m² de 1 de Julho de 2002
21 de Junho, Solstício de Verão,festa da Música em toda
a França, tradição que dura há 20 anos. Música de todo o género, a qualquer hora, em
qualquer canto, em qualquer estrado, na rua, no jardim, praça pública, igreja, teatro...
Tive o privilégio imenso de assistir a um magnífico concerto de órgão, na
Igreja de St Augustin, em Paris, à hora do almoço, com entrada livre, no meio de 21
pessoas apenas.
No final, fomos todos convidados a subir a escada de caracol que levava ao
órgão antiquíssimo, a uma altura de cerca de 50 m, onde o jovem e exímio organista nos
brindou com mais um pequeno concerto, acompanhado de explicações técnicas e de uma
maravilhosa exibição de "sapateado" no teclado de pés.
Entre nós os dez ali presentes - os que restávamos! - apenas dois
estrangeiros: um imigrante de leste e eu. Era um imigrante sem família e sem abrigo, mas
com formação universitária. Sabia de música e vibrava com ela! Ainda procurava um
tecto e um emprego.
Lembrei-me então, que no dia anterior, ouvira na TSF, as palavras de um
nosso Ministro, referindo que relativamente à imigração tínhamos de ser exigentes nas
entradas, mas mais humanos e generósos no tratamento e acompanhamento.
Regressei pensativa. Que poderemos fazer cada um de nós, afinal, no pequeno
metro quadrado da nossa acção diária para levar à prática esta humanização e
generosidade? Melhor dizendo, que mais pode fazer a nossa Comunicação Social,
diariamente - para além do que alguns já fazem, felizmente! - para sensibilizar,
despertar e mobilizar o comum dos portugueses?