Há quem diga que o "m2" está a ficar demasiado longo e há
quem pense que, contrariamente ao que fora de início, intenção manifesta, com o
tempo, o "m2" se está a tornar um tanto pessimista e negativo... A caminho de um casamento em Cascais, era sobre estes
comentários que me detinha e pensava: mas de que ingredientes "felizes" disponho
eu para este próximo "m2"? Das imagens que vi, enquanto me arranjava para o
casamento, relativas aos terríveis momentos da explosão e desintegração da nave
"Columbia", com sete pessoas a bordo ? (Tal como hoje, recordo a estranha
sensação que tive, há muitos, muitos anos atrás, naquela tarde bem distante, em
que pela primeira vez entrei no hospital de Oncologia para visitar a neta de uns
amigos, uma garota de 12 anos, com leucemia...revejo o nosso encontro, o
presente que lhe levava, os seus olhos, o seu sorriso, a sua cor, o seu
cabelo...e nessa mesma noite, eu entrava também pela primeira vez no Casino
Estoril para uma festa de amigos...Como é que eu podia então, ir para uma festa?
Como é que eu posso, hoje, estar numa festa?) De que mais posso falar ? Das notícias insistentes de um
clima de pré-guerra crescente? Do escandaloso avolumar de suspeitas sobre gente
conhecida que sempre respeitei como bons profissionais e que sempre julguei
acima do nojo da novela e drama pedófilos que nos envolvem? É verdade, que eu só queria falar do (pouco) Bem que ainda
é notícia e se de facto ainda se encontram notícias interessantes, reportagens e
entrevistas de qualidade, também não é menos verdade que muitas vezes, elas
aparecem à mistura com artigos incríveis e fotografias duvidosas, mesmo em
jornais prestigiados, como se fosse viável fazer um produto de qualidade que
possa agradar simultaneamente a gregos e troianos, ou atrair novos clientes, sem
perder os fiéis de sempre...por exemplo, hoje domingo, para ler uma entrevista
que me interessa com um padre e médico da nossa cidade, numa revista pertencente
a um jornal dito de qualidade, tenho de passar por páginas e fotos de
sado-masoquismo, que nunca compraria? Volto ao Independente da semana passada apenas para
referir uma tão pertinente, quanto assustadora análise do Prof Vasco Rato -"As
duas frentes"- donde retiro uma passagem "(...)Os optimistas bem-intencionados,
mas imprudentes, dizem que é necessário "dialogar" com os fundamentalistas. Não
importa que toda a evidência demonstre não haver diálogo possível com
terroristas que declararam guerra santa contra o Ocidente(...)" Mas será possível ser mesmo impossível parar esta guerra?
E que outras se seguirão?... Mudo de assunto, para recordar ainda aqui, uma excelente
reportagem alusiva ao 50º dia dos Leprosos, na revista Única (do Expresso, de
sábado passado), da autoria de Ana Cristina Câmara, sob o título de "Vidas
interrompidas". Albert Schweitzer e Raoul Follereau são nomes que
automaticamente, me vêm à cabeça, quando se fala de luta contra a lepra, contra
a injustiça, a doença e a miséria e que hoje, infelizmente , já parecem não
inspirar nem jornalistas, nem cineastas, esses tais que com a magia da caneta,
do computador e da câmara, têm ainda o poder de atear em nós sentimentos bem
maiores que o ódio e a vingança. Urge voltar a difundir a vida e obra exemplares destes e
de outros heróis verdadeiros, que não estão assim tão distantes de nós quanto o
silêncio sobre eles pode fazer pensar. Urge mostrar o trabalho generoso e
perseverante de tantos homens e mulheres, ainda há bem pouco citados e
conhecidos e hoje já quase esquecidos! ...Estou no casamento. Vejo os noivos, pouco jovens,
trocarem-se olhares e promessas de apaixonados. Para sempre! Para sempre! Para
sempre! E comovo-me. Sobre o altar, um menino inocente, numa das mãos leva as
alianças e com a outra, tira um "macaquito" do nariz, qual intruso inesperado.
