Na televisão muito se
tem falado, ultimamente, em “ celebridades”, o que , - convém
distinguir!- não é o mesmo que pessoas célebres. Celebridade neste caso,
rima bem com efemeridade, característica desta frágil fama que
normalmente rodeia certas personagens forjadas pela nossa sociedade
mediática num perfeito jogo de ilusões e aparências.
Não quero perder tempo
em comentários a reedições de “ mais do mesmo”, tristes e perigosas
experiências, mascaradas de inocentes brincadeiras, que certamente
darão muito dinheiro e audiência aos seus produtores, esquecidos já dos
visíveis maus efeitos nos pobres Zés....apanhados na teia deste negócio!
Por mim prefiro falar de
gente célebre – heróis, santos e sábios – pelo exemplo positivo que as
suas vidas representam para as crianças e jovens de hoje, que nos olham
, tantas vezes, num mudo pedido de referências e caminhos.
É o caso dos nossos
atletas paralímpicos , autênticos heróis, que acabam de regressar de
Atenas e justamente serão homenageados, premiando assim os seus
esforços e os dos seus treinadores.
A estes verdadeiros
lutadores, cujas vidas em algum momento foram dramaticamente marcadas
por alguma doença ou acidente, queria daqui endereçar um grande e amigo
Abraço de reconhecimento, pelo que são, pelo que fazem e pelo nível que
conseguiram atingir, independentemente das medalhas que trouxeram e que
os honram, bem como ao nosso país.
Estas são vidas que
merecem luzes de ribalta, apoios e carinho !
Estes são exemplos que
convém realçar !
Estes são casos que
merecem imagens, páginas e entrevistas, com eles, com os seus familiares
e treinadores.
Não propriamente para
despertar a nossa compaixão, mas para acordar consciências, sugerir
reflexão, esperança e admiração, sobretudo entre desesperados de todas
as idades, e em particular, entre jovens que se dão ao luxo de
desperdiçar tempo, saúde e tantos outros talentos com que foram
bafejados...
Por isso também, muito
gostei de ouvir o Reitor da Universidade Católica, Prof. Doutor Braga da
Cruz, num excelente programa da 2, a que o próprio telejornal da RTP1
em boa hora soube dar destaque, ao referir a importância e urgência de
controlar a indústria da noite, responsável pela exploração dos inúmeros
locais onde grande parte dos jovens gastam saúde, tempo e dinheiro.
Dizia este sociólogo, personalidade de reconhecida competência, muito
respeitado e ouvido nos meios universitários, casado, e pai , que a
vida nocturna tem decisiva influência negativa no rendimento escolar dos
jovens universitários, num tempo particularmente importante da sua
formação e que, ou se tomam medidas radicais para alterar horários
nocturnos e venda de bebidas, ou corremos o risco – já real - de
assisitirmos ao insucesso de várias gerações...
Dou os parabéns pela
seriedade, convicção, coragem e desassombro com que estas palavras foram
ditas, porque também eu, como mãe e professora, não tenho a menor
dúvida de que qualquer que seja a vocação profissional dos nossos
jovens - carreira desportiva, militar, técnico-profissional, ou
universitária - ela assentará sempre as suas bases na formação e
carácter do jovem, na sua capacidade de aprender a trabalhar com
autonomia e honestidade, regras e disciplina, sacrifício e
perseverança, características seguramente incompatíveis com excessos de
álcool, dinheiro fácil e noitadas...
Acrescento apenas,
reforçando o que tão sabiamente foi dito, que o problema começa cada vez
mais cedo, muito antes de os jovens chegarem às universidades- como
aliás o panorama dos maus resultados escolares do 3º ciclo de Ensino
Básico e do Secundário claramente o demonstra ! – e que se é verdade que
as famílias são as primeiras responsáveis pela educação dos seus
filhos, cabe ao Estado garantir segurança ( também dos nossos filhos e
nossa) , desenvolvimento ( que país teremos só com “ celebridades e
ídolos” ???) e justiça ( e alguém sabe dizer como estamos de
branqueamento de capitais e corrupção na indústria nocturna? Nada de
especial a assinalar???)...
Por isso digo – e estou
certa que muitos leitores estarão comigo! - que acho muito bem que os
nossos jovens e nós todos tenhamos tempo para o lazer, mas há que
olhá-lo com olhos realistas e é mais que chegada a altura de o Estado
intervir, para corrigir excessos, doa a quem doer !!!
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