportamentos aditivos”, e sábado à tarde fui ao 1º Encontro do Fórum para a Liberdade de Educação, que reuniu 1000 pessoas na Gulbenkian. (...) [Comentários](1)
m2 de 11 de Novembro de 2002 (...)Para começar, devo confessar que de Arte pouco ou nada percebo, mas em termos gerais, gosto muito de Pintura. Ontem, contudo, ao pegar no Jornal Expresso, logo ali na primeira página, alertada por amigos, senti-me tremendamente dividida entre espanto, tristeza e algum riso... (...) [Comentários](2)
m2 de 6 de Novembro de 2002

As noticias violentas sucedem – se repetidamente, a um ritmo tão alucinante na linha ininterrupta dos nossos dias e noites, que às vezes, me pergunto a mim mesma, se nós, Pais e Educadores, damos conta de como cada vez mais se torna imprescindível criarmos o bom hábito de por momentos, diariamente, fecharmos o televisor, o computador e arrumarmos jornais e revistas para, pura e simplesmente, “ construirmos” a nossa família, conversarmos em família e “filtrarmos” o que vemos! (...)

m2 de 26 de Outubro de 2002

Às vezes somos muito injustos na pressa que temos em pôr "etiquetas" nas pessoas ( como se fossem coisas a catalogar) e no frenesim ilógico com que passamos a correr, indiferentes, pelas pessoas com quem nos cruzamos nas esquinas da vida. (...)

