Recém-chegada do Algarve, largo o volante, pego na mala,
entro em casa e, sem mais delongas, atiro-me vorazmente, à escrita, ciente que
estou de mais um novo atraso... O mês de Maio, com efeito, aproxima-se
rapidamente do fim e, ao contrário do trocadilho engraçado que ouvi ao Carlos
Magno, numas “Palavras Cruzadas” da TSF, citando alguém que dizia “ O mês de
Maio resume-se em três frases: Muita gente vai a Fátima. Fátima vai para o Rio.
Rio não vai a Sevilha”, a mim parece-me que há já notícias em excesso para
tratar...
Começo pois, por referir a enorme alegria de ver o nosso
Portugal exuberante de felicidade pela tão merecida vitória do brioso Porto
contra o Celtic, que nos trouxe pela primeira vez a conquista histórica da tão
ambicionada taça UEFA!
(Mas também foi bonito ver como o Celtic soube perder e o
apoio que os seus adeptos deram aos jogadores escoceses! A não esquecer!)
Em tempo de escândalos sucessivos que nos deixam no mínimo,
deprimidos e chocados, faz bem ao país recuperar alguma da muita auto-estima
perdida! Assim, subiu a auto-estima, subiu a temperatura e subiu a Bolsa – até
que enfim! – razões mais que suficientes para alegrar muitos portugueses...
Mas a propósito de Bolsa, e quem diz Bolsa diz Negócios e
Empresas (ultimamente também bastante deprimidas!), gostaria de vos deixar hoje,
algumas notas sobre um interessante Encontro, em Santarém, no passado Dia
Internacional da Família. Enquadrado num conjunto de “Serões em Família”,
organizados à mesma hora em todas as capitais de distrito, pela APFN – Famílias
Numerosas, abordando vários temas, todos eles alusivos à efeméride, aquele
Encontro versava precisamente a Relação “Empresa – Família” e o orador convidado
foi o Director – Geral da AESE – Escola de Direcção e Negócios, Engº Ramalho
Fontes, que num ambiente cordial e familiar expôs o seu tema com inteligência,
sensibilidade e um q.b. de humor.
Foi interessante de facto, saber por exemplo, que alguém se
preocupa com o chamado “salário mental” (i.é. o grau de satisfação do
trabalhador) e que ao contrário do que vulgarmente se pensa e diz, há grandes
empresas que têm perfeita consciência de que os trabalhadores não são coisas,
mas gente de carne e osso, cuja rentabilidade profissional está altamente
relacionada com a sua estabilidade e bem-estar familiares. São empresas que têm
por lema “ customer comes second” e que portanto, se preocupam em primeiro lugar
com o trabalhador, implementando medidas favoráveis à melhor compatibilização
entre Família e Trabalho.
Foi igualmente estimulante, saber, já no final do encontro,
que a Câmara de Santarém e o Governo Civil estão atentos à problemática das
famílias, e pretendem ver aprovadas a curto prazo, medidas de apoio às Famílias
Numerosas, a exemplo do que outras Câmaras já estão a fazer, nomeadamente no
campo das tarifas da água e dos bilhetes de família para facilitar acessos a
exposições, a outras actividades culturais e instalações desportivas, etc.
Ao ouvi-los, porém, discutir a questão da compatibilização
entre lucros dos investidores e gestores e os interesses das famílias, não pude
deixar de recordar um verdadeiro “case-study”, que ilustra bem como as empresas
podem funcionar também numa lógica não apenas de busca de um legítimo lucro, mas
também numa perspectiva de serviço generoso e desinteressado.
Efectivamente, em finais do ano passado, recebi por e-mail
a notícia de que vinha a Portugal, a convite precisamente da AESE, o Prof.
Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, mais conhecido por Banco dos Pobres.
Oriundo de uma família abastada do Bangladesh, Muhammad Yunus estudou Economia
nos Estados Unidos e mais tarde voltou à sua terra natal como professor
universitário. Cedo porém, se deu conta de que mais importante do que ensinar
brilhantes teorias aos seus alunos, era ajudar efectivamente, na prática, a
resolver o problema da imensa pobreza do seu povo. Decidiu-se então a conseguir
meios de financiar os mais pobres, aqueles a quem habitualmente, nenhum banco
empresta seja o que for, com o objectivo de, “mais do que dar um peixe,
ensiná-los a pescar” para que pudessem criar o seu próprio negócio.
Assim, no meio de grandes incompreensões e dificuldades,
criou um Banco, em 1976, hoje presente em mais de 40.000 aldeias do Bangladesh,
com mais de 68.500 centros de atendimento e 2,384 milhões de clientes, na sua
maioria mulheres. O sentido da responsabilidade e a honra dos mais pobres são,
naquele país, valores muito apreciados e cultivados, o que por si só basta para
garantir o cumprimento das obrigações assumidas. Actualmente, é objectivo de
Yunus estender o seu banco por todo o mundo, estando o seu modelo a ser
implementado em 59 países, entre países desenvolvidos e em vias de
desenvolvimento. Hoje o Grameen Bank é já uma instituição com fins lucrativos,
responsável pelo lançamento de grandes negócios como a Internet e a Indústria da
Tecelagem entre outros, mas simultaneamente e a par do banco, criou um conjunto
de 13 instituições sem fins lucrativos e meramente de carácter assistencial e
social.
Também em Portugal, a Associação Nacional do Direito ao
Crédito (ANDC) começa a dar os seus primeiros passos, no sentido de apoiar os
menos afortunados para que também eles possam montar o seu pequeno negócio ou a
sua mini-empresa.
Porque acredito profundamente nos bons resultados da
pedagogia dos bons exemplos, alegra-me saber que eles também são seguidos no
nosso país!
E por isso é tão importante fazer de altifalante e erguer
uma voz bem sonora que, acima das más notícias que vão poluindo o nosso
ambiente, possa servir para divulgar também as boas práticas e as boas notícias,
aparentemente tão esquecidas!
O texto vai longo, mas por razões afectivas e laços de
parentesco, – que me perdoarão! – não poderia deixar de mencionar aqui o Dia da
Marinha, celebrado no passado dia 20 de Maio – dia da chegada de Vasco da Gama a
Calecute ( porque partir ou começar não custa, o que custa é chegar ao fim e
rematar bem as tarefas, não é verdade?!!! Creio que ouvi mais ou menos, isto
mesmo, ao próprio Chefe de Estado Maior General da Armada, e não pude deixar de
sorrir...). Este ano, foi celebrado em Ílhavo, em boa hora longe da capital,
onde já ninguém liga a este tipo de acontecimentos!
Ali porém, e acabo como comecei, tudo era novidade e
entusiasmo, e as cerimónias traduziram-se em mais um momento alto de reforço da
auto-estima e emotivo apelo ao patriotismo nacional!...mas emocionante mesmo foi
assistir à saída de dez navios de guerra pela Barra de Aveiro fora (ou de Ílhavo,
para não ferir susceptibilidades), entre eles o belíssimo navio – escola Sagres,
a todo o pano, com as enormes velas enfunadas, a fazer mais de 10 nós, no meio
de um mar picado e dum céu azul forte, sem mancha, enquanto ao longo do cais
toda uma imensa multidão de gente entusiasta aplaudia e acenava!
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