Todos sorriem, enquanto o coro canta o melhor que sabe e é capaz. Segue-se a
festa , para os noivos inesquecível. Todos parecem felizes, menos um casal. Ela
, ao lavar as mãos, deixa um anel de ouro e brilhantes num cantinho do
lavatório. Esquece-se dele, mas volta atrás poucos minutos depois e já não o
encontra. Quem o terá visto ou encontrado? "Agradece-se a quem o tenha
encontrado por acaso, o favor de o entregar ao chefe de mesa !" Ninguém
responde. (Instintivamente, penso nos muitos "ladrões de casaca" que
ultimamente têm vindo a ser acusados de crimes de peculato, abuso de confiança,
corrupção...Penso nos muitos culpados de pedofilia que ainda se escondem. E
penso em como o dinheiro mal ganho e mal usado não pode dar nem bons princípios,
nem educação, nem felicidade a ninguém...Recordo o dia, em que vi aquela mãe
envergonhada por um seu filho, pequeno ainda, ter tirado um chocolate das
prateleiras do supermercado, a levá-lo pela mão, até à senhora da caixa para ele
devolver o chocolate e pedir desculpa...). Volto a casa, pensando que de facto, o que mais importa é
educar. Tudo passa pela Educação. É urgente educar, ensinar, corrigir, mostrar
bons exemplos, boas práticas, contar histórias pedagógicas, ajudar a crescer, a
ser mais pessoa, melhor pessoa! É preciso fazer a única guerra que vale mesmo a
pena: lutar contra as nossas piores tendências, para que sendo nós próprios
melhores, possamos fazer à nossa volta, um mundo mais humano e menos
conflituoso. É preciso resistir ao mal, ao cepticismo e ao desânimo, venha o que
vier, aconteça o que acontecer! Por isso, permitam que transcreva um belíssimo poema de
Eugénio de Andrade, que acaba de ser justamente homenageado pela RTP II e pelos
seus amigos, ao celebrar os seus 80 anos.
É urgente o amor. É urgente um
barco no mar. Ódio, solidão e
crueldade, Alguns
lamentos, Muitas espadas.
Multiplicar os
beijos, as searas, É urgente
descobrir rosas e rios E manhãs
claras. Impura, até
doer. É urgente o
amor, é urgente Permanecer.
Comentários,
críticas e sugestões : fonsecas@netcabo.pt
“telenovela Carlos Cruz”
A respeito desta telenovela que arrebata todas as audiências já tudo foi dito e
portanto tenho a plena consciência de que mais nada vou adiantar. No entanto
sinto-me na obrigação de dizer algumas coisas. A primeira é que há uma pequenina
diferença para as telenovelas habituais: é que se trata de uma pessoa real e com
a qual eu até simpatizo. Era um apresentador simpático, quando entrevistava
alguém, deixava falar e não tinha a preocupação habitual de mostrar sabedoria
(colada com cuspo); e digo era porque já não vejo hipótese de voltar a
ser.
Aquilo que se passou ontem, após a sua detenção é absolutamente impensável. É
apresentada uma reportagem na TVI em que já foi feito o julgamento sumário e
público da figura em questão. Não se trata aqui de saber se ele é ou não culpado
daquilo de que o acusam. Mesmo que seja, ninguém tem o direito de o condenar,
muito menos antes de se ter provado algo. Mas por que carga de água há-de ter
maior credibilidade aquilo que dizem algumas figuras encapuçadas que os inúmeros
testemunhos que parecem sinceros de pessoas que dão a cara e com ele conviveram
uma vida inteira?
Ficamos a aguardar serenamente (não tanto como ele...) o desenrolar dos
acontecimentos e se nada se provar quero ver com que cara é que aqueles que se
apressaram em condená-lo se continuarão a apresentar. Também quero ver como vão
reagir todos os seus colegas de profissão, alguns certamente felizes por terem
menos um a fazer-lhes sombra. Claro que todos sabemos que o fizeram em prol da
obrigação de informar...
De qualquer maneira o mal está feito e quer se prove ou não qualquer coisa, só
lhe resta desaparecer do mapa.
Fátima
Continua que eu e muita gente
aprecia, mas concordo que há uma certa melancolia... tenho que lhe contar umas
anedotas!
(Luis Cabral)URGENTEMENTE
É urgente destruir certas palavras,
É urgente inventar alegria,
Cai o silêncio nos ombros e a luz