Regresso finalmente, depois de um mês de Janeiro
recheado de acontecimentos, que deixei por comentar, se bem que com a
profusão actual de comentários e comentadores, mais um, menos um, não
chegue a notar-se a diferença…
Em nossa casa porém, este mês de Janeiro ficou
decisivamente marcado por um feliz acontecimento : o casamento da nossa
filha Rita com o seu eleito, Nuno! E um casamento tem sempre muito que
se lhe diga, mas descansem! , não vai ser este o tema destes dois
últimos m2 em falta, para completar e terminar os 100 prometidos!
Poderia começar então, pela OPA de Belmiro de
Azevedo, ou pelos “cartoons”; no 1º caso, o acontecimento nacional que
mais surpresa causou, no 2º , o acontecimento internacional que mais
polémica tem lançado, e que mais dramáticas consequências - destruições,
vandalismo e mortes! – continua a provocar.
A OPA, deixo-a “todinha” para os especialistas e
interessados, mas a propósito dos “cartoons” que tanta raiva têm
provocado de um lado e que com tanta leviandade têm sido encarados do
outro, ao ponto de um ministro italiano se permitir a infantilidade e
irresponsabilidade de exibir uma T-shirt provocatória em plena
televisão, gostaria de deixar uma interrogação.
Todos sabemos como desde o horrendo ataque às
torres gémeas de Nova Iorque, a relação entre o mundo árabe e o mundo
ocidental tem vindo a deteriorar-se cada vez mais.
Pergunto: para quê deitar mais achas na fogueira? A
quem serve toda esta teorização sobre a liberdade de expressão? Será com
“cartoons”jocosos, mais ou menos ofensivos para os muçulmanos e suas
crenças, que demonstramos a superioridade da civilização ocidental e os
fazemos aderir aos valores que apregoamos? Incentivando a fúria de
multidões, atacando o cerne das suas convicções, contribuímos para
construir a Paz? Evitamos por ventura, a morte brutal de gente
transformada em bode expiatório ?
O respeito pela vida humana, pela dignidade da
pessoa humana, qualquer que seja a sua cor, raça, sexo, idade ou
cultura, a própria noção de liberdade, de liberdade de culto e liberdade
de expressão, valores tão queridos à nossa civilização ocidental, são
infelizmente e muitas vezes apenas “bandeiras” que gostamos de exibir,
mas que a História do passado recente e até do presente, se encarrega de
negar, tanto por acção, como por omissão…
Não falando já em guerra, nem tortura, atente-se
por ex. na dificuldade das ONG’s e Associações não - lucrativas em nos
sensibilizarem e acordarem do conforto anestesiante das nossas vidas
para aderirmos a programas de desenvolvimento nos países mais
carenciados…Reparem como tantas vezes ficamos logo desconfiados e
indiferentes a pequenos folhetos que encontramos em cafés, nas nossas
caixas de correio, ou em revistas, recordando-nos que bastaria que
déssemos 10 euros / mês para três famílias da Etiópia terem água potável
durante toda a sua vida, ou 21 euros, de uma só vez, para que uma avó da
Mauritânia pudesse comprar uma cabra e dar leite aos seus sete netos (
www.intermonoxfam.org) , ou ainda ,10 simples euros, para comprar
antibióticos e um par de sapatos novos para um leproso guineense cujos
pés deformados já não cabem nos velhos sapatos rotos ( 29 Janeiro- Dia
Mundial dos Leprósos- Associação Mãos Unidas, Pe. Damião- Portugal)…
Notemos, por exemplo, aqui em Portugal, a
dificuldade com que Associações sem fins lucrativos e pessoas a título
individual, se fazem ouvir junto do público em geral e junto da
autoridades e legisladores, como são ridicularizadas e se procura abafar
as suas vozes, quando defendem a vida dos mais desprotegidos, dos que
não poderão jamais defender-se, ao fazerem campanha pela realização de
um referendo (
www.referendo-pma.org/campanha/manifesto.pdf) sobre Procriação
Medicamente Assistida ( PMA), para evitar nas costas de todos nós, a
aprovação de uma tenebrosa legislação - como acaba justamente de
acontecer na nossa vizinha Espanha - que parecendo querer defender a
vida , na prática a agride profundamente.
De facto, permitir o uso do embrião humano como se
tratasse de “um objecto” negociável, manipulável ao sabor de caprichos
pessoais, interesses económicos e experiências científicas eticamente
inaceitáveis, aprovar a existência de “ barrigas de aluguer”,
congelamento de embriões humanos e geração de crianças sem um pai e uma
mãe biologicamente unidos por uma relação estável, que lhes permita
crescer num ambiente favorável e saudável, é demasiado grave e sério
para que possamos continuar desatentos, a ligar apenas aos nossos
assuntos pessoais e familiares.
Quanta contradição! Por um lado – e bem! –
inquéritos e investigações, artigos e debates, sobre maus tratos a
crianças nas famílias e instituições, e por outro, toda esta imitação e
corrida urgente “atrás” daqueles e de outros modelos europeus ditos,
mais avançados : liberalização do aborto, da prostituição, “casamentos”
de homossexuais e direito à adopção de crianças, liberalização de
drogas…
Pertenço ao grupo dos que às vezes, se distraem do
que não para de acontecer à nossa volta, mas que acreditam que
felizmente há sempre Gente atenta a tanto desacato e loucura, Gente que
nos acorda e ilumina com a sua palavra e o seu caminhar, e que nos diz :
- Não cruzes os braços! Vá, vem daí, tu também! Precisamos de ti, onde
quer que estejas! Não penses que os tempos são outros e que és tu que
estás enganado! Nós não queremos destruir edifícios, nem matar
ninguém…apenas precisamos do teu apoio. Assina, interessa-te, divulga,
trabalha.
Por isso, lhes quero dizer : Obrigada!
Já consultei o site acima mencionado e vou assinar
o pedido de assinaturas pelo Referendo sobre a PMA.Vou também recolher
assinaturas.
E vou agradecer à Sofia Guedes, a quem não conheço,
o seu belíssimo “grito de alerta”sobre este tema, num artigo que me
chegou via notícias do Infovitae e me tocou o coração.
Comentários, críticas e
sugestões : fonsecas@netcabo.pt