(Sei que vos devo dois m2- o de 1 de Maio e o de 15
de Maio- e sobretudo uma explicação!)
Era o dia 1 de Maio de
2004. Levantei-me muito de mansinho, para não acordar ninguém, vesti o
roupão, tomei um café e sentei-me ao computador. Não queria barulho e
preparava-me para me lançar a fazer um texto de imediato, rés-vés ao
coração, para que nada se interpusesse entre sentir - pensar - escrever.
Queria começar por falar- vos daquela corajosa viúva, professora, mãe de
família numerosa, cuja filha de 21 anos - não menos lutadora e valente!-
está doente e internada com uma leucemia aguda. E queria pedir a todos
quantos me lêem uma cadeia de oração, e a quem não crê neste poder, mas
se quiser solidarizar, uma cadeia de “pensamento positivo”...
De repente, porém, no
silêncio da manhã, desatam a “grasnar” como cornetas desafinadas nas
traseiras da minha casa, os pavões, meus vizinhos residentes no Palácio
das Galveias. Para cúmulo, minutos depois, ouço na cozinha, “não há pão!
não há leite!”, “Hoje não sou eu, não é a minha vez...fui ontem...hoje
és tu!”, “oh, mãe, venha ver os pavões em cima do telhado... vê-se logo
que é Primavera, até os pavões estão apaixonados !”. Bem, é escusado,
nem ao fim-de-semana se consegue um pouco de calma ...desisto! Outros
deveres me chamam...
( E assim se foi a inspiração...e a oportunidade.)
.........................................................................................................................................
Espero uns dias e...recomeço, não já para falar , - como se impunha !
- do Dia da Mãe ( Maio, Mãe, Maria), nem do túnel do Marquês, nem das
trapalhadas do Major, nem de mil outras coisas , grandes e pequenas,
sempre a acontecer, e de que todos falam ou já falaram, mas apenas,
desta vez, da recente ida da ACMedia, Associação de Consumidores de
Media, a duas escolas de Coimbra, a Silva Gaio e a Martim de Freitas.
Vale a pena dizer bem,
quando tanta gente critica o nosso ensino, as nossas escolas e os nossos
professores. Há de facto, gente maravilhosa que, mesmo quando falta o
dinheiro, consegue fazer “milagres” para interessar e motivar alunos,
para recuperar alunos difíceis e integrar alunos estrangeiros,
conseguindo níveis de sucesso bem elevados.
A ACMedia , em mais uma
das suas visitas às escolas, com o objectivo de sensibilizar alunos e
educadores para um uso mais criterioso dos “media”, foi encontrar
professores e jovens alunos altamente interessados e participativos, que
nos alimentam a certeza de que vale a pena lá irmos, semear,
despertar...e congregar boas vontades!
Pelo caminho, pudemos ver como de uma velha casa-de-banho desactivada se
fez um simpático gabinete de atendimento permanente para alunos que
querem desabafar e questionar os adultos, que procuram um ombro, um
colo, ou simplesmente um coração e uns ouvidos disponíveis, porque são
tantas as vezes em que os professores têm de fazer de pais dos seus
alunos... E soubemos também, como de alunos considerados casos perdidos
para a escola e para a família, se tem feito, e em boa hora, um
reencaminhamento para cursos profissionalizantes, levando à descoberta
de verdadeiros talentos na cerâmica, nas electrónicas, etc, além de se
lhes abrir a porta de acesso ao mundo do trabalho e da integração social
!
.......................................................................................................................................
( E volto a interromper, desta feita porque tenho de terminar e entregar
o trabalho final de Pós Graduação na UCP, antes de partir em viagem a
Lourdes, em peregrinação militar internacional... o tempo urge e falta,
desculpem, por favor!!!)
...................
.......................................................allô, allô? Ainda
aí está algum leitor?
As minhas desculpas
por tão grande atraso!
Voltei finalmente,
encantada, e desta viagem vos quero falar! Não sei se alguma vez tiveram
notícia desta peregrinação internacional de militares a Lourdes. Por
mim, devo dizer-vos que nunca ouvira falar nela. Contudo, foi a 46ª vez
que ela se realizou e vou contar-vos a sua génese, porque num tempo como
o nosso, de conflitos e insegurança, reunir 15.000 pessoas, em grande
parte militares, trajando os seus vistosos uniformes característicos,
vindos das mais variadas e distantes paragens (Croácia, Eslovénia,
Eslováquia, África do Sul, Coreia, etc), representando os seus países
numa belíssima manifestação de Fé e Fraternidade, em que a própria
Ministra da Defesa de França esteve presente, bem merece ser notícia !
Segundo reza a história
verídica, pouco tempo após a 2ª Guerra Mundial, certo dia encontraram-se
na gruta de Massabielle, em Lourdes, no meio de muitos outros
peregrinos, a rezarem aos pés da Virgem, um oficial francês e um oficial
alemão. Reconheceram-se mutuamente, pois um tinha estado preso num campo
de concentração em que o outro era um dos guardas. Ao encontrarem-se
ali, levados pela mesma fé, comoveram-se, abraçaram-se, rezaram em
conjunto e logo ali combinaram que tudo fariam de futuro para, vencendo
as barreiras do ódio, ali reunirem militares de todo o mundo num esforço
sobre-humano de Perdão e Paz .
Desde então, todos os
anos ali se reúnem, durante três dias, em Maio ou Junho, numerosos
representantes militares e suas famílias, num memorável encontro e
espectáculo de cor, música, juventude, alegria, esperança, fraternidade
e fé! Ali se misturam o religioso e o profano, numa alegria e entusiasmo
contagiosos, num local onde tantas doenças de corpo e de alma têm
encontrado cura, humana e cientificamente inexplicável !
Primorosamente
organizada, este ano pelos Capelães militares da Armada, acompanhados
pelo Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, e num gesto
significativo e concreto da sua importante missão pastoral, a
peregrinação deste ano levou de autocarro, cerca de 400 portugueses,
entre militares e civis. Alguns destes peregrinos são autênticos
veteranos, pois voltam ano após ano - alguns já
lá foram 20 vezes! – incapazes de esquecer esta experiência .
“O Senhor é o meu
rochedo” era o lema da peregrinação deste ano, ano em que se comemora o
150º aniversário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição e em que
o Papa planeia, segundo corre, uma nova ida a Lourdes no próximo dia 15
de Julho. Ali, num local belíssimo, onde a Senhora da Conceição
apareceu a Bernardette Soubirous, militares e civis, doentes e sãos,
fomos todos – mais e menos crentes! - em romagem de homenagem à Virgem,
pedir saúde de corpo e de alma, conversão dos nossos corações
empedernidos e prometer que, nos nossos países, nos esforçaremos por ser
testemunhas e construtores da Paz e Fraternidade.
Deixo-vos notícia de
como é bom peregrinar. Sinto-me grata. Vale a pena ir a Lourdes!
Comentários, críticas e
sugestões : fonsecas@netcabo.pt