m² de 04 de Agosto de 2002
Com algum atraso - é verdade! - percorri vários dos
nossos jornais diários e semanais dos últimos dias, procurando informações sobre as
mais recentes viagens do Papa e os seus discursos, mas para meu ( relativo! ) espanto,
pouco ou quase nada encontrei. Em comparação, encontrei por exemplo, inúmeras colunas
dedicadas à novela "Jardel" e às pseudo - notícias, tontas, escabrosas e
ocas, sobre o clima festivo do nosso Algarve em "silly season"...
Pergunto - me porquê. Por que será?
Romano Prodi, presidente da Comissão Europeia, escreve sobre a Cimeira
Mundial do Desenvolvimento Sustentável, que se realizará em Joanesburgo no final de
Agosto, afirmando que o objectivo é chegar a um acordo que envolva Governos, grandes
empresas, associações sectoriais, organizações não governamentais, "sobre um
plano de acção global capaz de conciliar as necessidades legitimas de desenvolvimento
económico e social da humanidade com a obrigação de manter o nosso planeta habitável
para as gerações futuras".
"A Cimeira tem de ser um êxito!", afirma Romano Prodi.
É importante que ele assim o diga de facto, chamando desde já a atenção
de todos nós, para o papel que cada um pode ter, mesmo no seu pequeno "metro
quadrado".
Certamente a Comunicação Social de todo o mundo fará eco do antes, durante
e depois desta Cimeira.
Porém, também se poderia dizer que, elevando a parada e -"mutatis,
mutandis" - passando ao plano espiritual, o Papa, nas suas recentes viagens e
sobretudo neste ultimo Encontro com os Jovens no Canada, apelou, com toda a força do
Espírito, - apesar da comovente e notória debilidade física - para que os Jovens sejam
"sal da terra e luz do mundo", isto é, para que defendam os valores cristãos e
assim contribuam decisiva e intrepidamente para uma autentica e inadiável defesa da
ecologia moral e espiritual do nosso planeta, a bem das gerações actuais e futuras.
Pergunto pois: por que razão ha mais preocupação em manifestar e discutir
a fragilidade física e a substituição do Papa - este Homem admirável que parece
carregar todo o peso das misérias do mundo às costas - do que em divulgar o vigor dos
seus apelos e da sua mensagem intemporal? Por que será? Será porque a sua voz
inconfundível incomoda o deserto espiritual do nosso tempo tão cheio de paradoxos?