m2 de 19 de Outubro de 2002 Enquanto no nosso país tantos se entretêm, animadamente, a inventar fontes de conflito, a atirar pedras contra tudo e contra todos, e a “caçar” escândalos, diariamente, talvez, quem sabe, só para complicar a governação do nosso pequeno território, “lá fora” o mundo continua a enfrentar permanentes focos de guerra e os temíveis ataques terroristas, loucos, cobardes e devastadores  (...)
m2 de 12 de Outubro de 2002 Finalmente, hoje, sábado, 12 de Outubro, consigo algum tempo para escrever! A semana foi cheia e rica de acontecimentos para comentar! Não posso deixar de me referir a dois, curiosamente, ambos ligados à Igreja: a Canonização de um novo Santo, em Roma, a 6 de Outubro, e o Congresso Nacional da Família, da responsabilidade da Conferência Episcopal Portuguesa, que teve lugar em Lisboa e termina este fim-de-semana em Fátima, com uma Peregrinação das Famílias. (...)
m2 de 1 de Outubro de 2002 Desta vez, volto a falar de televisão, mais concretamente, do canal SIC, para elogiar os responsáveis pela escolha do óptimo filme “ O Furacão”, filme relativamente recente nos nossos écrans, e que aquele canal passou esta semana (infelizmente a horas um tanto tardias , pois acabou às duas e tal da manhã!) ! (...)
m2 de 24 de Setembro de 2002 Depois de uns breves dias muito próximos do céu – sem guerras, nem más-línguas, sem rádio, sem televisão , nem acesso a computadores – regresso à terra, com as baterias carregadas do ar puro das serranias, desejosa de pôr as obrigações em dia e passo, apressada, o olhar pelas páginas da imprensa.
m2 de 10 de Setembro de 2002 Os “shoppings” proliferam à nossa volta para mal dos nossos pecados, dos nossos bolsos e sobretudo, das nossas mentalidades cada vez mais consumistas! (...)
m2 de 30 de Agosto de 2002 Com a efemeridade própria da matéria em geral e das palavras em particular, correm diariamente rios de tinta para nos fazerem chegar notícias de todas as partes, algumas reais e verdadeiras, outras falsas e forjadas. É bem curto o seu tempo de vida e rapidamente jornais e revistas acabam no caixote de lixo, independentemente da sua qualidade...nós entretanto, ávidos consumidores, vamo-nos tornando, infelizmente, cada vez mais indiferentes, menos críticos e mais automatizados... (...)
m2 de 21 de Agosto de 2002 Enquanto alguns descansam - como é justo, merecido e necessário - mudando de actividade, e quando possível, de lugar, outros " descansam" também, mas comendo e bebendo à farta, gastando e gozando sem medida, noite e dia sem parar, indiferentes a quase tudo que não a sua imagem, o seu ego e o seu bem-estar pessoal. Muitos porém, não chegam a poder mudar de sítio, nem tão pouco descansar. E alguns ainda - uma mão cheia de jovens, e não só, universitários e outros, partem para outras paragens, aqui ou lá longe, levando apenas a sua alegria e generosidade, para irem ajudar os mais necessitados, construir casas, pintar , arrumar, ensinar a ler e escrever, cuidar de crianças e velhos, sãos ou doentes... (...)
m2 de 12 de Agosto de 2002 Um dos mais conhecidos e prestigiados dos nossos jornais diários publicou, esta semana, uma longa reportagem sobre o "stress" dos docentes. (...)
m2 de 4 de Agosto de 2002 Com algum atraso - é verdade! - percorri vários dos nossos jornais diários e semanais dos últimos dias, procurando informações sobre as mais recentes viagens do Papa e os seus discursos, mas para meu ( relativo! ) espanto, pouco ou quase nada encontrei. Em comparação, encontrei por exemplo, inúmeras colunas dedicadas à novela "Jardel" e às pseudo - notícias, tontas, escabrosas e ocas, sobre o clima festivo do nosso Algarve em "silly season"... (...)
m2 de 27 de Julho de 2002 À chegada ao Algarve, primeiro dia de férias, viemos encontrar um tempo enevoado e fresco, propício à escrita calma de mais um metro quadrado! (...)
m2 de 18 de Julho de 2002 Sábado passado, durante a realização em Lisboa, de diferentes eventos de relevância política, nomeadamente, o Congresso do PSD, no Coliseu, o encontro no Tivoli, promovido pelos trabalhadores da RTP e o encontro no Centro Nacional de Cultura, promovido pela Comissão escolhida pelo Governo para a questão do Serviço Público, tive oportunidade de ouvir na rádio, enquanto me dirigia a Coimbra, uma interessante entrevista com um conhecido deputado. (...)
m2 de 10 de Julho de 2002 Há poucos dias recordámos uma data especial para Portugal: os quatro anos do referendo sobre o aborto, melhor dizendo, os quatro anos da aprovação do “sim ao direito à vida da criança ainda por nascer”. (...)
m2 de 1 de Julho de 2002 21 de Junho, Solstício de Verão,festa da Música em toda a França, tradição que dura há 20 anos. Música de todo o género, a qualquer hora, em qualquer canto, em qualquer estrado, na rua, no jardim, praça pública, igreja, teatro... (...)
m2 de 18 de Junho de 2002 Não, não vou falar de saber perder, perder com dignidade, ser humilde na derrota, assumir as verdades incómodas, ou viver a solidariedade e saber calar nas horas difíceis...mas apetecia-me!(...)
m2 de 7 de Junho de 2002 Pego no jornal de hoje, 6ª feira, 7 Junho, e penso: -Que vou comentar? Algum dos vários artigos sobre serviço público (o que os juízes dizem...o que as duas Comissões vão re-discutir, re-dizer, re-escrever...o que esta e aquela figura pública vem acrescentar, lançando cada vez mais achas na fogueira?) , o honroso convite a Carlos Queirós?O Mundial das lágrimas de uns e dos risos e saltos de felicidade de outros? Os genomas...o céu de Junho...Portugal sem regras para comprar e vender armas? Não, estou certa que alguém já irá comentar mais este atropelo constante à vida...e continuo a ler, procurando apenas alguma coisa pequenina que possa passar despercebida...(Meu Deus, como é complicado optar e fazer a escolha certa!)...por fim está decidido, é isto mesmo! (...)